
Oi gente! Tudo bem? Este espaço aqui é reservado para um special highlight : meu “Maranguape de açúcar”, como muitos de seus filhos naturais o chamam. O post revela pra vocês uma das cidades mais verde e bonita do Ceará, inspiração para Catulo da Paixão Cearense compor “Luar do Sertão”. Maranguape é coroada por majestosas montanhas, que combinam muito bem com os prédios consagrados pela arquitetura colonial, formando uma paisagem atraente e de encher os olhos.

A cidade fica na Região Metropolitana de Fortaleza, localizada a 27 km da Capital. Para chegar em Maranguape é fácil. É só pegar a CE-065 e partir em direção à serra. O topônimo Maranguape vem do tupi-guarani Maragoab e significa Vale da Batalha. O nome é uma alusão ao lendário cacique da tribo de indios que dominava a região. Sua denominação original era Alto da Vila, depois Outra Banda e, desde 1760, Maranguape.

A população está estimada em 126.486 pessoas (IBGE/2017). Cerca de 90 mil residentes do Município pertence à religião Católica Apostólica Romana (Censo de 2010).

A cidade que brilha ao sol nascente é mãe de filhos ilustres como historiador Capistrano de Abreu, humorista Chico Anysio, líder abolicionista Elvira Pinho e de famílias tradicionais como Campos, Paula, Colares, Bessa, Câmara, Sombra, Correia, Cirino, Abreu, além de outras.
Devagarinho vou contar os hábitos do povo da cidade, apresentar os principais ícones, pontos turísticos, o artesanato, os artistas da música, os poetas, onde ficar, onde comer, mostrar algumas curiosidades e muito mais.
Agora vamos dar uma volta pela cidade?
____________________________________________________________________________________________
Paróquia Nossa Senhora da Penha vai completar 169 anos

No dia 8 de setembro de 2018, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha, localizada no Centro, vai completar 169 anos. Preserva em sua arquitetura traços neoclássicos e tem a peculiaridade de possuir dois santos padroeiros: a Padroeira Nossa Senhora da Penha e o Co-Padroeiro São Sebastião.
A história começa assim: em 4 de agosto de 1849, pela Lei Provincial de nº 485, o presidente Fausto Augusto de Aguiar extingue a freguesia de Messejana, transferindo sua sede para Maranguape e o vigário também, o Pe. Pedro Antunes de Alencar Rodovalho, primeiro vigário de Maranguape.
Contudo, a igrejinha sobre a proteção de Nossa Senhora da Penha , erguida no Século XIX pelo português Joaquim Lopes de Abreu para os momentos de orações dos moradores do Alto da Vila (na Outra Banda do Rio Pirapora), se encontrava em ruínas e foi demolida.
A ideia de construção da nova igreja provocou disputa entre os moradores da Outra Banda (lugar da anterior) e outros de melhor poder aquisitivo que arrastaram o novo templo para a sua banda – o atual local onde se encontra a Matriz. O conflito continuou com o nome do santo a ser invocado.
E assim, a imagem de Nossa Senhora da Penha foi transportada para a Matriz que já estava sendo construída à invocação de São Sebastião, devido às sucessivas pestes que atingiam a população.

A igreja recebeu obras de reformas ao longo do tempo. Vários vigários realizaram melhorias. O Padre Henrique Raulino Mourão, vigário de 1895 a 1899, mandou abrir arcadas entre o corpo da igreja e os corredores; construiu altares para Jesus, Maria, José e Nossa Senhora do Rosário e reconstruiu os da Imaculada Conceição e N. Sra. do Carmo. Também nessa época , obteve-se a retirada de um pequeno sobrado, que ficava ao lado esquerdo da Matriz, tornando-a mais ventilada. A compra do sobrado, sua demolição e a doação de seu espaço para a paróquia resultou de um consórcio de três ilustres homens públicos: Visconde de Cauipe, Cel.Joaquim José de Souza Sombra e Cel. Afro Tavares Campos.
O vigário Mons. Vicente Salazar da Cunha implantou o forro e o assoalho, construiu o altar de São Vicente de Paula, adquiriu o relógio e acrescentou o presbitério, a sacristia e um sótão.
O vigário Joaquim Gonçalves de Oliveira Rosa, o famoso Padre Rosa, que assistiu a comunidade de Maranguape de 1913 a 1934, remodelou por completo a matriz, rebocando e estucando o gesso, reconstruindo os arcos da capela-mor, dando uma feição artística ao altar principal e construindo altares para o Coração de Jesus e Coração de Maria.A imagem grande da padroeira (doação da paroquiana Rita Menescal) foi entronizada durante o seu vigariato .Outros vigários empreenderam melhoramentos na Matriz e aumentaram seu patrimônio, como o padre Bruno Teixeira, que adquiriu a Casa Paroquial e o padre Raimundo de Castro e Silva que construiu o Abrigo dos Pobres.
São Sebastião : Padroeiro na súplica popular

Em 1862, a epidemia de cólera fazia vítimas em Maranguape de modo súbito causando cerca de 60 a 70 mortes diárias. O povo, que preservava a tradição religiosa cristã católica, buscava a Deus e invocava São Sebastião, o guerreiro que sobreviveu aos ataques das flechas e que passou a ser associado às epidemias. A cidade ficou empestada e a população pedia a proteção do Mártir. No final do surto da doença infecciosa, São Sebastião foi entronado padroeiro de Maranguape na súplica popular.
O apóstolo dos mártires
Originário de Norbonne e cidadão de Milão, Sebastião foi um mártir e santo cristão, morto durante perseguição levada a cabo pelo imperador romano Diocleciano. O seu nome deriva do grego sebastós, que significa divino, venerável. Tornou-se defensor da igreja como soldado, como capitão e também como apóstolo dos confessores, daqueles que eram presos. Ele também foi apóstolo dos mártires, os que confessavam Jesus em todas as situações, renunciando a própria vida. Por causa de poderosa intercessão e incontáveis milagres, ele se tornou padroeiro de muitas cidades . No Brasil é celebrado com festas e feriados no dia 20 de janeiro.
As festas religiosas

As festas da Padroeira Nossa Senhora da Penha (setembro) e Co-Padroeiro São Sebastião (janeiro) são comemoradas com a procissão dos fiéis, onde o andor segue com a imagem dos santos pelas principais ruas da cidade, novenário e celebrações da Santa Missa. As noites são animadas com barraca de comida, música ao vivo, o clássico leilão de prendas doadas pela comunidade católica, e parque de diversão tradicional da festa, ainda como era no passado.

Coroinhas prontos para suas funções litúrgicas

No Largo da Matriz, a celebração da Santa Missa, após à Procissão

Cortejo no festejo de Nossa Senhora da Penha

Leilão: uma tradição na Festa dos Padroeiros
Agora você vai dar uma volta de 360º pela Igreja Matriz de Maranguape. Vem comigo!

Igreja Matriz na manhã de domingo

Os sinos falam. Os repiques anunciam festividades e acontecimentos. As badaladas nos elevam a Deus e preservam a memória da cidade

Ao sol poente, os balaustres do portão de entrada da Capela de Nossa Senhora de Fátima

Altar Mor da Matriz: coração da igreja. O mármore representa a Força e o Poder

Mosaico preservado no espaço da Pia Batismal

Símbolos do 1º Sacramento: a Vela, a Pia Batismal e o Quadro do Batismo do Senhor (1894)

Portal da Escada de Madeira que leva ao Coro da Igreja

Anjo no Altar Celestial: mensageiro entre Deus e o coração de nossa Criança Interior

Arcos das laterais: Via Sacra e Portas de Oração e Fé

A Perspectiva que leva aos Caminhos da Fé

Relíquia de Nossa Senhora da Solidade carbonizada por um Raio em 1903.Uma história que virou Século

Detalhes arquitetônicos

O sol nascente brilha na panorômica do Largo da Matriz de Maranguape
Fotos: Neide Nunes
Fonte:
Apostila Maranguape Evandro de Holanda Carneiro/Informações Web/Livro: Maranguape -Juarez Leitão/Material cedido pelo colecionador Sérgio Pacheco
____________________________________________________________________________________________
O Troc…Troc… do Trem
Você sabia que Maranguape já teve a sua estação de trem?
Quem se arrisca a entrar no túnel do tempo? Eu vou … e vou pegar o trem que sai para Maranguape, hahaha.
Lá vem o trem…
Piuí… Piuí. ..Maranguape entrou na lista da Rede de Viação Férrea logo que começou a ser construída a estrada de ferro de Baturité.
Foto de arquivo cedida pelo colecionador Sérgio Roberto da Silva
Nessa época a agricultura do município começou a produzir excedentes, o transporte usual para escoamento da produção (mulas e carros de boi) tornou-se impróprio para conduzi-la a Fortaleza, principal mercado consumidor.
Em 1875, o ramal de Maranguape foi aberto com uma linha de pouco mais de 7 km, ligando as estações de Maracanaú, no tronco com a cidade de Maranguape, fato que deu grande impulso à economia local. Em outubro de 1883, foi inaugurado o prédio da Estação da Rede Viação Cearense (RVC) sede Maranguape, projetado por Theodorico Filho e construído por Manoel de Vila Nova.

Foto de arquivo cedida colecionador Sérgio Roberto da Silva
Lá vem o trem! Lá vem o trem! A máquina era um marco do desenvolvimento. Atraía as pessoas da cidade que se vestiam com as melhores roupas para ver a sua chegada. A professora de história Edna Matos recorda o tempo em que seu pai trabalhava na cidade de Fortaleza e retornava de trem à noite. “Era uma alegria esperá-lo na estação” e com euforia conta a beleza dessa chegada. “A noite era escura, pois na cidade não tinha energia, mas a luz do trem fazia reluzir o chão de Maranguape nos fragmentos de bauxitas que caíam quando o vagão era descarregado.
A professora cita outra curiosidade. “A primeira cooperativa de algodão se instalou em Maranguape e era no trem que vinham para a cooperativa cargas do produto de varias regiões onde a cultura do algodão alavancava.
Partida de um trem de Maranguape conduzindoalgodão em pluma, pertencente à extinta firma Ribeiro&Barbosa (Foto de arquivo cedida colecionador Sérgio Robero da Silva)
Diariamente saía trem da Estação Central de Fortaleza para Maranguape . O trajeto era de 1h20min até os primeiros anos da década de 1960, quando o ramal foi suprimido pela RFFSA.
De início o trem chegava à estação de Maranguape e retornava a Maracanaú para manobrar e novamente ir a Maranguape. Com o surgimento do gerador as coisas melhoraram, mas com as locomotivas mais longas que não cabiam no gerador, foi preciso abrir uma enorme pera de reversão. Esta ficou até a desativação do ramal com o trem fazendo a grande volta e retornando.
Por volta dos anos 1950, com o surgimento de novas vias de transportes facilitando o tráfego rodoviário entre Maranguape, o sertão e o litoral, a Rede eliminou os trens cargueiros no ramal. O trem de passageiro permaneceu até 1963, mesmo ano que os trilhos do ramal foram arrancados. A estação construída no Século XIX ainda está de pé, abandonada e arruinada. Estive lá em visita com um grupo formado por representantes do IPHAN, arquitetos, alunos de arquitetura e técnicos da Prefeitura Municipal. Comprovamos o descaso. Enquanto outras cidades do estado resgataram o valor histórico das estações ferroviárias, ocupando os prédios com equipamentos culturais, Maranguape ignora a preservação e a importância desse patrimônio.

Curiosidades
O trem representou para Maranguape, no Século XIX, um meio de escoamento de sua produção e de intensificação do vínculo dos habitantes com a capital; incrementou o progresso por sua grande capacidade de transportar cargas e passageiros com segurança e em menor espaço de tempo. Em 02 de setembro de 1875, Maranguape recebeu pela primeira vez o trem em viagem de experiência e que teve resultado bastante feliz nos seus 7,2km de extensão. O comboio partiu da Central ao meio dia e com 54 minutos chegou a Maranguape com seus convidados e diretoria. Eles foram coroados de aplausos pelo povo da cidade.
Piu…Piuí… Cadê o trem? O trem que bordava o chão de Maranguape de Luzes? O trem passou. O apito de sua chegada ainda é lembrança na memória de muitos maranguapenses. O trem de chegadas e partidas, de sonhos e esperanças é inesquecível.
Fontes:
Informações Web/A história das Ferrovias/Livro: Maranguape (Edição Escolar) Juarez Leitão/Apostila Maranguape – Evandro de Holanda Carneiro/Jornal do Leitor -O POVO
Fotos atuais: Neide Nunes
____________________________________________________________________________________________
O clube de muitas gerações

A sociabilidade entre familiares e amigos. Este é o compromisso do Maranguape Clube, entidade fundado em 28 de novembro de 1955, época de ouro dos clubes sociais, por iniciativa de Alfredo de Abreu Pereira Marques com o apoio de 72 amigos. O Maranguape Clube fica na Praça Capistrano de Abreu, s/n.

O salão do tradicional clube foi palco de festas inesquecíveis, concursos de rainhas e bailes de carnaval, ainda vivos na memória de muitas gerações, que recordam com saudade, as emoções e alegrias da era de “Glamour”.

Já a quadra de esportes recebeu o nome de Sinfrônio Nascimento, inaugurada em 7 de setembro de 1956. A solenidade aconteceu às 9h nas presenças do governador do Estado, Paulo Sarasate, presidente do Maranguape Clube, Alfredo Marques, além de outras autoridades. Foi uma festa com realizaçao de jogos de voleibol (masculino e feminino),basquete e futebol de salão.

As ações do clube englobam os segmentos social, cultural e esportivo, difundindo e valorizando o espaço respeitado como o melhor clube de Maranguape. Em qualquer estação, o clube das crianças, jovens, adultos e das famílias de Maranguape, mantém o propósito de concentrar a versatilidade na essência de suas metas para realizar o atendimento de excelência aos sócios e clientes.

A agremiação promove os mais diversos eventos, tais como festas dançantes, aniversários, encontros, palestras, jantares, bailes de formatura, shows artísticos, culturais e confraternizações. Desenvolve também atividades desportivas com crianças e adolescentes oferecendo momentos de lazer, aprendizado e descontração.

Primeiros dirigentes:
Presidente: Alfredo de Abreu Pereira Marques; vice-presidente: Gerardo Paula e Leonan Onofre; secretário: João Edson Rola; diretor geral: Fábio Duarte; diretor de Finanças: Guido de Paula Colares; diretoria social : Antônio Câmara, Evandro Araújo, Francisco Colares, Miguel Câmara, Napoleão ima Lopes, Oséas Silva Braga, Raimundo Cavalcante de Sousa, Ramiro Antônio de Souza e Sebastião Fernandes Vieira.
Este ano de 2018, o Maranguape Clube festeja os 63 Anos de fundação. Conheçam os nomes dos presidentes que já passaram pelo principal clube da cidade:
Alfredo de Abreu Pereira Marques, Gerardo Paula, Antônio Câmara, Paulo Cirino, Francisco Façanha, Gotardo Bastos, Raimundo Matos, Antonio Cirino, Itevaldo Silva, Edgar Matos, José Eliomar Nunes Costa, Rita Bessa, Arlindo Girão Mota, Maria das Mercês, Ivan Mota, Antônio Silvio Nunes Costa. O atual presidente ,eleito para o Biênio 2018/2019 é Arlindo Girão Mota.
Que tal um “tour” pelo Maranguape Clube? Vem comigo, vamos matar essa saudade!
Fotos: Neide Nunes
____________________________________________________________________________________________
Solar do Sombra: ponto de partida da tropa para a Guerra do Trapiá
Edificação imponente de grande valor histórico e cultural. Está localizado Na Rua José Fernandes Vieira, Centro de Maranguape. Símbolo da opulência e do poder antigo. É reconhecido como a mais importante residência senhorial existente no Ceará.
A construção apresenta colunas espessas e alinhadas. A massa empregada nas colunas e paredes exteriores contém casca de ovo como ingrediente da argamassa. As salas e corredores internos lembram claustros com as portas e janelas ogivais. Dizem que o edifício foi construído sem planta e sem o acompanhamento de um arquiteto.
O prédio foi construído em meados do Século XIX por Joaquim José de Sousa Sombra. Ele foi presidente da Câmara Municipal e um dos autênticos patriarcas do Ceará. O solar testemunhou as mais importantes discussões da política local por todo o resto do Século.

