Adoro pescar histórias e hoje lancei a rede na calçada da Rua Major Agostinho para falar de duas vizinhas que há 52 anos mudaram de endereço, para um quarteirão atrás, porque conquistaram o sonho da casa própria. Helena de Souza Carvalho (85) e Edilia Nogueira Maciel voltaram a rua, onde viveram grandes momentos com suas famílias, para fazer caminhadas ao sol. Tudo por conta da irregularidade das calçadas onde estão fixadas suas atuais moradas. Providência do destino, tenho certeza. O vento leva as coisas boas, mas traz oportunidades novas para fazer todo mundo feliz.

As passadas já estão mais lentas, mas o vigor, a alegria e o amor pela vida são intensos. É assim a Helena de hoje. Não muito diferente da Helena que fazia bordados e enchia as sacolas de roupas para vender em Fortaleza. Eu fiquei superfeliz quando abri a porta de casa um dia e vi as duas passarem conversando. Fiquei observando a cena se repetir e não me intimidei para registrar esse novo tempo.Helena morou 25 anos na casa 528, e saiu para entregar o imóvel aos atuais moradores. “Chorei muito, porque não queria sair da Major. O Neném (marido) me consolava dizendo que um dia iria comprar a casa da D. Graziela pra mim”. Para quem não sabe, é um casarão charmoso, que fica do lado poente da rua. Sempre com ar misterioso. Despertava curiosidade nas crianças e em pessoas entusiasmadas, mas se tratava de uma família gentil, solidária, porém vivia de portas fechadas.

A saída das duas famílias, Helena e Edília, para a Rua Capitão Manuel Bandeira, foi muito triste para nós. Tem coisas que ficam marcadas para sempre. Das lembranças, Helena contou que não esquece a chuva de arroz com escolhas que recebeu da Estelinha Bayma (moradora da esquina) no dia de seu casamento e das visitas dos vizinhos quando o seu primeiro filho , Edson, nasceu. Mas deu muitos risos ao citar a mentira que pregou no Sr. Antonio Bayma, no 1° de Abril. “Eu tinha seis anos. Disse a ele que a mamãe estava chamando. Quando ele chegou e minha mãe falou que era uma brincadeira, ele pegou a bengala e gritou: se eu pegar essa cabrita! Eu sai correndo e nunca mais fui na casa dele”. Pronto! Contar histórias assim é um exercício à felicidade.



Até o próximo post! Continue na minha cola. See you later!
