Bisbilhotar as histórias do século passado para contar pra vocês é uma das coisas mais gostosas que estou fazendo agora. Ainda mais quando se trata de valores típicos de uma cidade antes interiorana, hoje pertencente à Região Metropolitana, e que sobrevivem à modernização. Quem é de Maranguape sabe muito bem que entre as construções contemporâneas, acompanhando padrão sofisticado, resistem às pequenas e simpáticas vilas erguidas no passado por senhores que tinham uma economia bem construída.

Casas da Rua Domingos Façanha (Foto acima)
A Vila Azul, situada à Rua Dr. João Bezerra, de azul não tem mais nada. As cinco casinhas construídas no ano de 1946 estão coloridas, mas chamam atenção de quem passa por ali ou de quem sobe à serra, pelo ar interiorano e charme que guardam na sua fachada.

Casas da Rua Dr. João Bezerra (Foto acima)
O proprietário das gêmeas quíntuplas, como parecem ser, era o Sr. Luiz Fernandes que também construiu outras vilas localizadas na ruas Major Agostinho, Capitão Manuel Bandeira, Antônio Marques de Abreu, Domingos Façanha, Alto do Cemitério e Outra Banda. Elas tinham em comum um modelo de construção, predominando a simplicidade e foram edificadas para aluguel. Andei por três delas para saber dos moradores como se chamavam as vilas. As respostas é que todas as vilas recebiam o mesmo nome: “Vila Azul. Houve quem afirmasse ter existido a Vila Marrom,Verde e Roxa . O que posso dizer a vocês é que de todas, apenas uma das casas está hoje pintada de azul.

Casas do Alto do Cemitério (Foto acima)
As casas da Vila Azul na Rua Dr. João Bezerra receberam modificações. As duas janelas estreitas deram espaço a uma janela larga e o piso de tijolo foi trocado por outro de preferência do inquilino. Tudo em acordo estabelecido com o proprietário. As casas têm uma sala, dois quartos, corredor, sala de jantar, cozinha, dispensa, banheiro e quintal. O curioso é que atualmente ainda vivem nelas moradores antigos, com quase 70 anos debaixo do mesmo teto. O sr. João Lessa reside há 66 anos na Vila Azul e fala com carinho das famílias as quais compartilhou vizinhança. A Cilene vive há 64 anos e considera uma família os moradores que dividem as paredes das casas. Já a Salete com 40 anos de aluguel diz em tom de felicidade, “aqui todos ajudam uns aos outros”.

Casas da Rua Dr. João Bezerra(Foto acima)
As outras vilas preservam o mesmo estilo de portas e janelas da mesma época de construção. Enquanto os modernos aparts de edifícios residenciais individualizam as famílias, os vizinhos mal se conhecem e se encontram, as antigas vilas sustentam a cultura de solidariedade. A vida dos inquilinos andam em comunhão e em cooperação. É o que pude constatar ao conversar com cada morador.

Casas da Rua Capitão Manuel Bandeira (Foto acima)

Casas da Rua Antônio Marques de Abreu (Foto acima)
Fotos: Neide Nunes
See you later!!!