Foi do Solar do Sombra que saiu a tropa que se envolveu no conflito conhecido como “Sedição do Trapiá”, no ano de 1914. Foi nele que se deu o encontro do primeiro movimento abolicionista do Brasil e do escritor romancista José de Alencar com o Príncipe dos Historiadores Brasileiros, Capistrano de Abreu.
No prédio funcionou uma farmácia para onde acorriam os portadores de males e pestes até as primeiras décadas do Séc. XX. Além de ter abrigado os herdeiros da família Sombra foi sede da Agência de Bordados Rabay & Cia (em princípios da década de 50 funcionado até meados de 70), da Cobal, loja de móveis e Caixa Econômica Federal. Hoje, o Solar pertence à iniciativa privada e está recebendo reforma com o propósito de sediar lojas comerciais.
Sobre a reforma conversei com o turismólogo e representante da Fitec, Alexandre Cabral e ele falou que a Lei do Patrimônio Histórico proteje a fachada dos prédios e não reza sobre a modificação na parte interna dos bens memoráveis. ” A reforma obedece as sugestões de intervenção no projeto original de arquitetura pelo Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico, Nacional (IPHAN), prestando toda orientação necessário para manter viável a preservação do patrimônio nessa fase de adaptação.
O Solar do Sombra é um bem tombado pela Lei Municipal Nº 1754/2003 e em processo de tombamento estadual.

Fonte:
Livro: Maranguape (Edição Escolar) Juarez Leitão
Informações Web
Site Prefeitura Municipal de Maranguape
Livro: Maranguape Ceará (Aspectos Histórico-Geográficos), Pedro Gomes de Matos (2ª Edição)
Apostila Maranguape – Evandro de Holanda Carneiro
Fotos: Neide Nunes
____________________________________________________________________________________________
A Praça Capistrano de Abreu fica no coração da cidade
Quem passa por ela não resiste àquela paradinha básica para um click com um sorrisão no rosto, porque quem manda é a beleza do verdão predominante do conjunto de árvores plantadas no logradouro. Estou falando da Praça Capistrano de Abreu, principal logradouro situada no coração de Maranguape. É o point de encontro de amigos, namorados, crianças, idosos, lugar escolhido para caminhadas, para uma boa leitura e relaxar depois de um dia puxado.

Em qualquer época do ano, a Praça Capistrano de Abreu chama atenção dos passantes que atravessam seus passeios, seja no tempo de florescimento dos Ipês amarelo, rosa e branco ou quando a Acácia Imperial (espécie de chuva de ouro) floresce dando sombra ao coreto de retretas, ou pelas florzinhas de jasmim brancos e do ipê amarelo que enfeitam o chão, proporcionando um visual encantador.

Além da estátua de Capistrano de Abreu há outra atração no espaço, uma escultura super famosa sentada no banco da praça. É a do gênio do humor, filho de Maranguape, Chico Anysio. De perna passada, nunca está sozinho, tem sempre uma boa companhia ao seu lado, ou de braço por trás do pescoço ou sentado no colo ou de cabecinhas juntas ou de selinho na boca. Rola muita criatividade para a foto do celular de quem vai levar a lembrança do sábio pra casa.

A Praça Capistrano de Abreu é um bem público, é uma testemunha da história e dos costumes do povo de Maranguape. Está encravada entre as ruas Major Agostinho, Coronel Manuel Paula, Dr. João Bezerra e Sinfrônio Nascimento. Para muitos habitantes, ela guarda a lembrança de bons tempos, da grande movimentação das quermesses na época das festas tradicionais dos padroeiros, das conversas alegres, do primeiro amor, da ingenuidade dos jovens que outrora desfilavam nos passeios internos, das retretas no coreto e dos belos jardins que enfeitavam os canteiros coloridos e cheios de vida.

Ela vive na companhia de alguns valores arquitetônicos que marcaram períodos, a exemplo do Solar dos Correias, Prédio da antiga Padaria Luzitana (hoje pertencente à Macavi) e antiga casa do Dr. João Bezerra (onde funciona a Fitec).

Tocando à história
A Revolução de 1930 colocou na Prefeitura de Maranguape um interventor. O prefeito que estava em exercício, Otávio Albino de Oliveira, não conseguiu completar o mandato e assumiu o Dr. João Augusto Bezerra, medico que há 14 anos clinicava na cidade.
Após reorganizar a administração, conforme convinha com os propósitos do movimento revolucionário, deu às ruas existentes , a arrumação que ainda hoje se preserva, mas o que marcou a sua administração foi a reforma da principal praça da cidade – a Praça Dr. João Pessoa. Era nesta que se situava a avenida, um longo passeio que se estendia da Rua Major Agostinho até a Rua Coronel Manuel Paula. Era ladeada por um coreto e um bar, além de frondosas mungubeiras, tamarindos e catolés.
O desafio que se apresentava ao interventor era grande. Do lado norte, a calçadas das casas eram irregulares e mais altas que o plano da Avenida. Houve necessidade de proceder a cortes e rebaixamentos, de forma a conciliar esses dois planos.
As obras da nova Avenida, agora com formato retangular, foram iniciadas em 25 de janeiro de 1931 e a planta é a mesma que ainda hoje está aí. Recebeu posteação e luminárias em harmonia com as que estavam em uso nos mais belos jardins de Fortaleza, além de iluminação feérica para a época.Um coreto, bancos de madeira com pés de ferro e arborização com fícus-benjamin completavam a beleza da Avenida.
Era preciso escolher um nome e Dr. João Bezerra inspirou-se num fato histórico recente: a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana, desencadeada em 5 de julho de 1922. O jardim tomou, pois, a denominação de Jardim 5 de Julho. Sua inauguração ocorreu na tarde de 23 de agosto, sete meses após iniciados os trabalhos. Depois recebeu o nome de Praça Capistrano de Abreu, um tributo ao historiador e filho ilustre.
Quem foi Capistrano de Abreu
João Honório Capistrano de Abreu – maranguapense que nasceu em Columinjuba em 1853. Foi a convite de José de Alencar para a corte, onde se destacou como historiador, professor de história. Lecionou em uma das escolas mais conceituadas do Rio de Janeiro: Colégio D. Pedro II. Um líder abolicionista que contribuiu muito para a abolição da escravatura. Foi reconhecido pela Princesa Isabel com a comenda da Abolição. Hoje é conhecido nacionalmente como o Príncipe da História do Brasil. O seu monumento na principal praça de Maranguape é uma homenagem da terra natal.
Fonte:
Jornal Avenida do Grupo Pró-Avenida
Material de arquivo do historiador Evandro de Holanda Carneiro
Vamos dar uma caminhada pela Praça Capistrano de Abreu?
Fotos: Neide Nunes
____________________________________________________________________________________________
Praça Francisco Colares está contornada de prédios históricos
“This is a beautiful square!” Tombada pela Lei nº 1278/96 de 3 de janeiro de 1996, a Praça Francisco Colares Filho fica bem em frente à Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, acho até que, por isso mantém o seu paisagismo ali sagrado. Está sempre verdinha, mesmo que não receba a manutenção necessária.

A Praça Francisco Colares é um dos caminhos certos para os que trabalham no Centro, quem vai e vem de ônibus para Fortaleza, dos fieis que buscam à igreja e das pessoas que querem sentar e relaxar um pouco entre a brisa dos coqueiros.

Privilegiada é, pois está contornada de prédios de expressivo valor histórico-cultural. Além da Matriz, outras edificações dão relevância ao espaço público como o Solar dos Correias, Escola Vicentina e o prédio da antiga Padaria Luzitana , que em breve sediará loja comercial.

No centro da praça está o busto de Francisco Colares Filho, um dos maiores incentivadores da indústria em Maranguape. Homenagem merecida pelo espírito empreendedor e por ter sido responsável pela geração de muitos empregos na cidade.

A Praça Francisco Colares é parada obrigatória de quem vem a Maranguape; é sempre o começo de um tour pela cidade; é o point dos grupos de pedaladas; é o pedacinho de Maranguape que vai de lembrança no “cell phone” e no coração de cada visitante.

Fotos: NeideNunes
____________________________________________________________________________________________
Solar Bonifácio Câmara herança que permanece de pé com soberania
Tão belo e com toda sua imponência deixa o corredor cultural cheio de charme. O “Sobrado do Bonifácio” como é popularmente chamado foi construído pelos escravos em meados do Século XIX, quando o café era o carro chefe da economia de Maranguape. A edificação, localizada na Rua Major Agostinho,490 –Centro, pertencia a uma das famílias tradicionais que dominava o cenário nacional de Maranguape.

Inspirado na arquitetura portuguesa, o prédio foi erguido para abrigar residência na parte superior e estabelecimento comercial no térreo.

Os descendentes da Família Bonifácio Câmara ocuparam o solar por mais de 30 anos. Depois deles, as instalações receberam mais dois proprietários que tiveram o privilégio de desfrutar do conforto das acomodações.

O sobrado ainda conserva os belos portais, assoalho em madeira, e quem passeia por dentro das instalações respira a história.

O prédio foi restaurado , mas suas linhas arquitetônicas foram conservadas. Em 30 de junho de 2000 foi inaugurado para abrigar a cultura de Maranguape.Suas portas estão abertas para receber a população, alunos e visitantes nos salões do Núcleo de Artes, Educação e Cultura (Biblioteca Pública e Pólo Capistrano de Abreu, referência no estado do Ceará como uma das bibliotecas com o melhor acervo.

O Solar do Bonifácio é uma herança que permanece de pé com toda majestade dos seus primeiros anos de construção. É um bem tombado pela Lei nº 1754/2003 de 16 de dezembro de 2003 de Proteção doPatrimônio Histórico, Cultural e Turístico do Município de Marnaguape -Categoria A.

Fontes:
Materialde arquivo historiador Evandor de Holanda Carneiro
Observatório Maranguape
Material arquivo Sérgio Roberto da Silva
Site Prefeitura de Maranguape
Fotos: Neide Nunes
____________________________________________________________________________________________
A Vila Azul mudou de cor
Bisbilhotar as histórias do século passado para contar pra vocês é uma das coisas mais gostosas que estou fazendo agora. Ainda mais quando se trata de valores típicos de uma cidade antes interiorana, hoje pertencente à Região Metropolitana, e que sobrevivem à modernização. Quem é de Maranguape sabe muito bem que entre as construções contemporâneas, acompanhando padrão sofisticado, resistem às pequenas e simpáticas vilas erguidas no passado por senhores que tinham uma economia bem construída.

Casas da Rua Domingos Façanha (Foto acima)
A Vila Azul, situada à Rua Dr. João Bezerra, de azul não tem mais nada. As cinco casinhas construídas no ano de 1946 estão coloridas, mas chamam atenção de quem passa por ali ou de quem sobe à serra, pelo ar interiorano e charme que guardam na sua fachada.

Casas da Rua Dr. João Bezerra (Foto acima)
O proprietário das gêmeas quíntuplas, como parecem ser, era o Sr. Luiz Fernandes que também construiu outras vilas localizadas na ruas Major Agostinho, Capitão Manuel Bandeira, Antônio Marques de Abreu, Domingos Façanha, Alto do Cemitério e Outra Banda. Elas tinham em comum um modelo de construção, predominando a simplicidade e foram edificadas para aluguel. Andei por três delas para saber dos moradores como se chamavam as vilas. As respostas é que todas as vilas recebiam o mesmo nome: “Vila Azul. Houve quem afirmasse ter existido a Vila Marrom,Verde e Roxa . O que posso dizer a vocês é que de todas, apenas uma das casas está hoje pintada de azul.

Casas do Alto do Cemitério (Foto acima)
As casas da Vila Azul na Rua Dr. João Bezerra receberam modificações. As duas janelas estreitas deram espaço a uma janela larga e o piso de tijolo foi trocado por outro de preferência do inquilino. Tudo em acordo estabelecido com o proprietário. As casas têm uma sala, dois quartos, corredor, sala de jantar, cozinha, dispensa, banheiro e quintal. O curioso é que atualmente ainda vivem nelas moradores antigos, com quase 70 anos debaixo do mesmo teto. O sr. João Lessa reside há 66 anos na Vila Azul e fala com carinho das famílias as quais compartilhou vizinhança. A Cilene vive há 64 anos e considera uma família os moradores que dividem as paredes das casas. Já a Salete com 40 anos de aluguel diz em tom de felicidade, “aqui todos ajudam uns aos outros”.

Casas da Rua Dr. João Bezerra (Foto acima)
As outras vilas preservam o mesmo estilo de portas e janelas da mesma época de construção. Enquanto os modernos aparts de edifícios residenciais individualizam as famílias, os vizinhos mal se conhecem e se encontram, as antigas vilas sustentam a cultura de solidariedade. A vida dos inquilinos andam em comunhão e em cooperação. É o que pude constatar ao conversar com cada morador.

Casas da Rua Cap. Manuel Bandeira (Foto acima)

Casas da Rua Antônio Marques de Abreu (Foto acima)
Fotos : Neide Nunes
See you later!!!!
_______________________________________________________________________________________
Casa em Maranguape abriga museu do humorista Chico Anysio

A casa onde nasceu Francisco Anysio de Oliveira Paula (Chico Anysio), na Rua Chico Amador, nº 68, abriga hoje o museu do humorista com um acervo constituído de coleções de caricaturas e de marionetes no estilo “puppet” de quase todos os seus personagens . A casa/museu está aberta à visitação pública de terça-feira a domingo, de 9h às 17h. A entrada é gratuita.

Visitei esta semana o museu para ver como está funcionando, pois acredito que é uma excelente opção para os turistas que vêm conhecer a “Chico City”. A casa fica localizada numa área bem próxima ao centro. Do portão de entrada, pode se apreciar a serra com toda sua beleza e quando eles se abrem, o cenário nos mostra uma casa com características de sítio ou fazenda: uma casinha branca de alpendre com portas pintadas de azul, um estilo bucólico e campestre que muito agrada aos nossos olhos.

O terreno é grande e cercado pela natureza. Os bancos de madeira embaixo das árvores nos convidam para sentar e olhar para a estátua do Pantaleão, um das figuras mais marcantes de Chico Anysio. Sabem o que é melhor de tudo isso? Respirar a brisa que balança das palhas dos coqueiros.

Por todos os lados percebe-se que a manutenção do espaço está precária. Observei pelo livro de assinaturas de visitas que o museu é bastante visitado e merece mais zelo. À esquerda da casa, parte do muro caiu e o chão está coberto de mato. Não existe proteção à direita do imóvel para maior segurança do acervo de valor que ali se encontra.

Entramos na casa onde nasceu e viveu até os 7 anos de idade Chico Anysio. O piso que era de tijolo, hoje é de cimento cinza precisando lixar e aplicar novo cimento. As paredes brancas estão úmidas e amareladas e o telhado muito sujo. O lugar onde está guardada a memória de um talento de Maranguape, referência nacional e internacional, autor de mais de 200 tipos, necessita de mais atenção por parte da Prefeitura Municipal que administra o bem.

