Desfiles de escolas marcam o Dia da Independência em Maranguape

Gente pra lá, gente pra cá. O vento sopra vozes de jovens para dentro de nossas casas. O barulho de tambores é um convite para sair à porta. Sou moradora da Rua Major Agostinho, corredor cultural e passarela de grandes eventos. Há muitos anos ela fica assim no tradicional desfile do Dia da Independência. É uma das principais ruas do Centro, palco de paradas cívicas, desfiles estudantis, cortejos dos foliões e dos blocos do Pré-Carnaval de Maranguape.

des 8Festejar 7 de Setembro faz parte do calendário de atividades da cidade. É um momento para relembrar a data histórica da Independência do Brasil, mas é também um dia de encontros das escolas, das bandas de fanfarras, dos ex-alunos e de gente que retorna à cidade de origem para abraçar  parentes e assistir  a “marcha” ; recordar o dia em que desceu o “alto da Major Agostinho”  ao toque dos tambores , dos trompetes, liras  e ao som dos dobrados. Aí , na timeline, vem a lembrança das luvas brancas nas mãos, das boinas, dos cabelos penteados no salão de beleza e dos trajes de destaques, porque sempre foi  assim e ainda é assim mesmo que acontece .

As cadeiras dos moradores das ruas adjacentes chegam muito cedo e ocupam as pontas das calçadas. Ficam lançadas por cordões para o vento não levá-las para longe ou não serem despejadas dali. As mesas para vendinhas de água, refrigerante e cerveja são postas ao lado das árvores para garimpar a sombra de suas copas. Elas também ficam presas a fios, enquanto seus donos assumem o negócio.

Ao meio dia começa o ruge-ruge. Alunos fardados  vão e voltam. O público da parada cívica, principalmente os pais que vão prestigiar seus filhos, vai chegando para não perder o lugar  mais visível e  melhor acomodação. A cidade se movimenta e é muita energia que aquece a Major Agostinho no  dia 7 de Setembro.

A marcha começa na hora marcada,15h, e é a Banda Municipal Maestro João Inácio Fonseca, referência cívica, cultural e social da cidade, que abre alas. E quando ela aponta no alto , já tem muitos fãs esperando para ver a banda passar tocando dobrados de arrepiar.

 Em seguida, descem as entidades e escolas com os porta-bandeiras , escudo , bandas de fanfarras e corpo estudantil, apresentando ao público  o seu grito de independência, focados no projeto educacional, mostrando as experiências através das artes, ciências e da história.

A cada hora que vai passando vai aumentando o fluxo de pessoas na rua. São os espectadores da festa do Dia da Pátra no Corredor Cultural, na Praça Capistrano de Abreu e na Rua Coronel Manuel Paula, final do trajeto, desde os tempos do Colégio Santa Rita (das Irmãs do Amparo), e Anchieta, antigos estabelecimentos de ensino da cidade que formalizaram o desfile cívico em Maranguape.

“Eu lembro muito bem das alunas do Santa Rita em dia de desfile , ostentando a farda de gala, boina, luvas alvejadas e novas, carregadas por uma baliza que vinha na frente com um mastro na mão, exibindo coreografias com muita performance. Era sempre uma menina bonita, bem vestida e treinada para dar passos e gestos de um bailado. Interessante que essa figura permaneceu fora dos desfiles por muitas décadas, e voltou com força nesse Século XXI. Um pouco diferente, num balé hiperbólico, que muitas vezes chama atenção de grupo de pessoas que está ali na plateia e expressa gritos de desaprovação com zombaria e deboche. O fato atinge às redes sociais, desqualificando de certa forma o evento comemorativo. Na minha opinião , as escolas deveriam ser mais cautelosas nesse critério. Menos é muito mais, pois afinal de contas o desfile de 7 de Setembro  é um ato cívico que comemora um marco importante para a história do País.

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São quase cinco horas de desfile, envolvendo escolas municipais, do estado e da rede particular de ensino, bem como projetos e entidades, a exemplo do Lions e APAE . Durante todo esse tempo, o público tem a seu dispor tudo o que ele possa imaginar e o que nem pensou em consumir na rua. A maçã do amor é a estrela que brilha na passarela e agora vem acompanhada da uva, banhadas de mel vermelho com sabor aromatizado de  morango. O algodão doce pink, branco e agora azul passeia pelas calçadas nas mãos de seus vendedores. A festa é também da economia local.

O vendedor de  água grita: “ é só um real”. Lá vem o homem da geladinha, do queijo assado; lá vai a moça passando com  dois sacos cheios de roscas e bulinhos de goma congestionando a calçada; balas, brinquedos para crianças, bandeirinhas do Brasil, balões metalizados em formatos de coração e cara de personagens infantis. Todos os produtos atravessam de um lado para o outro procurando o seu consumidor. No final da comemoração da independência, a rua está clamando pelos garis da limpeza ou pelos catadores para recolher os descartáveis.

A marcha militar é quem encerra a programação. O público espera os homens do Exército e aplaude o grupamento que pisa forte na avenida na companhia de seu instrumentos , cães farejadores e veículos motorizados usados no dia-a-dia. Fiz várias fotos, mas quando abri os arquivos, percebi um grande número de pirulitos da propaganda política. Preferi não usá-las, mas os militares desfilaram bonito e foram bastante ovacionados pelo público.

 Gente, é assim o Dia da Independência em Maranguape. Uma  grande festa como poucas cidades do Estado vivencia. O evento culmina com as comemorações da Padroeira de Maranguape Nossa Senhora da Penha. Portanto, são celebrações  que  juntas se fortalecem. Essa tradição nunca vai  acabar. Eu acredito.

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 Fiquem com Deus! 

 

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