A costureira que há 75 anos transforma tecidos em obras de arte

Olá gente! Hoje, 17 de novembro de 2021, Maranguape comemora seus 170 Anos de emancipação política. Eu quero presentear o povo de minha cidade com a linda história de uma moradora que desde os 13 anos de idade costura tecidos, ideias e realiza os sonhos de muitas mulheres que gostam de se vestir bem. Júlia Pinto da Silva, 88, é apaixonada pela profissão. O barulho da linha correndo na máquina é uma sinfonia para deixar o seu dia bem mais feliz. Ela é a minha protagonista na história da costura da cidade ao longo desses anos.

“Comecei a trabalhar com 13 anos. Minha mãe era costureira e eu acompanhava o trabalho dela”. A casa dos pais ficava na serra, por isso a menina veio morar no Centro da cidade com os tios para frequentar a escola. O bordado, técnica milenar que marcou a cultura de Maranguape, movia a economia do Município e aumentava a renda da família. “Lá na casa do meu tio todos bordavam. A mulher dele trabalhava para uma senhora de Fortaleza que tinha confecção e todo final de semana vinha buscar a nossa produção”, disse.

O tempo foi passando, final da década de 50 e início de 60, esse saber-fazer peças de reconhecimento deu origem a um atelier na garagem da casa do tio, na Rua Coronel Manuel Paula. Júlia, sua prima e Irismar, que somavam o grupo de bordadeiras, mandaram brasa na arte de costurar. Agulha, linha, tesoura e máquina viraram suas melhores amigas.

“Vixe! Ai a gente fazia tudo. A Irismar cortava tecido com muita habilidade e assim conquistamos a confiança da elite de Maranguape”, lembrou. Com cortes e acabamentos impecáveis o negócio foi pra frente. “Costurávamos para as primeiras-damas do Município, D. Consuêlo Câmara, D. Zimar Cirino, para todas mulheres das famílias Paula Colares, Matos Cavalcante , Bastos, Prata, Mota, Silva, Gurgel, Sucupira, para Alzirinha e irmãs dela, Socorro Leite e pra muita gente bacana.”, declarou

A fama de costureiras de mão cheia chegou na boca do povo. A freguesia aumentava a cada dia e assim elas precisaram mudar de endereço para um espaço maior que oferecesse mais conforto e recebesse melhor a clientela. ”Alugamos uma casa na Rua Coronel Afro Campos e com a ajuda de D. Maria de Paula e Gema Colares mobiliamos a nova morada. Naquele tempo não tinha energia em Maranguape. A gente trabalhava entrando pela madrugada com a luz de farol e foi juntando um dinheirinho que compramos a casa da Major Agostinho com o apoio do Zé Mário Barbosa”, explicou.

Júlia conta que nunca fez curso de corte e costura fora. Tudo que aprendeu foi na prática aperfeiçoando o trabalho com curiosidade e experiência. Costurou vestidos de noivas, enxoval de crianças do primeiro aniversário, roupas de batizados, vestidos de desfiles de rainhas, roupas para festas de formaturas, confeccionou faixas para rainhas de Maranguape e vestidos para bailes de 15 anos. “Toda cheia de orgulho falou que foi ela quem fez o vestido da Ângela Braga, quando ela foi eleita Rainha do Algodão.

Perfeccionismo é uma das principais características da costureira de 88 anos. Sou testemunha disso, pois desde os anos 80 também nos tornamos clientes dela. Não é uma só prova que ela quer, mesmo que a primeira esteja quase no ponto e o caimento perfeito, ela só deixa a roupa sair de lá quando finaliza os ajustes.

Hoje, aos quase 90 anos, Júlia recorta, molda e costura o vestido, a calça comprida, a blusa, a saia seja qual for o estilo. Para Mena Nunes, cliente fiel, a postura da costureira  é de como se estivesse ainda aos seus 40 anos. “Muito habilidosa, perfeccionista e se orgulha da roupa que faz com a idade que tem. Está sempre preocupada em pesquisar as novas tendências em revistas de moda que assina por muito tempo. A Júlia faz toda a diferença. Ela vive o presente valorizando cada minuto que Deus lhe dá”, enfatizou.

Não existe dificuldade para uma profissional como a Júlia Pinto. Ela costura para todo tipo de pessoa valorizando as melhores partes de cada mulher como colo, cintura e quadril. Faz também reparos, ajustes, modifica uma peça inteira que não ficou no agrado da freguesa. Júlia é uma desafiadora do tempo com sua máquina aberta até os dias de hoje. Além da arte que escolheu como profissão, administra a casa, vai para a cozinha, faz suas orações diariamente e é sobretudo uma mulher firme nas decisões. Uma mulher de muita luz vivendo aqui em Maranguape.

O sobrinho Adler fala com muita paixão da tia que tem. “Ela é a base de nossa família. Símbolo de mulher batalhadora e guerreira. Além de tia é nossa mãe. Ajudou em nossa educação. É sensível e tem um coração grande, do mesmo tamanho de Maranguape que hoje completa 170 anos,” concluiu.

Com a história carismática da costureira Júlia Pinto parabenizo a cidade de Maranguape nos seus 170 Anos por ter gente de talento que brilha, que supera os desafios do ciclo da vida, que ama o que faz e que sabe envelhecer com arte e amor à vida.

PARABÉNS MARANGUAS PELOS SEUS 170 ANOS!

Fiquem comigo sempre!

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