A casa foi tombada pela Lei 1754/2003 e 16 de dezembro de 2003 do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico do Município. Toda a herança está distribuída pelos quartos e salas, constituindo-se principalmente de coleções de caricaturas, marionetes, capas de livros publicados por Chico, além de painéis com informações sobre a vida e as obras do humorista cearense.
Quem foi Chico Anysio
Filho de Francisco Anysio, dono de uma empresa de ônibus do Ceará e de dona Haidée Viana de Oliveira Paula. Nasceu em Maranguape no dia 12 de abril de 1931. Mudou-se para o Rio Janeiro com oito anos. Aos 16 anos frequentou programas de calouros onde ganhou diversos concursos. Ingressou no Curso de Direito, mas não concluiu. Foi humorista, ator de cinema e televisão, radialista, comentarista esportivo, escritor, compositor, pintor, roteirista e diretor de espetáculo. “Chico Anysio Show”, “Chico City”, “Chico Total” foram alguns de seus programas de sucesso. A Participação no “Zorra Total” foi um dos últimos trabalhos. Imortalizou personagens como Pantaleão, Alberto Roberto, Salomé, Painho entre outros. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 23 de março de 2012, vítima de uma infecção pulmonar. Parte de suas cinzas foram lançadas sobre Serra de Maranguape a pedido do humorista.
Faça um tour comigo pela casa onde nasceu Chico Anysio
Até o próximo post! Fiquem com Deus.
___________________________________________________________________________________________
Maranguape foi prioridade na construção da primeira maternidade do Ceará
Foi exatamente no quadrilátero das ruas Cel. Antônio Botelho, Capitão Manuel Bandeira, Cel. Manuel Paula e Napoleão Lima, onde está encravado o Maranguape Shopping Mall, inaugurado em 2015, que nasceu a primeira maternidade do interior do Ceará: a Maternidade Professor Olinto Oliveira. O hospital foi inaugurado simbolicamente em 19 de abril de 1942, em homenagem ao presidente Getúlio Vargas que comemorava aniversário.

Foto de arquivo cedida por Sérgio Roberto da Silva
Em 4 de setembro de 1944, a Maternidade de Maranguape passou a funcionar, atendendo gestantes e crianças carentes, que antes recebiam os serviços prestados pela Sociedade Auxiliadora do Serviço de Proteção à Maternidade e à Infância. Era um simples Posto Infantil operando em prédio da Prefeitura Municipal.
O médico da cidade, Almir Pinto, foi um dos maiores responsáveis pela conquista da maternidade, considerando a grande amizade que tinha com o Interventor Federal do Ceará, governador Menezes Pimentel. Ao receber a doação de 200 contos de réis do presidente da República, Getúlio Vargas, para a construção da primeira maternidade do Ceará, Pimentel destinou a verba para Maranguape. Outro fator preponderante para escolha do Município foi a proximidade com Fortaleza, o que desafogaria um pouco a Maternidade João Moreira, a única existente na Capital naquela época.
A Sra. Estela Bastos (100), dona de muita lucidez, foi por muitos anos responsável pelas Atas de reuniões da maternidade. Ela disse que durante seu funcionamento, a unidade contou com a colaboração e apoio de mulheres da sociedade, comerciantes e população que ofereciam materiais para melhoria da estrutura, apoio logístico e outras doações.O propósito era ajudar na manutenção da unidade . “Quando as demandas foram crescendo, o médico Almir Pinto trazia os alunos dos últimos anos da Faculdade de Medicina para praticar estágio”, enfatiza. Esse suporte aliviava o atendimento no hospital.

Créditos: Maranguape Fotos
Muitos foram os filhos de famílias maranguapenses que nasceram nos braços dos médicos e parteiras da Maternidade Professor Olinto Oliveira. Com o passar dos anos, surge a necessidade de ampliação do hospital. A fachada foi modificada e substituído o nome por Hospital Maternidade Dr. Almir Pinto, um tributo ao médico, político, e homem que muito fez por Maranguape. Posteriormente passou a atender como Policlínica Municipal Dr. Almir Pinto, ficando assim até os seus últimos dias.

Foto de arquivo cedida por Sérgio Roberto da Silva
A demolição do prédio que abrigou o hospital maternidade, ocorreu no dia 02 de setembro de 2010. A população lamentou, mas não lutou para evitar a destruição do bem que lhe pertencia, pois de acordo com pesquisas e informações de moradores mais antigos, ele estava fixado em terreno público, a antiga Praça dos Voluntários. A cidade perdeu um estabelecimento hospitalar afetando a capacidade de atendimento à saúde das famílias.
A Capela de Santo Antônio e de Santa Edwirgem

Fotos: Cleneide Nunes
Toda criança nascida na Maternidade Professor Olinto Oliveira teria que sair batizada, mesmo que depois os pais as levassem para oficializar a celebração do batismo na igreja de sua comunidade. Era assim que acontecia, conforme Estela Bastos. As Irmãs Capuchinhas administravam religiosamente o hospital e era uma ordem existir uma capela ali. “A capela por muito tempo ficou instalada em um pequeno quarto do hospital onde havia uma pia batismal e a imagem de Santo Antônio”, afirma Estela Bastos. O Pe. Raimundo de Castro e Silva ficou como administrador e o padroeiro aclamado foi Santo Antônio.
No ano de 1952 iniciou-se a construção da capela com endereço pela Rua Napoleão Lima pelo então prefeito Humberto Correia Mota. As obras ficaram concluídas em 1955, mesmo ano de inauguração. Meses depois chegou a imagem de Santa Edwirgem, mas a comunidade já celebrava a festa de Santo Antônio padroeiro e Menino Jesus como co-padroeiro, com quermesses e muita empolgação. Foi somente no dia 16 de outubro de 1965, que a imagem de Santa Edwirgem, protetora dos pobres, foi elevada ao altar principal como padroeira da capela, pela madre Edwirgem.
O destino da Praça dos Voluntários
Em 1914, a Praça dos Voluntários de Manobras, localizada em frente ao Prédio da Intendência, foi ocupada pelo primeiro estádio de futebol de Maranguape e era lá que as autoridades maranguapenses compareciam as partidas capitaneadas pelo intendente major Napoleão Lima. No final da década de 30, o local sedia um novo campo de futebol aberto a partidas até o início das obras de construção da Maternidade Professor Olinto Oliveira. A reforma e ampliação dá espaço ao Hospital Maternidade Dr. Almir Pinto transformado mais tarde em Policlínica Municipal Dr. Almir Pinto. Hoje, abriga um Centro comercial com três andares com o nome de Maranguape Shopping Mall com lojas, restaurantes, fast food, sorveteria, cinema, estacionamento, espaço infantil e escadas rolantes para facilitar o movimento de pessoas de um andar para o outro. O empreendimento está gerando emprego e renda para o Município.
É isso! Fiquem com Deus.
Fonte:
Livro: Fragmentos de um Passado .Autor: Almir Pinto;
Arquivo Sérgio Roberto da Silva com informações de Evandro Holanda Carneiro;
Entrevista: Estela Bastos (Secretária da Maternidade responsável pelo livro de Atas);
Livro de Tombamento de Capelas da Igreja Matriz de Maranguape.
___________________________________________________________________________________________
Padaria Luzitana: a gostosa lembrança do século passado
Quem de Maranguape viveu a era de ouro da Padaria Luzitana e não provou da crocante, gostosinha e pequenina Bolacha Piaba que estalava nos dentes? Difícil ouvir alguém dizer que não experimentou a preferida da cidade. O preço dava no bolso de todo mundo e por isso ela estava sempre presente na mesa do café juntamente com o pão nosso de cada dia, fabricado na panificadora do português.

Fotos de arquivo: Sérgio Roberto da Silva
Joaquim Frutuoso foi um “portuga” que ergueu no centro de Maranguape, a Padaria Luzitana, localizada na Praça Dr. João Pessoa com fundos para a Praça Coronel Sombra. Um prédio com seis portas para a Praça Dr. João Pessoa, nove portas fechadas por alvenaria olhando para a Praça da Matriz e uma porta central acessível às duas praças ao mesmo tempo. O endereço era ideal para uma paradinha obrigatória, principalmente para os fieis que saíam da igreja depois da missa.
Ele chegou aqui com sua irmã e o cunhado. Instalaram o negócio , empregaram cidadãos da terra e botaram a mão na massa. Como toda panificadora, o pão era o carro chefe , mas as bolachas, biscoitos e rosquinhas salgadas eram outras opções ofertadas à clientela.
O português empreendedor que veio de longe foi adquirindo sua estabilidade econômica com a fabricação de massas alimentícias. É nessa época que bate a porta da empresa, um menino de 12 anos de idade, vindo do mesmo país europeu. Theóphilo Teixeira das Neves consegue uma vaga na panificadora, que mais tarde se tornaria sua propriedade.
Theophilo era muito dedicado às atividades e por isso, se tornou o empregado e amigo de confiança do patrão. Ele mantinha-se atento a tudo e não deixava ninguém desperdiçar o tempo que tinha para garantir a produtividade e qualidade do produto.
O tempo passa e o Senhor Joaquim Frutuoso, já sentindo-se cansado, com idade avançada , resolve voltar para Portugal. Escolheu Theófilo para dar continuidade ao projeto. Depois de tanta insistência, já casado com a Sra.Maria Gonzaga das Neves, resolve aceitar a proposta e bota o negócio pra frente. Theóphilo compra a Padaria Luzitana com todas as suas dependências, acessórios, benfeitorias, maquinário, móveis e outros pertences . “ Tudo que ganhas tens que guardar alguma coisa”, era o que repetia sempre Theóphilo. E foi assim que construiu um grande patrimônio. Se tornou um dos homens mais rico de Maranguape ,dono de muitos bens na sede, Tangueira, sítios na serra e vilas de casas em Fortaleza.

Fotos arquivo: Sérgio Roberto da Silva
O português gostava de ajudar aos pobres e costumeiramente fazia doações de pães para o presídio. Foi ele quem doou terreno para a Igreja de Nossa Senhora da Penha construir o prédio onde hoje funciona a secretaria da Matriz. Outro presente de grande valor histórico religioso foi a imagem de Nossa Senhora de Fátima, vinda de Portugal, que se encontra na capelinha ao lado da igreja.
O homem que gostava de leituras, bem informado, não teve filhos, mas ajudou a muitos pais de família com o seu empreendimento. Morreu em 03.05.1946 deixando viúva a mulher Maria Gonzaga das Neves. Após seu falecimento, a Padaria Luzitana foi arrendada a um outro português, seu irmão Josué Teixeira de Abreu, que já trabalhava na panificadora.
Alcancei a administração do Sr. Josué, um homem branco, forte, de óculos com lentes graúdas, lento, calado, parecia ser tranquilo, mas trocava figurinhas com clientes que passavam por ali e puxavam conversa. Ficou tão conhecido na cidade que o povo só fazia referência à Padaria Luzitana como Padaria do Josué.
Nessa época, o sistema era quase delivery. Padeiros percorriam as ruas centrais com cestos cheios de manhã cedo e à tarde. O Sr. Antônio Padeiro, um homem moreno baixinho e íntegro, morava perto de nossa casa e tinha a freguesia certa na Rua Major Agostinho. “Padeiro” era assim que ele anunciava a sua chegada às duas da tarde. Assim também fazia o Sr. Batata, homem comprido, pernas longas e passos infalsos que passava cedinho e o Sr. Joaquim , de pele branca rosada, mais conhecido como português.
Falar da Padaria Luzitana vem à tona boas lembranças. As vitrines recheadas com pães, bolos mole, de batata, confeitados, maria maluca, suspiro e outros doces que davam água na boca. Outra memorável recordação era esperar pelo pão da primeira fornalha nas madrugadas, quando encerravam os grandes bailes de carnaval do Maranguape Clube. Atire a primeira pedra quem da geração passada não viveu essa emoção?
Com o desaparecimento do Sr.Josué, a padaria passou a ser administrada pela filha Zilô e mais tarde pelo neto André , que manteve as portas abertas ao público até as 23:45h do dia 31 de dezembro de 2006”. Em breve , o prédio da Padaria Luzitana, tombado pelo Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico do Município, Lei nº 1754/2003 de 16 de dezembro de 2003, será reaberto como ponto comercial. No momento passa por reforma, obedecendo às normas de preservação. Pertence atualmente à Rede Macavi.
E quando as portas do prédio se abrirem, a única certeza que temos é que não veremos mais as Vitrines Doces, a Balança Filizola, os Cestos de Pão, as Prateleiras de Biscoitos, as Roscas de Goma e de Pão. #tbtpadarialuzitana.

Fotos: Neide Nunes
Foi tudo o que consegui garimparrrrrr.
Fonte:
Entrevista com familiares Theóphilo Teixeira, Selma Mesquita, Lúcia Mesquita
Entrevista com André(último administrador)
Serviço de busca Cartório Paula Costa – Colaboração Fátima façanha
____________________________________________________________________________________________
Mais de 500 pessoas participaram da V Caminhada do Agricultor
Olá gente! Agosto chegou, que todos vocês tenham muitas alegrias, nada de pensar na fama de que agosto é o mês do desgosto. Agosto comemora o Dia dos Pais, Dia do Estudante, Dia Nacional das Artes, Dia Mundial da Libertação Humana, Dia Mundial da Fotografia, Dia do Folclore e muitas outras datas que não dá para citar agora, porque quero contar pra vocês como foi passar uma manhã super especial ao lado dos agricultores de Maranguape.

Acordei cedinho, cedinho. Parti às 6:30h com destino ao distrito de Amanari, pois não queria perder a V Caminhada do Agricultor, evento organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Agricultura Familiar – Regional de Maranguape, para comemorar o dia do trabalhador do campo. Pegamos uma estrada não muito boa, mas a paisagem era de tirar o fôlego, parecia pintura. Os vales verdes contracenavam com mata seca e um lindo céu azul de poucas nuvens lentas.
Fomos os primeiros a chegar ao local marcado para a saída da caminhada. Não demorou muito para os agricultores, acompanhados de suas mulheres trazendo crianças de colo e outras agarradinhas na mão, ocuparem a pista. A equipe organizadora distribuiu chapéu de palha para todos os presentes e quando o sol já estava esquentando, a caminhada saiu em direção ao Parque Rio Verde. O carro de som tocando “Triste Partida”, retrato da alma nordestina na voz de Luiz Gonzaga, chamou atenção de quem estava nas portas das casas e do comércio. It was great!
Uma festa bonita para homenagear aquele que prestigia o nascer do sol, que produz o alimento que vai para a mesa de todos nós, que utiliza o solo para as plantações, que se enche de orgulho pelo que produz, visto como um dos principais motores da economia do país. Mais de 500 pessoas da agricultura familiar alegraram o Parque Rio Verde, celebraram a vida e o trabalho com as palavras de fé do Enilton, interagiram e trocaram figurinhas com amigos de várias regiões.
Se estou falando de agricultura familiar não é novidade dizer que foi um encontro de muita fartura! Um lanche de muitas frutas nas mesas: banana, mamão, melancia, melão; café com bolos, beiju e batata doce. Para a refeição, panelas grandes de arroz, feijoada, farofa de cuscuz, pirão e cozido de carne com muitos legumes.
O Itamar Cavalcante, agricultor da Forquilha, cheio de vaidade, disse que herdou a profissão do pai e hoje a família dele trabalha no campo plantando milho, feijão, fava, jerimum. “Vendemos para os moradores da região e consumimos em casa”, assinala com toda felicidade do mundo.

