Quem aí não gosta de turistar? E quando o convite é para fazer turismo ecológico, eu sou a primeira a levantar a mão. O celular tocou às seis da manhã. Cell Phone called again at 6:56 AM. Em seguida som de notificação no WhatsApp . Não tinha agenda para acordar cedo nesse dia, mas o telefone cantando nos ouvidos me retirou do sono. O toque insistente chamava para um turismo de aventura, a fim de conferir a força do inverno no volume de água dos açudes de Maranguape.

Levantei da cama correndo para tomar o café da manhã e aprontar a mochila com máquina fotográfica, celular e acessórios, kit higiene, garrafa d’água e lanche, pois a programação estava prevista para o dia todo. Roteiro pronto com destino a seis recursos hídricos. Embarquei nesta aventura.

A expedição saiu por volta de dez da manhã em transporte apropriado para ir até a lugares de difícil acesso. A Barragem do Maranguapinho , localizada na divisa dos municípios de Maranguape e Maracanau, foi o primeiro reservatório público visitado. O seu volume hidraúlico atingiu cota de 100% com a chuvarada caída no inverno desse ano. A barragem foi construída para controlar o volume de água na época das chuvas. Possui 306,84 hectares e sua capacidade para acumular é de 9.3 milhões de metros cúbicos.


Nossa expedição partiu com destino ao distrito de Manuel Guedes. Percorremos a CE-354. Uma via asfaltada com subidas, descidas leves e algumas curvas. Durante o trajeto tivemos a oportunidade de contemplar uma paisagem totalmente coberta de verde com campos abertos e montanhas ao fundo formando imagens de tirar o fôlego.
Para chegar ao sangradouro do Açude Manuel Guedes ingressamos por uma estrada de terra não muito fácil de transitar. No caminho nos deparamos com cenas cotidianas da vida do campo. A carroça puxada por animal desfilava lentamente pela estrada e o trabalhador rural, com enxada no ombro e resguardado do sol com seu chapéu de palha, procurava andar timidamente pelos cantos se protegendo do trânsito.

Um caminhão caçamba descarregando areia para restaurar um trecho danificado pelas águas da chuva, bloqueava a estrada impedindo a passagem dos veículos. Ficamos a espera da máquina retroescavadeira e enquanto à área era liberada, aproveitamos para fazer fotos e vídeos do lugar cortado por um riacho e enfeitado de flores do campo. Uma imersão na natureza.

Assim que deu certo, continuamos a travessia. O açude de 7 milhões de metros cúbicos, que superou sua capacidade de armazenamento este ano de 2022, estava diante de nossos olhos num espetáculo de correnteza carregando para longe uma carga de vegetação. Suas águas vêm da Serra do Lajedo e proximidades. Ele sangra para o Rio São Gonçalo e de lá para o Pecém. Serve para o abastecimento humano, dessedentação animal e para produção.

Açude do Amanari foi nossa próxima parada. De Manuel Guedes até lá atravessamos 18km desviando estradas molhadas e de difícil acesso.Outro cenário de encher os olhos. Dois Benjamins com copas frondosas formam um portal de entrada a um dos sangradouros, onde vimos também uma escadaria de pedra construída na década de 30. O manancial tem uma altitude de 114 metros e capacidade de 11 milhões e 300 mil metros cúbicos. O açude do Amanari está chegando aos seus 87 anos e foi ai que o DNOCS se instalou na década de 30, construindo a Estação de Psicultura. Abastece cerca de 10 mil pessoas todos os dias.



Pé na estrada em direção a Forquilha. Percorremos mais 11 quilômetros . Pela primeira vez eu iria conhecer o maior açude do Município, construído com recursos próprios da Prefeitura de Maranguape no ano de 1985. Até lá foi um estirão pela grandiosa Serra de paisagem incrível. Mas valeu a pena. Cerca de 18 milhões de metros cúbicos é essa a capacidade do Açude Forquilha. Ganhou aumentou no volume de água nesse inverno e transbordou. Por conta do sangradouro estar alto fomos impedidos de visitar o Açude São José no Retiro e Açude do Papara. Estes ficaram para a próxima expedição.




Seguimos viagem. Forquilha/ Penedo, via Amanari, foi o destino que fechou o cronograma. Enfrentamos mais 26 km de estrada. O Penedo é o reservatório que apresenta maior dificuldade de atingir sua cota máxima de 2 milhões 414 mil metros cúbicos. Ele só começa receber grande recarga quando o Açude do Exército sangra. Na regra é preciso que o pluviométrico chegue a 1.400 milímetros. Hoje o Penedo está com 83,3% de sua capacidade. O manancial atende aos distritos de Umarizeiras, Lages, Ladeira Grande e a própria comunidade do Penedo beneficiando cerca de 15 mil pessoas todo dia.


Nossa expedição rodou 131 km em volta da zona rural de Maranguape. Um roteiro desafiador , mas gratificante. Lugares repletos de belezas naturais, inspiradores para vídeos e clicks ” instagramáveis”, e que podem ser turisticamente explorados como base do Turismo Rural.


Eu só posso dizer que amei viver essa aventura no mundo do ecoturismo. Muita sorte minha mesmo.


Foi um dia especial de contato com a natureza, aprendizado e lazer. O que faltou no passeio? Pra mim foi só mergulhar e refrescar o corpo nas águas dos açudes, mas da próxima vez não tem desculpas.

Quer uma dica? Organize você uma excursão e conheça o seu patrimônio natural! Boa sorte!
Bye! Até o próximo post!
Idealizador do passeio: Marcelo Silva;
Comando e guia: Sílvio Nunes
Na direção: Roberto Torres.
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