A Rota do Café

Ôpa! Estou de volta trazendo um tema com sabor de uma frutinha vermelha, mas quando bem torradinho fica pretinho e cheiroso. O aroma é forte e quanto mais ativo, melhor ainda, dizem os amantes. A minha postagem vem de um endereço cafeinado. E se você é um apaixonado por café, me acompanha nesse roteiro de domingo,19, da Ceará Encantos, pela Rota do Café Verde no Maciço de Baturité, com visita e trilha nos Sítios Águas Finas e São Luís. The Sunday was very happyness!

38939018_2311066635576707_8359086228758331392_nTem muita gente que não passa sem ele em casa. Virou letra de música de famosos cantores como Roberto Carlos, Chico Buarque, Tim Maia e muitos outros.  Está sempre presente nos escritórios, repartições, nas reuniões de amigas e nas festas de aniversários e casamentos como um saboroso digestivo, fazendo toda diferença. Exibir o café em eventos  significa cordialidade e tradição e deixa o coração animadíssimo.

DSCN0187Foi um dia de lazer, interação, vivência e muita emoção.Fomos alimentados pelo conhecimento, através da valorização histórica e cultural de uma região que já teve o café como principal atividade de produção.

DSCN0141Nossa primeira parada foi em Baturité. O guia do museu, na Estação Ferroviária, estava lá para dar explicações ao grupo. Visitamos as salas com o mobiliário, cristaleiras, mesas e cadeiras, além de outros pertences de valor. Um quadro no alto da parede chama atenção, lembrando que a Estação Ferroviária de Baturité foi construída no Governo Imperial de D. Pedro II. Uma visita rápida, mas bem acatada, porque afinal de contas era da Estação que o café saía para outras partes do mundo.

O grupo se juntou para uma foto oficial na réplica da locomotiva “Fortaleza”, exposta ao lado do museu, e que durante anos serviu a estrada de ferro, levando passageiros de Baturité para capital. A ferrovia de Baturité foi a primeira do Estado, inaugurada em 1822.

DSCN0155Partimos para Guaramiranga. Palavra e origem tupi significa “Pássaro Vermelho”, situada a 110km de Fortaleza. O município serrano encontra-se a 865 metros de altitude, totalmente inserido na área de Proteção Ambiental do Maciço de Baturité. Clima frio o ano todo. Sua temperatura  varia de 16º a 25º, razão de ser conhecido como a “Suiça Cearense”.

DSCN01402ª Parada – Sítio Águas Finas, propriedade do Sr. Francisco Uchôa, que nos recepcionou com muita alegria e fartura na mesa. Sucos de goiaba, laranja e jabuticaba; banana da serra, um fino e gostoso bolo de café com banana, biscoitos da casa e claro, o que não podia faltar na mesa, o famoso Café Uchôa, tradição de família, 100% Arábico. Um produto colhido nas montanhas da Mata Atlântica de Guaramiranga na sombra das ingazeiras. Tudo muito delicioso!

Seu Uchôa estava com tempo cronometrado, em comum acordo com a Raquel e Marcelino da Ceará Encantos, para nos explicar fase por fase, ou melhor, contar pra gente o caminho da semente até a xícara. E foi com muita descontração e graça que nos levou a passear pela produção do café especial no Sítio Águas Finas.

39741009_1648282411965793_5959377770147479552_nO café chegou ao Ceará em 1747. Uma curiosidade dita pelo Sr. Uchoa é que o café de Baturité foi reconhecido como o melhor café do mundo. Era assim que estampavam os jornais na época. O solo úmido e fértil, boa vegetação, altitude e o clima foram os principais fatores que favoreceram o cultivo do produto na região. “A interferência da floresta dá gosto no café. O café do Maciço é exótico, frutado e tem gosto de jardim”, falou com água na boca.

Fomos convidados pelo Sr. Uchôa a passear pelo sítio conhecendo as várias etapas do ciclo do café, desde a lavagem, secagem ao sol em redes, a prova, máquina de torrefação e descascador. Foi um Aulão Presencial.

Logo depois partimos para a trilha. Na subida demos de cara com uma enorme Ingazeira e foi debaixo da copa dela que o Sr. Uchôa falou da importância da árvore amiga e salvadora do café. “É o seu fruto, o ingá, que atrai a broca, inimiga do café”, frisou.