Para o presidente do Sintraf Regional Maranguape, Wilson Nascimento, comemorar o Dia do Agricultor é demonstrar a valorização do profissionais, torná-los cientes de que eles têm o seu dia especial, evidenciar o quanto são importantes por gerarem vida e alimento para sustentar a população do país. Então, se Deus fez o agricultor para arar, semear, colher e alimentar o mundo, agradeçamos ao Divino pela vida dos homens do sertão, que encaram o sol sem ter medo de queimar a pele e se alegram quando cai a chuva e molha o chão.
O Dia Nacional do Agricultor, 28 de julho,foi instituído a partir do centenário de criação do Ministério da Agricultura, pelo Decreto 48.630 de 7 de julho de 1960.O presidente Juscelino Kubitschek foi quem assinou a Lei, acreditando serem os agricultores os principais responsáveis pelo crescimento econômico do Brasil.
Mais flashs
Fotos: Neide Nunes
Bye!!!
Sigo caminhado por aí…
___________________________________________________________________________________________
O difícil caminho de volta do Balneário Pirapora Pálace
Quem lembra dos finais de semana em Maranguape nas décadas de 70 e 80, tempos em que funcionava o Balneário Pirapora Pálace? Era uma das melhores opções de lazer dos maranguapenses, que atraía turistas, hospedava artistas e recebia muitos visitantes da Capital e outras cidades vizinhas. O empreendimento funcionava como um atrativo turístico que movimentava a economia, gerava emprego, renda e dinamizava a vida da cidade.

Foto: Neide Nunes
O Balneário Pirapora Pálace foi inaugurado oficialmente em 1972. Cercado pela natureza, entre o barulho de quedas d’água, estava o conjunto arquitetônico formado por um bloco de apartamentos (cerca de 122) e mais quatro apts. duplos( presidenciáveis), restaurante, piscinas, campos de esporte, salão social com TV, parque infantil e um encantado bosque com piscina de água natural. O empreendimento, maior do Nordeste, de Jose Alcy Siqueira, orçado na época por um bilhão, se tornou uma das maiores atrações turísticas do Estado nos anos 70. Os visitantes e hóspedes pertenciam uma classe de elite. O acesso era praticamente restrito à sociedade de Maranguape, porque como outras estâncias, o balneário tinha os seus critérios, o seu regulamento, os sócios de carteiras e nem todas as famílias possuíam condições de usufruir do hotel de lazer.

Foto cedida por Paulo Roberto Neves
O auge do balneário foi exatamente na época em que nós, jovens e adolescentes, dávamos tudo pra viver um sábado e um domingo nas bicas, cascatas, cachoeiras da serra, opções de lazer que estavam a nossa disposição. Nossa escolha não era só para se deliciar nas águas geladas, onde se podia tomar aquele merecido banho, mas essencialmente, pegar um tom bronzeado. Isso era o máximo da moda. O banho de sol influenciava nas roupas e queríamos nos sentir bonitas pra exibir na praça a cor dourada da pele. Uma temporada de juvenilidade e longe ainda de se falar dos riscos da superexposição ao sol, efeitos e perigos da radiação solar.

Foto: Imagens do Google
Ah, se eu fosse buscar depoimentos de pessoas que guardam boas lembranças do Balneário Pirapora Pálace, iria encher muitas páginas do site. O lugar traz lembranças de férias inesquecíveis, alguém guarda recordação da noite de núpcias, tem gente que ainda sente o cheiro da mata na subida da serra; a imagem do piano do Salão Principal ainda está estampada na memória de um amiga, as piscinas azuis e o cheiro de cloro, a boate, a sauna, os banheiros muito limpos, a pedra que pulava para cair na piscina do bosque, as festas promovidas, a visita do cantor Márcio Greyck, sucesso dos anos 70, a vinda do humorista Renato Aragão, a passagem do cantor Gilberto Gil por lá, e tantos outros eventos que culminaram ali. Só reminiscências da juventude que jamais serão apagadas da memória. Aqui foi só um abraço às boas lembranças, revivendo toda felicidade já vivida. Viremos à página e voltemos à história.
Em 1982, dez anos depois de inaugurado, após uma seca que durou cinco anos, o Riacho Pirapora secou e o hotel enfrentou um período de decadência. Acabou cerrando suas portas.
A reativação do balneário aconteceu com o Clube de Diretores Lojistas. Foi uma das metas da 1ª gestão de Paulo Roberto Neves (1988/1989), atrelada à ideia de preservação da serra, para que Maranguape desenvolvesse seu potencial turístico. Na época, estava em discussão à localização do Hotel Escola do Governo do Estado e a Autarquia da Região Metropolitana de Fortaleza (AUMEF) havia elaborado um projeto muito dispendioso para o Pirapora. “Quis demonstrar que a restauração e preservação arquitetônica do projeto original era viável”, disse Paulo Neves. Mas os projetos municipais, voltados para o resgate do artesanato e feira de comercialização, não alavancaram e não foram mantidos como geradores de fluxo, bem como as questões de infraestrutura e proteção ambiental.
“Ainda, na tentativa de conquistar o Hotel Escola para funcionar no prédio do balneário, criamos a Mapetur Empreendimentos Turísticos e uma agência de turismo que explorava o Circuito Maciço do Baturité, abrangendo 11 municípios no roteiro, iniciando sempre às sextas-feiras em Maranguape com animação turística noturna e compras no mercado aos sábados pela manhã”, acrescentou Paulo Neves. Mas a decisão do Governo do Estado recaiu em Guaramiranga.
No ano de 1989, o balneário é reinaugurado. Ele desperta colocando em pleno funcionamento uma das nove alas do primeiro pavimento, com 14 apartamentos. A mobília foi arrematada, pois pertencia ao San Pedro Hotel de Fortaleza, que havia paralisado suas atividades no Centro, devido à chegada dos hotéis na Av. Beira Mar. Na condição de co-proprietário, Neves coordenou a associação dos minoritários e por ter sido nomeado administrador do incorporador, José Alcy Siqueira, colocou à disposição dos clientes serviços de eventos, bar e restaurante. Depois executou a restauração de outras quatro alas desincorporadas, totalizando 56 apartamentos, onde cerca de 20 funcionavam como flats.
As dificuldades encontradas foram as mesmas que determinaram a interrupção em 1982: escassez e desvio de água do leito do Riacho Pirapora, carência de capacidade elétrica instalada, ausência e promoção turística no Município, agravada com as dificuldades de acesso resultante de dezenas de quebra molas no percurso de Fortaleza e dentro de Maranguape.

“Nós superamos tudo isso com criatividade, agindo com promoções e realizando congressos N/NE. Assim, fomos mantendo o hotel até o ano de 1991”. Nesse decorrer, surge uma proposta comercial do empresário Omar do Carmo, que inclusive era hóspede mensalista do Pirapora Hotel de Serra . E a transferência do cargo para o empresário ocorreu em 1992. Seis meses depois, por falta de consenso entre o novo administrador e o incorporador José Alcy, o Pirapora Hotel de Serra paralisou suas ações definitivamente. Vale ressaltar que no auge da fama, o “ Balneário Pirapora Pálace” recebeu dois prêmios internacionais de hotelaria e turismo da América do Sul.
Com a implantação do Plano Municipal de Turismo, na administração do ex-prefeito Marcelo Silva, surge uma nova luz no fim do túnel para reavivar o balneário, mas a impossibilidade de reunir os vários proprietários e a falta de harmonia entre os acionistas com maiores cotas, foram os gargalhos que impediram as discussões e a tomada de decisão, que viesse favorecer a volta do equipamento.
Atualmente, o Balneário Pirapora Pálace, uma estrutura de grande potencial para abrigar um empreendimento, está em situação de decadência e abandono. As instalações foram invadidas por grupos, pelo cupim, pelo mato, pelo descaso, pelas pichações e pela ocupação irregular.

Foto: Neide Nunes
Hotel Balneário Pirapora
O Hotel Balneário Pirapora nasceu na década de 30. O autor do projeto original foi Emílio Hinko, arquiteto que desenhou também grandes obras arquitetônicas do século passado, a exemplo do Edifício Excelsior, no centro de Fortaleza. Construído dentro da floresta era um dos pontos turísticos mais bem frequentados de Maranguape. Sua inauguração se deu em 04 de março de 1937. Associaram-se ao empreendimento Francisco Sabóia , José Moacir Bezerra e Robert Braquehais. A cerimônia de inauguração contou com as presenças do presidente da Assembléia Legislativa , Dr. César Cals de Oliveira, prefeito Municipal Paulo Campos Telles, e representantes da imprensa da capital. A benção das instalações foi dada pelo monsenhor José Quinderé e para falar em nome dos proprietários foi convidado o farmacêutico, Pedro Gomes de Matos.

Foto de arquivo de Sérgio Roberto da Silva (autor não identificado)
O Hotel Balneário Pirapora era constituído por alguns chalés, que posteriormente foram substituídos por um hotel ainda rústico que resistiu até os anos 60. No final dessa década iniciaram a construção do Balneário Pirapora Pálace, que por muito tempo se tornou uma referência de lazer para o povo de Maranguape, cidades adjacentes e capital.


Foto: Clóvis Acário Maciel (cedida por Paulo Roberto Neves)
Demais fotos: Imagens do Google
Gente, eu confesso que vi tudo isso acontecer ,mas não me dei conta do futuro. Nunca pensei que um dia poderia sentar para escrever essa história com tanto constrangimento. Saber que aquele prédio glamouroso e que cintilou nos anos 30 e 70, está agora ofuscado, se perdendo no meio da floresta e do tempo, quando na realidade poderia ser o elemento chave para o desenvolvimento do turismo de Maranguape.
Vou ficando por aqui. Quem sabe um dia, né !!!!! Como diz Renato Russo “ Mas é claro que o sol vai voltar amanhã, mas uma vez eu sei…quem acredita sempre alcança…”
Until next post!!!!
Fontes:
Livro: Maranguape Ceará (Aspectos Históricos-Geográficos) Pedro Gomes de Matos (2ª Edição)
Livro: Maranguape (Edição Escolar) Juarez Leitão
Entrevista: Paulo Roberto Neves
Entrevista: Ex-prefeito de Maranguape Marcelo Silva
Entrevista: Zezé Mendes, Mena Nunes, Selma Mesquita, Tácia Braga, Clébia Nunes, (frequentadoras do Balneário)
____________________________________________________________________________________________
Maranguape comemora a Festa da Padroeira Nossa Senhora da Penha
“Tradição é Tradição”. Esse Chavão toma conta das ruas de Maranguape quase todos os dias, em bom e alto som, pra anunciar festas e propagandas comerciais. Mas hoje vou empregar “Tradição é Tradição” para falar da Festa da Padroeira de Maranguape, Nossa Senhora da Penha, que teve início dia 29 de agosto e prossegue até o próximo dia 8, com novenário e missa campal.

A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha completou 169 anos no dia 4 de agosto. Este ano, os festejos são animados com a participação das famílias, escolas, instituições e pastorais, convidados pelo pároco Pe. Eudásio para assumirem a liturgia e parte social. A iniciativa é louvável, porque vem proporcionando um reencontro das famílias, maior integração, e união dos fiéis.

O tema da festa de Nossa Senhora da Penha em 2018 é “Na partilha da vida e de bens faremos à diferença” e o lema “Sal da terra e Luz do Mundo”.

A noite do dia 31 de agosto foi da Associação Beneficente Nossa Senhora da Penha (ABNSP), a qual fazemos parte, Colégio São José, Escolinha Mundo da Criança e Associação Deusas da Mama. Das outras noitadas fazem parte as famílias tradicionais de Maranguape: Nobre, Leite, Braga, Colares, Bessa, Pinto, Teixeira, Castelo, Vasconcelos, Madeira Barros, Fialho, Silva, Lima, Bezerra, Cordeiro, Mariano, bem como o Lions e Prefeitura.

Compartilhamos nossa alegria com a comunidade, engajados na celebração e momento social. Montamos a barraca de comidas e estivemos juntos no habitual leilão. As prendas foram doadas por paroquianos, amigos da ABNSP, pais e professores das escolas e de pessoas aliadas às Deusas da Mama.

Os colaboradores da igreja ficaram responsáveis pelas vendas na barraca da comidas típicas e iguarias como: baião de dois, paçoca, vatapá, creme de galinha, galinha caipira, salgadinhos, canja, cocada, bolo, salada de verdura e lasanha, refrigerante e água.
Para gritar o leilão convidamos o Dedé Lopes e para animar com música ao vivo, o Chiquinho Nunes no seu teclado. Foi uma noite bem acolhida. Coisas que acontecem com muito fervor nas cidades mais afastadas dos grandes centros urbanos.
Uma conterrânea chegou à cidade neste sábado, ela, Maria Norma Colares de Serra, uma poetisa, e deixou escrito em uma folha de papel:
“O DIA AMAnhã-É-SEU BONITO.
OXALÁ OS VENTOS SOPREM A FAVOR DA VIDA.
ENCONTREI MARANGUAPE EM FESTA, NO SÁBADO DE ONTEM. A PRAÇA DA MATRIZ COLORIDA DE GENTE E O SOM DA FÉ CRISTÃ TROANDO NO CORAÇÃO DO (S) PRESENTE(S).
VIVA NOSSA SENHORA DA PENHA!
VIVA! VIVA! VIVA!
UM BOM DOMINGO MINHA GENTE!”
Uma linda homenagem, vinda do coração, de quem valoriza a Terra onde se encontram fincadas as suas raízes.
A programação do encerramento dos festejos no dia 08 de setembro será marcada por uma missa solene às 9h e depois um café partilhado. Às 18h – procissão saindo da Igreja Matriz; 19h – Santa Missa com o pároco Pe. Eudásio e logo após, show de prêmios, cuja cartela ainda está à venda no valor de R$ 10,00. Os prêmios são: 1º prêmio: uma moto; 2º prêmio: uma TV Led; 3º prêmio: um microondas; 4º prêmio: um fogão e 5º prêmio: uma bicicleta. Quem estiver no local terá chances de participar , ainda, de sorteios extras.

A Igreja Matriz de Maranguape Nossa Senhora da Penha já iniciou a campanha para as comemorações dos seus 170 anos em 2019. Vai ser uma grande festa e se Deus quiser estaremos juntos para colaborar.
Então , até lá, porque a fé está no ar !!!
Flashs
____________________________________________________________________________________________
Desfiles de escolas marcam o Dia da Independência em Maranguape
Gente pra lá, gente pra cá. O vento sopra vozes de jovens para dentro de nossas casas. O barulho de tambores é um convite para sair à porta. Sou moradora da Rua Major Agostinho, corredor cultural e passarela de grandes eventos. Há muitos anos ela fica assim no tradicional desfile do Dia da Independência. É uma das principais ruas do Centro, palco de paradas cívicas, desfiles estudantis, cortejos dos foliões e dos blocos do Pré-Carnaval de Maranguape.

