
É com entusiasmo e orgulho que muita gente enche a boca para falar “Guabiraba amiga”, expressão usada em palanque político pelos ex-prefeitos Paulo Cirino, Antônio Câmara e Pedro Câmara (in memoriam), mas tudo parece que o título foi criado por locutores da Rádio Iracema de Maranguape, de acordo com ouvintes assíduos da emissora. Esta caiu como um doce na boca do povo e já ficou para sempre. O bairro é um dos mais conhecidos de Maranguape, de um povo festeiro, que se mobiliza para comemorar a vitória do time preferido, enfeita as ruas para a Copa do Mundo, que se junta no carnaval para animar a cidade e que cria grupo cheio de paixão para participar e vencer festivais de quadrilhas do Estado. É território de gente que cria associação para cuidar da praça e do bem estar da comunidade; é lugar de vizinhos que mantém o hábito de botar cadeira na calçada para colocar conversa em dia. Na realidade são muitos os motivos pelo qual um povo, que construiu amizade desde a infância, abraça com muito sentimento esse rótulo de “Guabiraba Amiga”.

O bairro que dá acesso a serra é bem povoado, com uma população de 2.649 habitantes, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE. Nele tem estabelecimentos comerciais, mercearias, igreja, capela, escolas, salão de beleza, Unidade Básica de Saúde, Pet Shop, restaurantes, pastelaria, Café com Arte, inspirado no humorista Chico Anysio, lojinha de artesanato em barro, pousada e as praças Sarah Carvalho e Monsenhor Rosa, esta última abriga uma Caixa D’água com capacidade de 1000m³, e por isso é tão conhecida como Praça da Caixa D’água. O reservatório foi construído no ano de 1957, pela Fundação SESP, na gestão do ex-prefeito Humberto Correia Mota, com o propósito de solucionar o problema de abastecimento na sede do Município, que era muito precário.


A Guabiraba é um bairro de muitos empreendedores proporcionando aos moradores acesso a vários tipos de serviços. Preserva a memória do antigo Colégio Santa Rita, das Irmãs do Amparo, prédio tombado pelo Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Município. O colégio, fundado em 1930, serviu de internato e externato, recebendo alunas de vários lugares do Estado, de Pernambuco e Natal. Foi a doação de uma casa que propiciou a edificação do convento, com a finalidade de atender crianças carentes e prestar ensino de iniciativa particular. O Pe. Raimundo Pinto, morador do bairro, foi o eterno capelão do convento que no ano de 1971 cerrou suas portas deixando marcas positivas na história da educação de Maranguape. Depois o prédio, pertencente ao Estado, recebeu a Escola Dr. Argeu Braga Herbster e o IFCE, Escola Profissionalizante. Hoje, com função de alojamento para acolher pessoas em situação de rua.

A Guabiraba é um ponto icônico e de concentração dos grandes eventos. Era da Praça da Caixa D’água que saíam os desfiles cívicos do Dia 7 de Setembro. No roteiro da Igreja Católica, a Praça da Guabiraba está lá como ponto de partida da procissão de abertura dos festejos de Nossa Senhora da Penha, Padroeira e Maranguape. Da Guabiraba também saíam os blocos do Pré-Carnaval de Maranguape, Blocos dos Sujos, cortejos natalinos, manifestações estudantis e outras programações culturais da cidade.

Guabiraba não é um bairro de pessoas que concentram muitas riquezas, mas nele nasceram e cresceram gente de talento e habilidades como o internacional Manassés de Sousa, virtuoso músico e exímio violonista com carreira percorrida ao lado de grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB) , a exemplo de Gal Costa, Elba Ramalho, Fagner, Chico Buarque, Nara Leão; Lauriston Trindade, astrônomo e pesquisador , membro da Rede Brasileira de Observação de Meteoros com participação em conferências internacionais; Glaucia Lobo, artesã, ceramista, cantora, alegrando as noites de Maranguape e da Capital; Rick Teixeira, artista plástico; Lambivara, o maior sanfoneiro da história de Maranguape; professor Joelcio Alves, referência na Educação de Maranguape; Moisés Lourenço, músico e radialista com programa de grande audiência na cidade; D. Joana Cavalcante (in memoriam) famosa pelo seu bordado e réchilieu. Desse pé de serra saiu até morador eleito prefeito da cidade por duas vezes.

Origem do bairro Guabiraba – Era uma região muito verde. Uma área coberta de mata com alguns caminhos abertos feitos para a passagem de seus moradores. Um povoado com poucas famílias que utilizavam burros e cavalos como meios de transporte. As casas eram de taipas. As famílias foram crescendo e logo se erguiam mais moradias. Gente que vinha de longe foi se instalando e construindo novas casas. Com o tempo, as residências de taipas deram espaços às casas de tijolos.

O dono da budega era o Sr. Antônio Feliciano, que depois passou o pequeno mercado para o Sr. José Joaquim. A budega foi demolida para dar vaga à Caixa D’água. Como todo brasileiro que gosta de futebol, os moradores criaram um campo para bater bola. Ficava bem no canto da Escola Manuel Severo Barbosa e o espaço foi propício para dar apoio aos circos que chegavam na cidade. Eles armavam a lona e ali ficavam. Assim, a Guabiraba foi se formando e se desenvolvendo.


O nome Guabiraba vem de Guabiroba fruto que faz licor. Procurei saber de moradores da área se era comum encontrar na região para confirmar se a denominação do bairro tinha uma relação com o fruto. O professor de história, Joélcio Alves, que nasceu e cresceu ali, me falou que ouvia moradores antigos como Maria Binga e Antônio Cafute conversarem na calçada com sua mãe, Maria Lúcia, sobre a existência da plantação onde hoje está encravado o Café com Arte, terras do Sr. Albany Lobo (in memoriam) e no trecho correspondente à Travessa Gama. Não consegui mais informações, mas é bem provável que a nomeação venha daí.

As Famílias que deram origem ao bairro – As famílias pioneiras que deram origem ao bairro foram: Maria Amélia Gama, Luiz Paulo da Silva, Maria Sebastiana, Maria Dú, Maria Binga, Antônio Nogueira, Raimundo Martins, Francisco Cafute, Alfredo Brandão, Dona Mundoca, Raimundo Sales, Antônio Saluste, Francisco Paulo da Silva.

Vou ficando por aqui. Aguardem que tenho outras histórias curiosas na ponta da agulha. Feliz 2021 pra todos vocês que me leem e voltam depois para saber das novidades.
Mais fotos que representam a “Guabiraba Amiga”











Fonte
Material de arquivo do historiador Evandro Carneiro que hoje compõe a coleção de documentos históricos do maranguapense Sérgio Roberto da Silva (Golinha).
Fotos
Cleneide Nunes
