
O desfile Civico do Dia da Independência, 7 de Setembro, em Maranguape acontece em clima de muita festa. A cidade ganha uma movimentação de gente que anda pra lá e pra cá, subindo e descendo as ladeiras da Rua Major Agostinho, principal artéria onde acontece o evento.
É exatamente na rua que ganhou fama pelos comentários de um desses 7 de Setembro feitos pela digital influencer, Camila Morgana, que apresento a vocês uma foto do ano de 1968, enquanto aluna do Colégio Particular São José. O “retrato” já é uma cópia da original. A lembrança que eu guardava em casa com muito carinho, estava se desgastando. Em uma das visitas ao Colégio São José, há uns cinco anos, pedi ao diretor, na época o querido Teta, para eu fazer uma cópia.
E foi com ela que apresentei recentemente uma atividade do curso “Baú de Lembranças”, ministrado pela jornalista e escritora, Ana Karla Dubiella, promovido pelo Centro Cultural Banco do Nordeste. A proposta era apresentar uma foto ou um objeto de estimação da infância e escrever um texto sobre a lembrança afetiva que eles representam.
Foi no Colégio São José que fiz o primário e como agradeço essa bondade de Deus!
Quem sou eu no ” retrato”? A menina vestida de enfermeira que está na ponta direita, logo atrás do garoto que leva o carneirinho com duas maletas branca, onde pode se ver uma cruz representando à assistência e socorro.
Éramos todos praticamente da mesma idade.
Os meninos são: Fred Cirino, Silvio Mesquita e Antônio Júnior ( da direita para esquerda). As meninas: eu, Susy Magalhães, Ivanize Alves e Izaura Diógenes ( da direita para esquerda). E sabem porque estávamos vestidos de enfermeiros? Porque o tema de nosso pelotão, criado pela diretora da escola, Edith Nunes, focava o importante papel da enfermeira Ana Nery, a primeira enfermeira do Brasil, que se destacou pelo trabalho voluntário durante a Guerra do Paraguai, cuidando de soldados feridos em hospitais de campanha. A personagem Ana Nery vinha ligo atrás representada por uma estudante vestida rigorosamente como ela era.
Eu lembro com emoção como foi fazer parte do pelotão de destaque, diferenciado dos alunos que usavam a farda convencional. Minha mãe cuidou com muito bom gosto da bata branca e saia de fustão de pregas, tipo jardineira. Eu sai de casa impecável. Os sapatos e meias brilhavam de tão brancos. Eu me senti muito bem e feliz vestida de enfermeira.naquele 7 de Setembro. Foi uma paixão viver aquele momento.
A ideia dos enfermeiros foi sucesso. A escola repetiu várias vezes o tema com outros personagens nos desfiles dos anos subsequentemente.
Os carneirinhos se comportaram bem no meio de uma zuadeira de tambores , cornetas e gente estranha. Lembro também que a escola demonstrava a preocupação dos animais estranharem tudo aquilo. Porém, a história teve final feliz. Os animais pertenciam à família dos meninos e eles tinham costume de lidar com as crias. Não houve nenhum contratempo.
Era assim que a escola se apresentava no dia 7 de Setembro contando fatos históricos para os populares que assistiam ao desfile nas pontas das calçadas, do bairro da Guabiraba até o local de encerramento na Rua Cel. Manuel Paula.
Daquele tempo para cá , o tradicional desfile de 7 de Setembro de Maranguape só atrai espectadores. Hoje, os estabelecimentos de ensino contextualizam a sua apresentação com a história, ciência, geografia, a natureza, o esporte, o folclore, os avanços tecnológicos, além de outros. As bandas de fanfarras chamam atenção, não só pelo toque, mas através de seus trajes com brilhos, cabeças enfeitadas, coreografia um tanto exagerada, bem diferente do século passado.
O Dia da Independência em Maranguape é tradição. É um dia de encontros das escolas, das bandas, dos ex-alunos e de gente que retorna à cidade de origem para abraçar parentes e assistir a “marcha” , de recordar o dia em que desceu a ladeira da Major Agostinho ao toque dos tambores , dos trompetes, liras e ao som dos dobrados. Gente que lembra com saudade das luvas brancas nas mãos, das boinas presas nos cabelos, dos penteados feitos no salão de beleza e dos trajes de destaques.
As cadeiras dos moradores das ruas adjacentes chegam muito cedo e ocupam as pontas das calçadas. O que faz a diferença do Século passado quando as pessoas assistiam a passagem das escolas em pé e encostadas nos postes de luz.
As mesas para vendinhas de água, refrigerante e cerveja são postas ao lado das árvores para garimpar a sombra de suas copas. Elas também ficam presas a fios, enquanto seus donos assumem o negócio.
Ao meio dia começa o ruge-ruge. Alunos fardados vão e voltam. O público da parada cívica vai chegando para não perder o lugar mais visível e melhor acomodação.
A Banda Municipal Maestro Jose Eliomar abre o desfile cívico e é aplaudida pelo público que por nada desse mundo quer perder a sua passagem tocando dobrados de arrepiar e trazendo de volta a lembrança de seus maiores incentivadores e membros que não fazem mais parte do cenário.
São quase cinco horas de desfile, envolvendo escolas municipais, do estado e da rede particular de ensino, bem como projetos e entidades . Durante todo esse tempo, o público tem a seu dispor tudo o que ele possa imaginar . A maçã do amor é a estrela que brilha na passarela. O algodão doce branco, colorido de rosa e azul passeia dando vida às calçadas.
Água, geladinho, queijo assado, sacos cheios de roscas e bulinhos de goma, balas, souvenirs e balões tematicos. Todos os produtos atravessam de um lado para o outro da rua.
Já é noite quando desce o último grupamento que é o Exército. O público espera e aplaude sem timidez . Eles pisam forte na pista , encantando e fazendo o povo vibrar com muitas palmas. Trazem consigo os cães farejadores e veículos motorizados.
É assim o Dia da Independência em Maranguape. Uma grande festa como poucas cidades do Estado vivenciam.
Como a casa de meu pai fica na Major sempre recebemos amigos que gostam de apreciar o desfile. Rola um cafezinho, um bate papo, e a gente mata a saudade daqueles que demoram visitar Maranguape. É um dia esperado, é um dia de festa na cidade.
E foi assim que conclui o segundo trabalho do Baú de Lembranças. Depois vou postar aqui o primeiro exercício que foi bem mais longo.
BYE! ATÉ O PRÓXIMO.