Festejar 7 de Setembro faz parte do calendário de atividades da cidade. É um momento para relembrar a data histórica da Independência do Brasil, mas é também um dia de encontros das escolas, das bandas de fanfarras, dos ex-alunos e de gente que retorna à cidade de origem para abraçar parentes e assistir a “marcha” ; recordar o dia em que desceu o “alto da Major Agostinho” ao toque dos tambores , dos trompetes, liras e ao som dos dobrados. Aí , na timeline, vem a lembrança das luvas brancas nas mãos, das boinas, dos cabelos penteados no salão de beleza e dos trajes de destaques, porque sempre foi assim e ainda é assim mesmo que acontece .
As cadeiras dos moradores das ruas adjacentes chegam muito cedo e ocupam as pontas das calçadas. Ficam lançadas por cordões para o vento não levá-las para longe ou não serem despejadas dali. As mesas para vendinhas de água, refrigerante e cerveja são postas ao lado das árvores para garimpar a sombra de suas copas. Elas também ficam presas a fios, enquanto seus donos assumem o negócio.
Ao meio dia começa o ruge-ruge. Alunos fardados vão e voltam. O público da parada cívica, principalmente os pais que vão prestigiar seus filhos, vai chegando para não perder o lugar mais visível e melhor acomodação. A cidade se movimenta e é muita energia que aquece a Major Agostinho no dia 7 de Setembro.
A marcha começa na hora marcada,15h, e é a Banda Municipal Maestro João Inácio Fonseca, referência cívica, cultural e social da cidade, que abre alas. E quando ela aponta no alto , já tem muitos fãs esperando para ver a banda passar tocando dobrados de arrepiar.
Em seguida, descem as entidades e escolas com os porta-bandeiras , escudo , bandas de fanfarras e corpo estudantil, apresentando ao público o seu grito de independência, focados no projeto educacional, mostrando as experiências através das artes, ciências e da história.
A cada hora que vai passando vai aumentando o fluxo de pessoas na rua. São os espectadores da festa do Dia da Pátra no Corredor Cultural, na Praça Capistrano de Abreu e na Rua Coronel Manuel Paula, final do trajeto, desde os tempos do Colégio Santa Rita (das Irmãs do Amparo), e Anchieta, antigos estabelecimentos de ensino da cidade que formalizaram o desfile cívico em Maranguape.
“Eu lembro muito bem das alunas do Santa Rita em dia de desfile , ostentando a farda de gala, boina, luvas alvejadas e novas, carregadas por uma baliza que vinha na frente com um mastro na mão, exibindo coreografias com muita performance. Era sempre uma menina bonita, bem vestida e treinada para dar passos e gestos de um bailado. Interessante que essa figura permaneceu fora dos desfiles por muitas décadas, e voltou com força nesse Século XXI. Um pouco diferente, num balé hiperbólico, que muitas vezes chama atenção de grupo de pessoas que está ali na plateia e expressa gritos de desaprovação com zombaria e deboche. O fato atinge às redes sociais, desqualificando de certa forma o evento comemorativo. Na minha opinião , as escolas deveriam ser mais cautelosas nesse critério. Menos é muito mais, pois afinal de contas o desfile de 7 de Setembro é um ato cívico que comemora um marco importante para a história do País.

São quase cinco horas de desfile, envolvendo escolas municipais, do estado e da rede particular de ensino, bem como projetos e entidades, a exemplo do Lions e APAE . Durante todo esse tempo, o público tem a seu dispor tudo o que ele possa imaginar e o que nem pensou em consumir na rua. A maçã do amor é a estrela que brilha na passarela e agora vem acompanhada da uva, banhadas de mel vermelho com sabor aromatizado de morango. O algodão doce pink, branco e agora azul passeia pelas calçadas nas mãos de seus vendedores. A festa é também da economia local.
O vendedor de água grita: “ é só um real”. Lá vem o homem da geladinha, do queijo assado; lá vai a moça passando com dois sacos cheios de roscas e bulinhos de goma congestionando a calçada; balas, brinquedos para crianças, bandeirinhas do Brasil, balões metalizados em formatos de coração e cara de personagens infantis. Todos os produtos atravessam de um lado para o outro procurando o seu consumidor. No final da comemoração da independência, a rua está clamando pelos garis da limpeza ou pelos catadores para recolher os descartáveis.
A marcha militar é quem encerra a programação. O público espera os homens do Exército e aplaude o grupamento que pisa forte na avenida na companhia de seus instrumentos , cães farejadores e veículos motorizados usados no dia-a-dia. Fiz várias fotos, mas quando abri os arquivos, percebi um grande número de pirulitos da propaganda política. Preferi não usá-las, mas os militares desfilaram bonito e foram bastante ovacionados pelo público.
Gente, é assim o Dia da Independência em Maranguape. Uma grande festa como poucas cidades do Estado vivencia. O evento culmina com as comemorações da Padroeira de Maranguape Nossa Senhora da Penha. Portanto, são celebrações que juntas se fortalecem. Essa tradição nunca vai acabar. Eu acredito.
Mais flashs PRA VOCÊS
Fiquem com Deus!
____________________________________________________________________________________________
Paróquia de Maranguape encerra festa da padroeira
Nossa Senhora da Penha e o povo de Maranguape agradece ao pároco, Pe. Eudásio, pelo compromisso assumido na Festa da Padroeira Nossa Senhora da Penha. As comemorações se encerraram no dia 8, com muito brilho, participação dos católicos, envolvimento das famílias, pastorais, grupos de jovens e entidades. Foram nove noites de celebrações eucarísticas, cânticos, animação social com o tradicional leilão, barracas de comidas típicas, bingos e sorteios.

A caminhada ao Horto, onde está à estátua de Nossa Senhora da Penha, foi realizada na manhã do dia 8. A saída dos fieis para a peregrinação foi às seis da manhã. Para prestar homenagem à santa, eles subiram mais de 400 degraus que levam até a estátua. O lugar poderia ser um ponto do turismo religioso, tem uma vista linda, mas não está recebendo os cuidados e a manutenção necessária, bem como o atendimento à segurança.
A missa celebrada às 9h na igreja matriz reuniu muitos católicos e logo após , no Salão Paroquial aconteceu o Café Partilhado. Às 18 horas, a procissão percorreu as principais ruas com a imagem de Nossa Senhora da Penha num andor carregado por homens, alternando por ser uma estrutura muito pesada.
Entre as folhas verdes, flores amarelas e brancas decoravam o andor formando um o círculo, um sol, onde foi a imagem de Nossa Senhora foi posta.

A missa de encerramento foi celebrada no patamar da igreja. Os católicos de Maranguape lotaram a praça. Foi um tempo especial e muito importante para elevar a fé do povo devoto da Padroeira.
“Na partilha da vida e de bens faremos à diferença”, foi o tema da Festa da Padroeira nesses 169 Anos da Igreja Matriz, e o lema foi “Sal da Terra e Luz do Mundo”.
Fiquem com as bençãos de Nossa Senhora da Penha.
____________________________________________________________________________________________
Mercearia O Careca: um patrimônio da cidade
A arquitetura colonial brasileira com intervenções do modernismo formam hoje a faixada alta do prédio. O visual é imponente, mas despercebido pelos passantes da Rua José Fernandes Vieira, onde está instalado. O interessante é que o pavimento térreo desse imóvel nunca está vazio de gente, pois é lá que funciona uma das mercearias mais a A mercearia faz parte das lojas que ficam na área externa do Mercado Municipal de Maranguape.

A mercearia faz parte das lojas que ficam na área externa do Mercado Municipal de Maranguape. Ela resiste aos anos com seu estilo à moda antiga competindo com as redes de supermercados varejistas existentes no perímetro. O tradicional estabelecimento tem de tudo um pouco, carrega a história e leva vantagens no nome MERCEARIA, orginalmente charmoso e que ganha apreciação de empreendedores contemporâneos, inspirados no estilo de moda retrô, uma nova tendência no mercado dos negócios.

Já se vão 51 anos de trabalho do Sr. Raimundo Jerônimo de Araújo, 83, popularmente conhecido como Raimundo Careca. Um homem alvo, de óculos, sério, mas um grande contador de histórias. Quando fala sobre o seu comércio é como se estivesse vendo todo o passado a sua frente. Natural de São Miguel, Rio Grande do Norte, traz no sangue o jeito de ser merceeiro. Chegou em Maranguape em 19 de dezembro de 1959 e foi trabalhar como ajudante dos irmãos. O próprio negócio abriu em 1º de janeiro de 1967. A placa feita de papel, escrita em pincel azul, com a data de registro da firma nos órgãos competentes, está exposta na prateleira para todos os fregueses conferirem.

É um comércio simplório e bonito de se ver. Tudo funciona como nos tempos em que não havia tecnologia. As prateleiras de madeira, que já ultrapassaram o século, estão lá com produtos de consumo, alimentos, artigos de higiene, enlatados, bebidas e outros itens de uso doméstico. O cofre grande, de aço, é bem antigo está lá por trás do balcão dividindo o espaço com o proprietário e o ajudante. Não tem quase nada moderno, além da geladeira, uma TV fechada no alto da parede, um banner com a foto do dono e uma pequena máquina de calcular coberta com uma toalhinha, nota-se que é pouco utilizada.

O balcão de madeira, pintado de cinza, exala cheiro de rapadura e o freguês pode escolher entre a tradicional rapadura sem coco, com coco, preta, amendoim e até de mamão. Uma cesta cheia de alho, uma balança Filizola antiga (muito bem conservada), garrafas de mel, maços de papéis para embrulhar as compras e um rolo de cordão. Tudo isso ocupam o restante do espaço. Uma exclusividade da mercearia é a embalagem. Nada de reinventado, mas do mesmo modo que se embrulhava no século passado com o papel envolvendo a mercadoria, que vai para a casa do comprador amarrada por um cordão, dado o nó . Acho isso o máximo!
É na Mercearia O Careca que encontramos o melhor mel de abelha italiana, mel de cana. A farinha que vem de São Miguel do Pará é primeira. Meu pai era consumidor fiel da mercearia. Não queria farinha de outro canto, a não ser do Sr. Raimundo Careca. Levei para casa, rapadura e mel de cana para por sobre o inhame cozido, um costume que temos em casa.
Arroz, feijão, farinha, milho, açúcar são outros gêneros que o cliente tem a seu dispor na Mercearia O Careca. Retirados dos sacos, com uma concha de alumínio, os produtos são vendidos a granel, oferecendo ao consumidor a opção de levar apenas a quantidade que ele precisa. Um jeito bem antigo de se vender, mas ainda bem comum nas portas de mercados.
O Sr. Raimundo Careca está sempre atento aos seus clientes. A nossa conversa se deu entre um despacho e outro. Por nenhum instante, ele se perdeu no troco e nas contas feitas de cabeça. O dono da mercearia conhece os fregueses da cidade e os que vêm de longe. Pois é, outro lucro certo que fica no bolso do Sr. Raimundo Careca é a amizade firmada.

Cerca de 500 pessoas passam pelo venda diariamente. “Abro as portas de segunda a segunda, a partir das 7h. Aqui são 13 horas de serviço corrido. O almoço vem de casa e é aqui mesmo que faço minha refeição”, disse. Perguntei se a mercearia foi sua única fonte de renda durante toda vida . A resposta foi SIM. O negócio deu para formar as duas filhas e manter a casa. Só depois de 35 anos de contribuição ao INSS é que entrou outra renda para ajudar no sustento do lar.

“Nunca fiquei com nada de ninguém. O que deixam no balcão fica no balcão até o dono vir buscar e aqui não falta gente”. Ele contou um episódio ocorrido com o Sr. Francisco Desidério, morador de Sapupara. O homem deixou a carteira no balcão e quando voltou dias depois recuperou seus pertences. Coincidência demais, o Sr. Desidério apareceu bem na hora que estávamos conversando e confirmou a honestidade do vendedor.

A Mercearia O Careca é uma das mais fotografadas pelo seu estilo antigo. Com orgulho diz que já foi entrevistado por canal de TV como o homem de mais idade que continua no trabalho. “Tenho a cara dura, mas fazer amizade comigo é fácil, basta entrar aqui com respeito”.
O comerciante de 83 anos não pensa em ficar em casa tão cedo e pela cara, está longe de trocar a mercearia, que já faz parte do Patrimônio da Cidade, por uma poltrona. Que Deus lhe dê vida longa Senhor Raimundo Careca com toda essa coragem que tem.
Bye! Vou continuar contando mais histórias a minha moda. Fiquem comigo!
Passeando pela mercearia

____________________________________________________________________________________________
A Paz nasce no coração da gente
O mundo inteiro pede Paz. A paz é hoje um sonho coletivo. A violência avança nas grandes cidades, elimina vidas de jovens e destrói os bons hábitos das famílias que não abrem mais suas portas e nem colocam suas cadeiras nas calçadas. Esta semana acompanhei, na Praça Capistrano de Abreu em Maranguape, o encerramento simbólico da 5ª edição do Festival Um Canto de PAZ, realizado pela Trupe do Riso e pela Associação Um Canto de Paz. O evento cultural celebrava o Dia Internacional da Paz, 21 de setembro, com feira de expositores, intervenções artísticas com a participação dos Brincantes Cordão do Caroá, seguidas de show gratuito. O acontecimento se deu em parceria com a ONG Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico.
Várias atividades foram promovidas no período de 12 a 21 nas cidades de Fortaleza e Maranguape, entre sarau de poesia, roda de conversas, feira e show. E o melhor de tudo foi Maranguape ter sido a cidade escolhida para o show de encerramento do projeto, no Dia Internacional da Paz! O palco ficou iluminado por luzes coloridas e pelas grandes estrelas da música cearense como Lorena Nunes, Davi Duarte, Dênia Carvalho, Marcus Caffé, Adelson Viana, Dona Zefinha, Tailândia Montenegro, o conterrâneo Manassés de Sousa e a dupla Mariah e Clarinha. Eles não só cantaram, mas deixaram a sua mensagem de Paz e Amor através da música. A noite foi de poesia também representada pela Vila dos Poetas. Uma reflexão para a construção da paz.
A artista, produtora cultural e idealizadora de “Um Canto de Paz”, Dênia Carvalho, disse que o projeto é uma semente que vem sendo regada de Paz, transmite um recado fraternal através das religiões, da música , da poesia e do diálogo. “A Paz se faz dentro de nós, tratando bem as pessoas, com respeito, aos poucos transformando o mundo num mundo melhor.
A realização do show da paz em Maranguape foi oportuna para o lançamento do (MOMVIVA) – Movimento Maranguapense Vida Viva: Por uma cultura de Paz. O objetivo é sensibilizar e realizar ações com a sociedade maranguapense, intencionando a cultura de paz. É isso gente. Esperança e coragem para mudar.
Vou terminar com um pedacinho da música de Nando Cordel,
Paz pela Paz
“A paz do mundo começa em mim.
Se tenho amor, com certeza sou feliz.
Se faço o bem ao meu irmão, tenho a grandeza dentro do meu coração…”
Bye!
________________________________________________________________________________________
A memória do casarão cor de rosa da Major Agostinho
Olá amigos! A cidade de Maranguape está de parabéns neste 17 de novembro, por isso vou presenteá-la no aniversário de 167 anos com o post de uma das mais belas casas e mais bonitas histórias de uma família que trouxe turistas para a cidade, gerou emprego e renda com o artesanato na arte do bordado, e prestou valiosa contribuição à educação na escola pública de Maranguape.
O atraente casarão cor de rosa fica no cruzamento da Rua Major Agostinho com Coronel Afro Campos. Nesse entroncamento, nos deparamos com outros pomposos prédios como o Solar Bonifácio Câmara, a Sociedade Artística e a antiga residência dos Mouras. Juntos formam um cenário espetacular com a natureza, desenhada na gigante e imponente serra, oferecendo uma aprazível paisagem a quem observa do nascente para o poente.
Por muitas décadas, o casarão de nº 500 permaneceu vestido de branco, a cor que os proprietários preservavam nas paredes bordadas da fachada. A habitação apresenta uma mistura de estilos; tem caráter de estância com características do Período Colonial. Outro estilo aparente é o Neoclássico notado nas balaustradas e colunas. A figura das conchas e as ondulações na fachada foi ideia de Dona Nair , um jeito de validar sua paixão pelo mar. Até hoje, a residência eclética atrai olhares curiosos, encantando muita gente que passa em frente e fica pestanejando como se planejasse a futura casa dos sonhos.
A morada que o senhor Jeová Matos, funcionário público federal, e dona Nair Matos, mulher de prendas domésticas, escolheram para acomodar a família foi adquirida no ano de 1949 da Congregação de Nossa Senhora do Amparo, Ordem Religiosa com sede em Petrópolis. Eis aí, a primeira sede do Colégio Santa Rita com pretensão para administrar o curso infantil. As poucas irmãs do convento não tinham condições de dar cobertura às responsabilidades da ampla casa. A decisão da madre Serafina, responsável pela Ordem, foi de vender o imóvel para o Sr. Jeová por quase 90 contos. Antes das freiras, a mansão pertenceu ao Sr. Luiz Tibúrcio Cavalcanti, que comprou do chefe politico de Maranguape, coronel Antônio Botelho, que obteve à residência através do Sr. Manoel Alcântara Uchoa, que adquiriu o imóvel em julho de 1936, ainda em obras. Simone lembra de um fato curioso que lhes deram a certeza do período de construção da casa. “Durante obras de reforma encontramos uma garrafa de Capivarol enterrada num dos cômodos da propriedade . Dentro, um papel todo enrolado.Quando tiramos, estava a data que ela foi erguida: ano de1876 ”. Antigamente era um hábito costumeiro enterrar objetos de valor. Estão curiosos para saber onde a garrafa se encontra hoje ? “Voltou para o mesmo cantinho”, asseverou Hélvia.
Erguido numa área de 743 metros quadrados, o casarão construído de tijolo e telhas, tem cinco portas avarandadas de frente, olhando para o nascente; é alpendrado pelo lado do norte e possui um portão de ferro que serve de entrada. Árvores frondosas e frutíferas como a mangueira e goiabeira e a construção de uma fonte de água bem no meio do jardim, deixam o ambiente aconchegante e fresco. Os balaústres de cimento armado são um charme. Por suas brechas permitem que atravessem os olhares entusiasmados de quem quer descobrir os segredos ali guardados. O muro se estende até a Rua 13 de Maio, mas parte dele foi demolido para a construção das casas das filhas, Guaracy, Simone e Hélvia.
Muitas histórias de afeto, construção e sucesso brotaram de dentro do domicílio da Família Cavalcante Matos, uma das tradicionais de Maranguape. As 10 filhas enveredaram pelo lado da Educação e deram incomensurável colaboração às escolas públicas. Unidas, somaram forças ao trabalho da matriarca, que fabricava as mais belas e finas peças bordadas em artigos de cama, mesa e banho. As românticas camisolas de filó, enfeitadas com rococó, eram também uma marca das Confecções RIAN, Nair ao contrário. Um negócio que cresceu no pavilhão industrial, edificado nos fundos do imóvel, e que deu impulso ao desenvolvimento econômico da cidade. As peças saíam para todos os estados do Brasil e eram exportadas para Colômbia, Ásia e Coréia. Diariamente vinham da Capital, ônibus e táxis com turistas, gente nova para conhecer a cidade e comprar o artesanato de luxo, feito por mãos de fadas, ou melhor, pelas mulheres bordadeiras de Maranguape. A geração de emprego e renda estava plantada dentro da mansão. “Vendemos muito. Era impressionante”, diz Hélvia Matos.