Uma caminhada bem esticadinha, subindo ladeiras, mas nada para reclamar, porque o clima estava gostoso. O vento frio cobria nosso corpo dando uma sensação agradável. A Estrada era estreita quase escondida pelas folhas secas caídas no chão. As folhas verdes dos pés de café brilhavam na luz do sol. Fomos privilegiados em ver brotar na plantação,  as flores brancas e os pequenos frutos vermelhos do cafezal .  Tocamos em frente. Incorporamos a energia do lugar. Nem os mais sedentários sentiram vontade de desistir da vereda.

Andamos até um bocadinho quando o guia avisou que tínhamos chegado ao destino final. Pediu para que todos fizessem um minuto de silêncio em respeito à natureza e nos convidou a rezar um Pai Nosso para agradecer àquele momento, ouvindo o canto dos pássaros e  os sons que vinham da floresta. Surpresa, emoção, algo acionou nossa sensibilidade. Mergulhamos na mata de tanto contentamento… mas não posso contar .O segredo vai ficar pra você descobrir na próxima Rota do Café Verde.

Partiu! Almoço na Pousada dos Capuchinhas, antes um mosteiro, e hoje um dos principais pontos turísticos de Guaramiranga. E nos degraus da igreja mais uma foto oficial para marcar passagem pelo local que nos ofereceu The midday meal.

DSCN0258Próximo destino foi Pacoti, onde estava agendada a visita ao Sítio São Luís. Um belo casarão com aproximadamente 140 anos de existência, construído por João Pereira  Castelo Branco.

Uma paisagem exuberante em torno do casarão colonial com estrutura secular, erguido no período áureo da cultura cafeeira. As portas e janelas são de madeira de lei, cedro e pau d’arco, retirados da própria mata. As paredes são altas e dobradas; as imensas colunas brancas se fecham em arcos simétricos. Foi com o pequeno fruto, café, que muitas riquezas foram conquistadas pela família. O café da serra era bem quisto. Como muitas histórias de vida, a família foi perdendo o poder e o sítio foi entregue por hipoteca a credores. Os irmãos Boris, franceses, foram donos por mais de 30 anos. Depois a propriedade passou a pertencer ao filho do administrador, que com a venda da maniçoba, na época do ciclo da borracha, trouxe a fortuna de volta.

Os descendentes da família mantêm a casa viva. Dona Cláudia é a vó, mora no casarão. Persiste e resiste em preservá-lo como um lugar sagrado de tantas e tantas histórias. Levi Jucá, historiador e membro da família, foi quem nos recebeu para falar da vida do casarão. Com muita empolgação, brilho nos olhos e com os lábios quase sorrindo, nos contou todo o passado. Percebemos a sua enorme felicidade de ter um acervo riquíssimo, composto de informações, fotos, mobília, biblioteca, louças, tudo às mostras dos visitantes do Século XXI.

Chegou a hora de sentir o sabor da comida do casarão, pois quem visita o sítio tem que provar das receitas culinárias de familiares  guardadas com muito afeto. Mas antes vamos dar uma passadinha pela cozinha. O fogão a lenha aceso com suas chaleiras de água para fazer o café da tarde chamou a atenção de todos que não pensarem em outra coisa a não ser o famoso “retrato”.

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Mesas postas, muito bem servidas com café, leite, ricota, geleia de banana com laranja, pão caseiro, bolo de café e chocolate.

Tudo tão perfeito que ninguém saiu sem levar para casa um produto da vendinha. As meninas da cozinha, um amor de simpatia. Só lamentei não conhecer a Dona Claudia, a atual proprietária do casarão, porque me disseram que ela conta a história de lá com muita magia.

Foi uma trilha histórica, cultural , aromática, recheada de sentimentos bons e comidas gostosas. Foi uma viagem no túnel do tempo. Eu recomendo a Rota do Café Verde. Valeu Raquel, Marcelino e Gabriel Abreu!

Pacote Ceará Encantos

Transporte Executivo

Taxa da trilha no Sitio Águas Finas

Taxa de visita e café da tarde no Sítio São Luís

Serviço de Guia de Turismo

Contato: (85) 999458030 / 987371682

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