Vou contar uma boa e doce recordação do dono da simpática residência, o mais conhecido vovô Jeová. Homem alto, pele clara, usava uma bengala para apoiar-se. Acredito que um hobby seu, após aposentadoria, era o passeio que fazia pelo centro comercial e Praça Capistrano de Abreu todas as manhãs e tardes. Assinava ponto sentado na calçada ou do lado de dentro dos balaústres com os bolsos e mãos cheias de balinhas para mimar as crianças que passavam pela rua. Era assim todos os dias e a meninada fazia questão de estender a mão quando via o vovô dos bombons, das balas softs e do refrescante piper, lembro muito bem disso.
Como moradora da Major Agostinho posso dizer que vivi grandes momentos de minha infância debaixo desse teto. Era na casa da Dona Nair que tínhamos a permissão de assistir aos programas da TV preto e branco, porque o aparelho que era novidade ainda não estava ao alcance de todos. O período de férias era uma festa só com a chegada dos netos que moravam em Juazeiro do Norte e na Capital. A casa ficava iluminada e nutrida de meninos. Ali, criávamos brincadeiras e alimentávamos sonhos como andar equilibradamente em cima do parapeito da casa, escorregar no corrimão dos batentes da entrada principal, brincar de esconde esconde, 31 Batido…

Dona Nair, a dona do casarão era uma mulher de fibra. Mãe forte, poderosa e empreendedora. Católica, cumpria seus dias de missa com o terço e um livrinho na mão. Era assim que descia o alto da Major Agostinho para ir à igreja. O véu de renda na cabeça era imprescindível. Sua beleza chamava atenção. Fez da elegância o cartão de visita de sua vida. Abriu as portas de sua propriedade para os ensinamentos religiosos, através das aulas de catecismo ministradas pela filha Edna. Fui uma de suas discípulas na preparação para o 1º Encontro com Jesus Cristo – minha Primeira Comunhão. Com o apoio de Dona Edna, a família cedeu espaço no galpão da fábrica para as reuniões do nosso grupo de jovens denominado JUSM (Jovens Unidos Servindo Maranguape). Os ensaios das músicas que seriam cantadas nos dias de sábado, na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, também aconteciam ali. Dona Edna nos acompanhava nessa missão.

A casa rosada ou casa da Barbie como muitos a chamam carinhosamente hoje, é um lugar de muitos sonhos sonhados, muitas conquistas e muitas vidas compartilhadas. Que essa narrativa contada à base de feeling, fique guardada PARA SEMPRE, na memória de todas as gerações de Maranguape.
De acordo com a família o imóvel não é tombado pelo Patrimônio Histórico da cidade.
Fontes:
Entrevista com Hélvia, Simone, Guaracy e Edna Matos;
Pesquisa de Busca no Cartório Paula Costa
Consulta a arquiteta Nivea Lopes
Material de arquivo do colecionador Sérgio Silva (Golinha)
Agradecimentos a todos e à Fátima Façanha (funcionária do Cartório Paula Costa)
____________________________________________________________________________________________
Festa de Santos Reis encerra ciclo natalino
Quando chegam os meses “BRO” , a gente logo se anima para as festas de Natal e Ano Novo. As casas ganham reforma e pintura nova e para aquele cantinho que está faltando uma peça inovadora, há sempre um jeitinho econômico no bolso para dar um toque especial na decoração e deixar o espaço com outro visual. É assim em quase todas famílias. A expectativa é também para ver a cidade iluminada, as praças e prédios decorados, as vitrines inpiradoras das lojas com espírito de natal. Tudo se enche de amor.
A empolgação maior é na hora de enfeitar a casa para celebrar o nascimento do menino Jesus, montar a árvore de Natal com bolas coloridas, douradas, prateadas, montar o presépio, espalhar Papai Noel por todos os lugares, fazer arranjos de mesas e por as toalhas com motivos natalinos. Um super clima para quem ama esse ciclo. Eu pelo menos adoro fazer tudo isso . Respiração para a vida. O ar de festa invade a casa. E como é bom fazer da vida uma festa!
Pena que os dias se passam rápido. Chega janeiro e com ele, o dia de desmontar toda decoração de fim de ano no dia seis (6), Dia de Santos Reis ou Dia de Reis . De acordo com a cultura católica, a data é lembrada como o momento que Jesus Cristo recebe a visita dos três Reis Magos, Gaspar, Belchior e Baltazar, que levaram presentes especiais como a Mirra, Ouro e Incenso, por isso a tradição de todo Natal as pessoas presentearem familiares e amigos do coração. Ainda conforme o período litúrgico da igreja era exatamente nesse dia que se encerrava as festividades de Natal.
Mas quem pensa que o dia seis não é festejado ao redor do mundo está enganado. Países como Portugal, Itália, Espanha cumprem um ritual especial e no Brasil acontece a Folia de Reis, Reisado ou Festa de Santos Reis. Maranguape, nossa terrinha, mantém viva a tradição católica. Todos os anos sigo o grupo da Maria Cleuzes, que sai pelas ruas no dia 5 e entra pela madrugada do dia 6 tirando o reisado. Este ano acompanhei os jovens do Grupo de Oração Tronco de Jessé que, de porta em porta, visitaram as casas do centro da cidade e bairro da Guabiraba.

Os brincantes da tradição popular saíram pelas ruas com roupas coloridas, coroas na cabeça e com os instrumentos musicais entoando versos e canções referentes ao reisado, pedindo prendas e fazendo louvações aos donos das casas. O Boi de Reis foi a figura que também chamou atenção, dançando por entre os participantes.
A Dona Edna Santiago, 70, acompanhou o grupo e deu o tom da caminhada com sua sanfona. Claro que não podia faltar o pandeiro, o zabumba, o som agudo do triângulo e a alegria da turma quando uma porta se abria com muita bondade para oferecer o presente de Reis.
A Clicia desde criança participa desse folguedo do ciclo natalino. “É uma felicidade pra mim estar aqui pelo fato de ser o meu grupo de oração que está hoje à frente da manifestação em Maranguape. Me sinto feliz de trazer mais pessoas para fazer parte da tradição da cidade e de juntos podermos celebrar o Dia de Santos Reis”.
As prendas arrecadadas pelo Grupo de Oração Tronco de Jessé na Folia de Reis serão destinadas à Festa de São Sebastião, Co-Padroeiro de Maranguape, e ao “Cairós” – 1º Retiro do Grupo, agendado para este mês de janeiro.
O Grupo de Oração Tronco de Jessé conta atualmente com 50 membros. São jovens e adultos da Paróquia de Nossa Senhora da Penha (Maranguape), que há seis anos estão unidos ,colaborando com as festas dos padroeiros da cidade, participando de ações litúrgicas, além de outras missões. Os encontros acontecem nos sábados, a partir das 18h, na sede do Centro Pastoral.
Parabéns meninos por manterem viva uma das tradições populares mais ricas e apreciadas do folcore brasileiro!
FELIZ ANO NOVO PRA VOCÊS!
Bye! The next post!
_________________________________________________________________________________
As mil e uma faces da Major Agostinho
O tema desse post já foi premiado com milhões de acessos nas redes sociais. Sua fama se espalhou ao redor do mundo com o bordão “Arrasa na Major” da digital influencer, Camila Morgana. Estou falando da Rua Major Agostinho, uma das principais do Centro de Maranguape. Ela é também chamada de “Corredor Cultural” por abrigar , de uma ponta a outra, prédios históricos patrimoniais que mantêm suas portas abertas para a arte e à cultura.
A Major Agostinho homenageia o notável e revolucionário Agostinho Pinto de Queiróz, nascido no Estado do Rio Grande do Norte e que combateu Pinto Madeira na fronteira com o Ceará. Está situada paralelamente a duas outras importantes e conhecidas ruas: Coronel Manuel Paula e 13 de Maio. A vista de quem está na Major Agostinho é uma das mais bonitas. Dá para buscar inspiração na beleza da atraente serra verde, superparecida com um enorme tapete de parede, felpudo, disposto na posição vertical, fechando o caminho.
Duas ladeiras e dois quarteirões planos . É essa a sua cara. Na “Rua do Alto” residem moradores antigos como Dona Helena Mesquita, Edite Cavalcante, Julita, e na casa da esquina, Nega e Nem, herdeiras do tão conhecido Pedro Chofer (in memoriam). A via é comprida. Atravessa as ruas Napoleão Lima, Capitão Manuel Bandeira, Coronel Afro Campos, Dr. João Bezerra e Domingos Façanha. É bem por aí onde ela se encerra.
A rua é arborizada com Pau Branco, Nim e Jambo. Se é tranquila? Nem tanto. De acordo com as normas de trânsito é via de mão única onde é permitida a passagem de veículos no sentido subida, mas mesmo assim registra intenso fluxo de carros circulando até altas horas. O que mais incomoda aos moradores é a imprudência, o excesso do limite de velocidade numa rua residencial, estreita e que serve de estacionamento para fregueses e clientes de bares e restaurantes instalados nas ruas adjacentes.
O passado e o presente caminham juntos na Major Agostinho transportados na preservação da arquitetura colonial dos prédios tombados, na influência portuguesa das casas de azulejos e na arquitetura contemporânea das moradas que recebem reformas, do comércio que avança com restaurantes, pizzarias, lanchonetes, academias e salões de beleza.
Uma rua de casas conjugadas, de pessoas solidárias onde um vizinho bate na porta do outro; uma rua onde se preserva o velho hábito de colocar a cadeira na calçada para botar conversa em dia; uma rua de muitos passantes, caminho certo de quem vai para a missa aos domingos, de quem sai para fazer compras no centro comercial, de quem quer passear na Praça Capistrano de Abreu e por onde passa o grupo de reisado. Uma rua de poucas crianças, de muitos adultos, de senhoras com mais de 80, como Dona Ilca Santos, com mais de 90, como Maria Nunes, Helena Mesquita , dona Maria Façanha, dona Elha e de gente com mais de 100 anos, como a Dona Estela Bastos, todas moradoras clássicas do pedaço.
Não é nenhuma Rua da Fama, mas foi cobiçada para a morada de personalidades que deixaram marcas no Município pelas suas contribuições na religião como o Monsenhor Mauro Braga Herbster; na medicina – Dr. Argeu Herbster e Napoleão Lima Lopes; nas artes – Antonio Bayma; no bordado artesanal – Nair Matos; na política – Cel. Antônio Botelho (deputado e presidente da Assembléia do Estado), deputado estadual José Mário Mota Barbosa e prefeitos Dr. João Bezerra, Manoel Severo Barbosa, Humberto Mota, Alcindo Mota, Marcelo Silva e Eduardo Gurgel.
A Rua Major Agostinho do Cinema Maragoa, do Teatro Pedro Gomes de Matos (que nada mais resta), da Artística Maranguapense, do Solar do Bonifácio Câmara, passarela dos desfiles cívicos de 7 de Setembro, das passeatas de estudantes, trajeto das procissões e roteiro de visitas dos grupos de turistas é a avenida frenética dos foliões dos blocos Papangus, Fantástico, Arroxo e outros e dos trios elétricos do Pré- Carnaval de Maranguape. É também por ela que nas datas comemorativas do Município, a Banda de Música passa tocando marchas, dobrados e coisas de amor. A rua da diversão, da adrenalina, da sensação de liberdade, dos saltos, das manobras radicais dos meninos de patins e skates é a rua que a Auto Escola treina os exercícios de subida de ladeira e retorno dos solicitantes da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Salve! Salve!
De verão a inverno, a rua tem a sua funcionalidade peculiar, isso porque a meninada e até gente grande não resiste num dia de chuva grossa, o banho debaixo da boca de jacaré da casa de azulejo e da Artística. Uma brincadeira que já vem de longe e se repete de geração em geração. Difícil é encontrar alguém da área que não viveu essa aventura.
Ela não tem o Cristo Redentor atraindo turistas e decorando a ponta da serra, mas está abençoada com a presença de Nossa Senhora das Graças na admirável “Casa Verde”, localizada no cruzamento com a Capitão Manuel Bandeira. A parada é obrigatória de quem passa cedo para o trabalho pedindo bênçãos por um dia feliz, de quem volta cansado agradecendo a graça do retorno em paz e de muitos transeuntes que adotaram o hábito de orar ali, na calçada da casa.
É na Major, cruzamento com Cel. Afro Campos , que podemos apreciar o encontro de quatro belos prédios disputando os distintos valores arquitetônicos, um de frente para o outro, cenário perfeito para books das meninas que não dispensam fotos. E é nesse mesmo trecho que na ponta dos pés, a bailarina exibe talento e equilíbrio, na hora que o sol vai se escondendo devagarinho, às quatro da tarde, e numa performance espetacular toca com leveza o coração desenhado na serra pelo astro rei .
A Major Agostinho não é a rua mais linda do mundo, mas é tão deliciosa de se morar quanto o algodão doce e a maçã do amor que descem e sobem as ladeiras, atraindo olhares , despertando desejos, colorindo as calçadas e pistas nos dias de festas.
Quem ainda não “Arrasou na Major”? Durval Lelys do Asa de Águia, Chiclete com Banana , Xandy Avião, Kilvia Titara (minha bailarina preferida) já deixaram suas estrelas por aqui. Daqui a poucos dias quem vai estrear é a cantora Claudia Leitte . Ela vai comandar, com muita energia e vibração no Bloco Arroxo, o Pré-Carnaval de Maranguape. Essa é a Major Agostinho onde vivemos a infância brincando de correr nas calçadas, de amarelinha, de esconde-esconde, pega pega, corda, três três passará, berlinda, jogo de pedra, cantigas de roda, bandeira, futebol, voleibol no meio da rua. Viver sem medo de ser feliz. Era assim a vida na Major.

Termino deixando um pensamento pra você que me lê: “A alegria não está nas coisas, está em nós”. Seja muito feliz!
Tchau, tchau. Até breve!
Colaborador: Professor e historiador Joelcio Alves (Informações sobre Major Agostinho).
___________________________________________________________________________________________
Paróquia de Maranguape festeja co-padroeiro São Sebastião
Muitos fieis acompanharam a imagem de São Sebastião pelas ruas de Maranguape no último dia 20, Dia de São Sebastião. Os católicos percorreram um trajeto bem diferente do tradicional caminho das procissões, fazendo um zigue-zague por ruas que nunca tinham recebido a visita dos santos padroeiros, como as ruas Antônio Marques e 7 de Setembro. O cortejo faz parte da programação de encerramento dos festejos do co-padroeiro. Logo após, houve a missa celebrada pelo Pároco, Pe. Eudásio, e seu colaborador, Pe. Ivan. O arreamento das bandeiras de São Sebastião, Maranguape e Ceará aconteceu depois da cerimônia eucarística.
A festa do co-padroeiro São Sebastião deu início às comemorações dos 170 Anos da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, aniversário que será oficializado em setembro durante os festejos da padroeira. O tema “Por uma igreja missionária, profética e servidora “ e o lema “Não tenha medo eu venci o mundo” foram enfáticos nas nove noites de encontro dos paroquianos. É mais de um século e meio evangelizando a população, motivo mais que justo para comemorar ao longo de todo este ano com a proposta missionária, e por isso já estão agendadas as Santas Missões Populares nas comunidades da Paróquia no período de 14 a 22 de julho.
Super,Super!!! Assim foi a festa de São Sebastião. Novenário, celebrações, parque de diversão, barracas de comidas, bingo e sorteio, música ao vivo e o tradicional leilão com muitas prendas. A Noite dos Anos 60,70 , 80 e a Noite do Macarrão foram as novidades. Podem ter certeza que superaram às expectativas. Os dias festivos foram um tempo de muito envolvimento das comunidades, pastorais e movimentos da igreja, que ficaram responsáveis pela parte social.
Sabem o que não faltou todos os dias do novenário? O famoso pout-pourri do Padre Eudásio: “Louvado seja o criador…”, “… mas tudo isso é muito bom, agradeça ao criador… aleluia, aleluia, aleluiaaaa…”; “Põe a mão na boca, na cabeça, na orelha, no dedão do pé…dá uma rodadinha, dois pulinhos, dá um abraço no seu vizinho…”; “Viva São Sebastião, viva São Sebastião, que no meio daquela gente desumana resolveu ser um cristão…”; “ A benção Sebastião, o teu povo te abraça, tu vens em missão de paz… a benção Sebastiãooooo…” . Se a sequência musical cansa a uns, outros são contagiados pela descontração, espontaneidade e alegria do pároco de estar louvando, glorificando, elevando as mãos e cantando ao Senhor.
Sou daquele tipo de gente que ama estar no meio das tradicionais festas de padroeiros. É um momento especial e grandioso para renovação e amadurecimento de nossa fé; um tempo para alimentar a esperança e um tempo de graça; é sobretudo, um tempo que possibilita agradável confraternização com as famílias, comunidade, com os frequentadores e visitantes da cidade. Viva São Sebastião!!!
Fiquem com Deus e São Sebastião!
See you later!
_______________________________________________________________________________________
A arte e a cultura se eternizam na história da Sociedade Artística
Em terra de muitos artistas o que não pode faltar é casa com portas abertas para deixar a cultura entrar e brotar pelas paredes. A Sociedade Artística Maranguapense, construída como obra de emergência à grande seca de 1877/79, nasceu com o seu destino maravilhosamente traçado. Após esse fenômeno natural causado pela escassez das chuvas que atingiu Maranguape, o prédio sediou escola pública e ao longo dos anos sua função maior foi abrigar a educação, a cultura e a arte, oportunizando aos talentos da terra mostrarem seus trabalhos e performance. A Artística está situada na Rua Major Agostinho, esquina com a Travessa Coronel Afro Campos .
O imóvel incorporado à Lei 1754/2003 de Proteção do Patrimônio Histórico, Cultural e Turístico do Município é um significativo exemplar da arquitetura colonial do Século XIX. A edificação térrea construída de tijolo e telha, tem na sua fachada principal (frente), uma porta e duas janelas; na lateral, pela Travessa Cel. Afro Campos, existem mais 10 portas, nove janelas e mais 11 falsas janelas.
Hoje, a Sociedade Artística faz parte do Corredor Cultural. Fica no mais belo cruzamento da Major, disputando beleza com o Solar Bonifácio Câmara, Residência da Família Matos e da Família Moura herdada pelo Sr. Luciano Mesquita. A Artística funciona com um pequeno teatro público, possui um salão de espetáculo com capacidade para cerca de 130 pessoas, palco teatral , assentos acolchoados, espaço de bastidores, camarim e banheiros (masculino e feminino). Dispõe ainda de uma recepção e uma sala de música – lugar de ensaios da Orquestra Municipal. Se está precisando de manutenção? Mais que urgente minha gente. E quanto à programação cultural,em outras épocas foi bem nutrida,mas agora anda bem escassa. Aqui e acolá vimos acontecer uma peça teatral nos finais de semana para divertir a criançada. O espaço abraça, ainda, agendas para reuniões de empresas e encontros de grupos religiosos.
O prédio ocupa quase metade do quarteirão e nele ainda estão estabelecidos marceneiros e carpinteiros que com fino trato transformam objetos usados tipo cadeira, mesas, mobílias como faz Titico e seu irmão Toinho. Eles aprenderam a arte desde garotinhos e exercem a profissão ali. Uma herança do pai Zé Costa, um dos marceneiros mais conhecidos da cidade, que após a venda do Solar dos Correias onde trabalhava, alicerçou sua carreira instalado no prédio da Artística, onde permaneceu por muito anos até se afastar pra cuidar da saúde.
Por ali passaram outros profissionais como o senhor Luiz Bezerra, João Bezerra mais conhecido como João Lessa, Mundinho e Djair (Também filho do Zé Costa). Hoje, o lugar deles foi ocupado pelo comercio como a lojinha de artigos infantis e uma simpática lancheteria que oferece à clientela vários tipos de lanches, sucos e demais tipos de comida. Os empreendimentos instalados têm sido um bom negócio para aproximar a comunidade da Sociedade Artística, sua herança cultural , uma vez que o Poder Público não investe em ações educativas para difundir o conhecimento sobre o patrimônio.
A Sociedade Artística Maranguapense reúne uma quantidade de histórias e curiosidades. Desde 1919, que seu ambiente vem acolhendo atividades culturais. Foi sede da Sociedade de Artistas, funcionou com o Teatro São José e Cine São Jose; foi no palco da Artística que a Legião Cearense do Trabalho divulgou suas ideias. No passado foi escolhido o melhor recinto para os grupos de atores amadores de Maranguape apresentarem seus dramas, proporcionando a diversão dos jovens que tinham poucas opções de lazer na cidade. Debaixo do teto da Sociedade Artística foram realizados grandes bailes carnavalescos, manifestações políticas e a promoção da educação de alunos de escolas pública e privada. Até que um dia perdeu a sua majestade e passou a guardar coisas dispensadas de uso, servindo de depósito da Prefeitura.
Vou fazer um aparte para falar como acontecia os bailes carnavalescos da Sede, como assim era chamada a Artística naquela época. Os moradores da Major Agostinho lembram muito bem , mencionaram até que ficavam na janela para ver os brincantes passarem fantasiados para a festa popular. As roupas eram de cetim, lamê e usavam chapéu coloridos e também feitos de esponja. Meu primo Chiquinho Nunes lembra muito bem desses dias mominos. “Na década de 60 (por volta de 1963/64), um senhor chamado Xavier, que trabalhava no mercado municipal cortando carne, organizava o baile. Quando chegava esse período do carnaval, faltando aproximadamente 15 dias, ele abria as portas da Artística para fazer uma limpeza geral no prédio fechado.Tinha muita poeira e fezes de morcego. Não sei se ele alugava ou era cedido. A gente sabia logo que ele ia fazer festa e corria para ajudar. Depois dos serviços de faxina, pintava rusticamente e deixava as paredes internas decoradas com máscaras enormes . Quando eu via a Sede aberta , me encostava lá, colaborava com a faxina e como ele conhecia o papai, me deixava entrar de graça. Detalhe: eu tinha horário de entrar e sair , por causa do Juizado de Menor que era muito rigoroso e a festa na verdade, era só para adultos. O carnaval começava no sábado, mas na sexta-feira, Xavier já fazia uma espécie de “esquenta” como chamamos hoje. A Orquestra que tocava era a do Antonio Lambivara, formada pelo Cirino (saxofonista) , Chico Preto do Banjo , Jacaré e muitas vezes o Pindaúba, na bateria. O cantor não lembro quem era. A folia rolava a noite toda. A frente da Artística era lotada, cheia de gente para entrar. O interessante é que dentro do prédio não tinha bebida, era só festa no salão e quem quisesse alguma coisa, tinha que comprar do lado de fora. Assim se realizava os quatro dias de carnaval, terminando na madrugada. Era uma coisa muito bacana!”
No ano de 1960, a Administração Municipal arquitetou o espaço para a construção de uma Biblioteca Pública Municipal, mas o projeto levado a Brasília pelo Deputado Paulo Sarasate, não se concretizou. Em 1962, a União doou o imóvel para o Município, através da Lei nº 4125 de 27 de agosto, para criação da biblioteca. Como nada foi feito, o local foi ocupado por marceneiros, carpinteiros e outros pequenos artesãos.Com a criação do Corredor Cultural, a Prefeitura assumiu o compromisso de executar a restauração com recursos municipais e de outras fontes. As obras tiveram início em 10 de maio de 2004. Pequenos quartos foram erguidos para abrigar os artesãos. A inauguração do prédio se deu em dois (2) de setembro de 2005, passando a funcionar o Núcleo de Artes, Educação e Cultura para o desenvolvimento de atividades da Orquestra de Corda, Teatro, Estúdio Fonográfico, Banda de Música Municipal João Inácio da Fonseca.
O vento já levou muita coisa, mas o prédio da Sociedade Artística do Século XIX está de pé nesse novo Século como muitos outros bens tombados. O que lamento é vê-lo agonizar por falta de atenção do Poder Público. Suas paredes estão desbotadas e sujas; portas e janelas estão rachadas e inseguras, os portais danificados e a calçada quebrada. Se a estrutura externa está assim, imaginemos como anda o interior do prédio. Não ousei entrar para curiar, mas duvido muito que as instalações estejam dignas de receber a sociedade e a vocação artística de Maranguape.
Vou ficando por aqui.
Finish. Let’s get on well with life.
____________________________________________________________________________________________
Bloco dos Papangus abre Pré-Carnaval de Maranguape
Carnaval é festa, fantasias, bloquinhos e muita produção. O Bloco dos Papangus já está se preparando para ir à rua, porque é ele que vai fazer a abertura do Pré-Carnaval de Maranguape 2019. Será o primeiro a desfilar no Corredor da Folia nos dias 22 (sexta-feira) e 23 (sábado) de fevereiro. A saída do cortejo está agendada para as 20h da Rua Napoleão Lima.
Os Papangus já são uma tradição no Pré-Carnaval de Maranguape. Mulheres irreverentes, cheias de energia, com adrenalina lá em cima, escondem sua identidade por trás das máscaras, das túnicas que cobrem até os pés e da roupa por cima da outra. A imaginação flui e elas criam personagens hilariantes dimensionando bumbum, exagerando a pança e esbanjando seios fartos.
As brincantes improvisam fantasias divertidíssimas e tomam conta do Corredor da Folia, levantando o público que espera ansioso a passagem do blocos nas calçadas. Abaixo vou mostrar pra vocês meus personagens criados em cima da hora. Momentos de muita diversão e propício para cair na gandaia. Participar de tudo isso é maravilhoso!Veja se você me reconhece por trás das fantasias!
O Bloco dos Papangus é um bloco de muitas cores. No anonimato, as empoderadas extravasam alegria e agitam a rua. O segredo é não serem reconhecidas. Disfarçam até a voz quando alguém cutuca cheia de curiosidade, para descobrir quem está por trás daquele personagem tão hiperbólico, mas fascinante. Os Papangus são bastante assediados. As pessoas adoram e pedem para tirar fotos. No meio da multidão, rolam centenas de selfies. A ordem é tornar o carnaval de rua mais divertido, curtir a brincadeira com todo bom humor e euforia.
Os Papangus vão sair acompanhados de orquestra, com instrumentos de sopro e percussão. O clima será de carnaval antigo, resgatando as marchinhas, frevo e samba.
O bloco das mulheres promete muita folia. Há cerca de dez anos, os organizadores decidiram entrar na onda dos abadás oportunizando aos maridos das participantes fazerem parte do bloco. Deu certo, e assim, homens e mulheres que não querem se fantasiar, adquirem o abadá personalizado com a marca dos Papangus. Este ano, o kit está composto por blusa verde neon, máscara e gola pierrot /colombina). O valor do kit é de R$50,00. Os tamanhos confeccionados são: P- M – G- GG. Contato no telefone: 85 98753.9262.
O bloco não tem fins lucrativos. Os Papangus querem mesmo é sair na rua, cair na folia e brincar com animação de sobra, mas não esquecem de cumprir o seu papel social. A cada ano um lembrete educativo alertando para a prevenção da saúde. Conta com apoio de patrocinadores, que oferecem suporte para a produção dos abadás, contrato da banda, compra de acessórios e adereços para que as figuras do carnaval de rua esbanjem brilho e criatividade, sem fugir da originalidade.
Origem
A história dos Papangus de Maranguape tem quase 40 anos. Tudo começou com a ousadia de mulheres da cidade que queriam acompanhar os maridos nos bares, uma coisinha que eles não permitiam. Assim, elas se vestiam da forma mais irreconhecível e ficavam à noite toda na farra, sentada à mesa, ao lado deles, sem dar uma palavra sequer. Ali permaneciam até a hora de ir embora. Os maridos nem sonhavam que os mascarados poderiam ser as suas donas de casa. No final da noite, quando decidiam voltar para casa, os Papangus saiam juntos. Para surpresa deles, ao chegar na porta de casa, as mulheres descobriam os rostos. A brincadeira pegou e as carnavalescas da família deram continuidade ao Bloco dos Papangus com um grupo de amigas que não deixam a peteca cair e serão Papangus para sempre.
Prepare a sua fantasia, aqueça os tamborins e vem com a gente no bloco dos Papangus participar do Pré-Carnaval de Maranguape.
Serviço
Pré-Carnaval de Maranguape –dias 22 e 23
Saída do bloco : Rua Napoleão Lima ao lado da residência de Nelson Lopes
Horário: 20h
Fotos: Cleneide Nunes/ Gessilene Lessa/
Mais flashs
____________________________________________________________________________________________
As cores e aromas do Mercado e Maranguape
Não é o mercado mais bonito para se mostrar, mas mesmo assim resolvi parar ali pra dizer a vocês o que a gente pode encontrar no Mercado Municipal de Maranguape que alimenta com frutas, legumes, verduras, carnes, peixes, queijos, castanhas, além de outros, o consumidor da cidade. Quem circula pelos corredores encontra coisinhas belas, peculiares e inerentes àquele lugar ; coisinhas que encantam e atraem os nossos sentidos pelas suas cores e aromas.
Barracão de Feira. Era assim conhecido o mercado antes de sua inauguração. Foi em março de 1967 que ele ganhou nova estrutura, na Administração do prefeito Paulo Afonso Cirino. De lá para cá, já passou por várias reformas, e agora, está visivelmente carente de manutenção, principalmente no tocante ao fator higienização. A sua estrutura é de alvenaria e telhas de amianto. A edificação é patrimônio do Município e tem ao todo são 141 boxes.
Não existe tanta variedade como os grandes mercados públicos. O consumidor leva a sua lista de compras e o que não encontra nas bancas, ele tem a opção de buscar nos supermercados. No mercado existem pequenos restaurantes com gastronomia, oferecendo a panelada, sarrabulho, carne de porco, prato feito e aquele caldo para curar ressaca. Tem comida caseira, self service, rangos que a gente só encontra em cantos de muita popularidade.
O hortifrúti do Cabo João fica num ponto estratégico. Atrai clientes pela qualidade e aspecto das frutas e legumes que ficam arrumados num contraste de cores. A banca do Nem, também chama freguês pelas suas mercadorias selecionadas. Tem diversas bancas com mercadorias expostas e penduradas. Outras ofertas dos empreendedores e permissionários são carnes e peixes fresquinhos, temperos caseiros, que asseguram a volta dos clientes vips.
Na Budega do Nilton tem mercadorias regionais e naturais como mel de abelha, molhos, licores, castanhas, raízes, lambedor para bronquite e até uma carimã especial para quem gosta de fazer papa ou comer o pé-de-moleque do tempo da vovó.
No mercado de muitos vendedores, que lutam em competitividade, encontramos opções para todos os gostos, pois vi até entre uma banca de frutas e outra de frangos, um quiosque com vendas de roupas e malhas, hahaha. Não precisa andar muito para a gente se deparar com relojoeiro, salão de beleza, cantinho de importados, loja de peças para bicicleta. O que me despertou curiosidade foi avistar um box com pedras grandes e empilhadas. Parei em frente onde estava escrito num papelão: “Pedras para amolar”. É assim a vida de mercados que tiveram sua gênese nas feiras. Todos que ali trabalham dia-a-dia, interagem numa boa, porque sabem que o mercado é um ambiente de encontros, construção de amizade, histórias bonitas e troca de bens por uma unidade monetária que vai lhe garantir a sobrevivência.
Passeando pelos pavilhões, a gente descobre coisas simples, inusitadas, policromáticas e criativas que conferem a personalidade do lugar. Eu foquei numa banca com caixões organizadores cheios de pentes e peneiras de plástico, panelas, quartinhas para deixar a água bem geladinha como nos tempos em que não existia a geladeira e a louça era um artigo caro e raro; potes de barro, colher de pau, a tradicional vassoura e o chapéu de palha estavam lá expostos, esperando uma mão para levar para casa. É um lugar onde nós achamos o trivial com preços mais acessíveis.
O Mercado de Maranguape possui três portões de acesso que abrem às quatro da manhã para os feirantes, 6h para o público em geral e fecham sempre às 18h. O principal fica pelo lado da Praça João Leite. Este parece ser o preferido dos compradores e visitantes. Nos dias mais movimentados há um congestionamento de gente que entra, gente que sai e gente que para nas banquinhas que ficam nas laterais da entrada exalando cheiro verde. E não falta a voz e grito daquele vendedor que quer chamar atenção: ”Olha ai patroa, vamos levar o cheiro verde hoje?, “Olha a polpa de cajá, só dois reais!” Ecos que não podem faltar em feiras.
A vida é bem dinâmica ao redor do mercado. Toda a área externa é superocupada. Nas portas dos armazéns estão sacos de tecidos e ráfiacom uma concha de alumínio socada dentro, um jeito bem antigo de vender o arroz, feijão, açúcar, farinha, milho e outros produtos que saem em varejo e na forma de atacado; tem também cafeteria, lojinhas de roupas, frigorífico, mercearias, bares, lotéricas, lojas de redes com placa anunciando que está ali desde 1960, herança de pai pra filho; tem grife do bolo, barbearia e ambulantes tentando convencer os passantes e música no ar para animar a quadra.
Ao dar uma volta no quarteirão,encontrei comerciante que está por ali desde 1959, como o Sr. Raimundo Careca (84), inclusive tem material especial no blog com sua carreira bem sucedida . Ele é uma personalidade do mercado, preserva o estilo de mercearia à moda antiga até no modelo de embalagem. O mestre do comércio usa o papel e o cordão para embrulhar o produto que o freguês leva pra casa. Um jeito muito sugestivo de evitar danos ao meio ambiente e um tanto charmoso! Meus aplausos Sr. Raimundo Careca!.
O Mercado é um bem público. É mais que um lugar de comercialização dos empreendedores que caminham juntos. É um equipamento cultural. É lugar de raízes e identidade. É a tradição e a história de nossa cidade atravessando as gerações e o tempo. Tem que ser bem cuidado. As instalações do Mercado Público de Maranguape precisam ser revitalizadas e está na hora do Poder Público enxergar que é preciso investir no processo de qualificação pelo bem da Saúde pública.
A LEI
A Lei nº 445 de 18/03/1966, no seu art.1º fica o prefeito Municipal de Maranguape autorizado a contratar mediante concorrência pública , a construção de 141 boxes, destinados ao corte de carne, venda de peixes e vísceras, frutas e verduras; uma cozinha popular e um departamento de administração, numa área de hum mil quatrocentos e vinte metros quadrados (1.420metros quadrados) de propriedade do Município, localizado no centro do mercado da cidade, tudo de acordo com a planta elaborada pelo prefeito.

O endereço do mercado público de Maranguape é Praça João Leite, Centro.
Muitíssima agradecida a você que me acompanha e lê os posts do blog. Beijos!
Até o próximo!
____________________________________________________________________________________________
Rádio Iracema de Maranguape: a emissora que ficou na saudade
Lembro como se fosse hoje de nossas fugidas para a Rádio Iracema quando tínhamos aulas vagas no Colégio Estadual Anchieta (1973/1974) para pedir música ao Bonifácio de Almeida. A nossa turminha saía do estabelecimento correndo, enquanto passava o horário do professor que não tinha chegado no seu tempo de aula. O locutor anotava no papel o nome da música, quem estava oferecendo e para quem se destinava. Nós ficávamos na janela da Rádio esperando com muita alegria que Bonifácio colocasse nossa mensagem no ar e pusesse o vinil pra tocar. Naquela época, o rádio era uma grande conquista, era a comunicação de grande alcance e um dos melhores entretenimentos.

Se estivesse em pleno funcionamento, este ano, a Rádio Iracema de Maranguape Prefixo ZYH 33 iria comemorar seus 60 anos ou melhor, as Bodas de Diamantes. Que bom seria ver esse exemplo de resistência aos impactos econômicos e às novas tecnologias da comunicação! Mas quero dizer pra vocês que nem tudo acabou. Embalada naquele muro alto de uma casa comercial, ainda está a simples e formosa estrutura que abrigou a ZYH 33 Rádio Iracema de Maranguape. A proprietária dona Zelene é criteriosa e atesta que não fez grandes reformas para preservar o bem e a história. “Esse prédio era para ser tombado”, ressalta.
A estação de onda média em 1580 kilociclos foi instalada na Av. Stênio Gomes, no bairro Parque Iracema. Foi no dia 17 de janeiro de 1957, que a Rede Iracemista de Emissoras do Ceará adquiriu em Maranguape, de Dona Laura de Oliveira Nogueira, um terreno para construir um prédio para a nova filial. Em 19 de fevereiro de 1959, a Rádio Iracema de Maranguape recebe autorização para entrar no ar, em caráter experimental, de zero hora às seis horas da manhã. Sua inauguração aconteceu festivamente em 15 de agosto de 1959. A programação foi recheada de atrações, musicais, crônicas sobre a história da cidade e homenagem ao ilustre maranguapense, Capistrano de Abreu.

Cândida Lima Carneiro operou como locutora na festa de inauguração
Alfredo de Abreu Pereira Marques (in memoriam) foi o seu idealista. Ele se esforçou para a instalação de um meio de comunicação de massa com o poder de informar, educar e entreter. A Rádio por sua vez, buscou audiência, fez parte da vida dos maranguapenses e assinalou de modo indelével a vida da cidade, acompanhando suas transformações e seu desenvolvimento.
Os Inocentes e Os Barra Limpa (da esquerda para a direita)

O trio Zé Maciel, Lambivara e Raimundo André
A Rádio Iracema de Maranguape integrava a cidade e zona rural, atraía seus ouvintes que foram presenteados com apresentação de cantadores e grupos musicais formados por jovens da cidade como “Os Inocentes” e “Os Barra Limpa” . As escolas também participavam levando seus alunos para declamar poesias e fazer homenagens na emissora. A Iracema de Maranguape transmitia programas, tocava música, dava avisos para os moradores da zona urbana e rural, propagava mensagens e divulgava notícias. “Minha Música por Favor”, “Vesperal Alegre” e “Aquarela Sertaneja”, ficaram na lista dos programas de maior audiência. A Rádio Iracema teve larga função no âmbito informativo, educativo e cultural.

Irapuan Lima e Orlys
Vozes de mulheres e homens ecoaram nos bastidores e chegaram até as casas dos maranguapenes. Orlys Vasconcelos, a “lady speaker da saudosa era do rádio, foi uma das primeiras locutoras da Rádio Iracema de Maranguape. Um dos gloriosos nomes da locução feminina na era do rádio e homenageada entre os Melhores do Rádio Cearense nos anos de 1958 e 1959.
A Rádio, uma história, vozes que foram para o ar
Cerca de 50 profissionais passaram pelos estúdios da Rádio Iracema de Maranguape. Foram eles:
Adalberto Fernandes da Silva (operador de áudio), Agostinho Taveira de Paiva (locutor), Alfredo Alves Filho (operador de áudio), Alfredo de Abreu Pereira Marques (presidente), André Soares Bandeira (locutor),Antônio Rodrigues Ramos(operador de áudio), Antônio Yatagan Queiroz Martins (locutor), Aurélio Brasil (locutor), Cândida Lima Carneiro ( locutora), Cesanildo Lima (locutor), Damião Alves Bezerra (locutor), Francisco Edilberto Braga (locutor), Francisco Estaércio Queiroz Martins (locutor), Francisco de Assis Rodrigues (operador de transmissor), Francisco de Assis Santos (locutor), Jalmir Monteiro (locutor), Jean Robert Braquehais (loctor), Jesus Cavalcante (locutor), João Emídio Machado (operador de áudio), João Eudes Pereira (locutor), José Arimá Titara (operador de áudio), José Bonifácio Câmara (operador de áudio), José Edmar Sampaio ( operador de áudio), José Ferreira de Sousa (locutor), José Helder Medeiros Bezerra (operador de áudio), José Maria de Almeida (locutor), José Maria Ferreira da Silva (operador de áudio), Luiz Hermínio da Silva (operador de transmissor), Manoel Domingos Marques (operador de transmissor), Marilena Lima (locutora), Mário Sérgio Marques (operador de áudio), Mirtes Vasconcelos (locutora), Moisés Lourenço de Sousa(locutor), Olinto Parente de Albuquerque (diretor), Orlys Gurgel Vasconcelos (locutora), Osmar Felipe Cavalcante (operador de áudio), Otávio Albino Filho(operador de áudio), Raimundo Nonato Filho (operador de áudio), Regina Célia Dantas (locutora), Sebastião Oliveira e Silva (locutor), Sérgio Bezerra Luz (operador de áudio), Walmir Ramos da Silva (locutor), William Oliveira (locutor), Zacarias Mendes de Castro (operador de áudio), Zequinha Aristides (locutor), Álvaro Câmara Neto (locutor), José Pereira dos Santos (locutor), Aracimy Viana (locutora), Francisco Nivardo Lins Nobre (locutor).

O entusiasmo pela conquista da transmissora permaneceu por 19 anos, quando em 1978 foi permitida a concessão para a Rádio Cidade. Contam que Miguel Dias queria a emissora com maior potência. Procurou através da Prefeitura Municipal um terreno para localizar as torres e não recebeu o apoio por parte das autoridades. Os equipamentos foram desligados e ninguém mais ouviu o som do Guarani que era sua marca. A estação reservou dias marcantes e deixou memorável o papel fundamental que exerceu sobre a sociedade. O fim da Rádio Iracema de Maranguape foi na gestão do prefeito Antônio Gonçalves Moreira.
Memória e preservação – 50 anos depois

Foto tirada em 2009
A história da Rádio Iracema não pode ser esquecida. Quem passa e não vê o prédio, acha que o lugar é apenas uma lembrança. A atual proprietária, a professora Zelene, não se desfaz da história. No seu depoimento em 2009, ela declarou: “ Moro com muito orgulho na casa onde funcionou a Rádio Iracema de Maranguape”.

Para comemorar o cinquentenário da rádio que não mais existia fisicamente, a União Brasileira dos Trovadores (UBT), a Associação Beneficente Nossa Senhora da Penha (ABNSP), a Academia de Ciências,Letras e Artes de Columinjuba (ACLA) e os amigos da Rádio Iracema de Maranguape realizaram cerimônia no Maranguape Clube com exposição de fotos e homenagem aos radialistas e profissionais que trabalharam na emissora.

“A Rádio Iracema foi mais um sonho realizado e muito importante na minha vida. Apesar de há muito não estar mais no ar, ainda tenho tudo gravado na minha memória, com grata e saudosas lembranças”.
Por Dr. Alfredo Marques em agosto de 2009.
“Rádio Iracema de Maranguape e eu.
Hoje, ela representa para nós apenas uma saudade. Perdeu-se no tempo. Mas não foi esquecida por quantos sustentaram sua programação para entretenimento da cidade. Ainda guardo gratas recordações do tempo em que integrei o seu quadro de locutores.
Foi para mim motivo de surpresa receber o convite para participar da então recém criada Rádio Iracema de Maranguape, em 1959. Vivia-se a Era do Rádio. O convite me fora feito pelos que faziam parte da equipe do Dr. Alfredo Marques. Diante da insistência do convite, acabei por me decidir a colaborar com o novo empreendimento e, na data de sua inauguração,15 de agosto de 1959, lá estava eu operando como locutora da mais nova rádio do Ceará.
A iniciativa de dotar Maranguape de uma emissora de rádio seduziu uma grande parcela da juventude. Valeu, contudo, a experiência e hoje, quando 50 anos nos separam daquela fase histórica vivenciada por Maranguape, sinto-me gratificada por ter participado dessa história.”
Cândida Lima Carneiro em agosto de 2009
2019 – Dez anos depois do cinquentenário
Retornei hoje, 8 de abril de 2019, ao prédio onde funcionou a Rádio Iracema, dez anos depois das comemorações do cinquentenário e de minha visita à casa. Reencontrei Dona Zelene que me recebeu com a mesma alegria e sorriso no rosto. A fachada continua a mesma de quando a emissora estava no ar, só a pintura que recebeu uma nova cor. Recordei as palavras que ela tinha me dito há 10 anos de preservar a história. E a professora aposentada selou com muita firmeza o compromisso e o respeito à preservação da estação de rádio, que foi tão importante para Maranguape . Ela frisou:”Esse prédio era pra ser tombado”. A Rádio Iracema de Maranguape calou sua voz há 60 anos.
Fontes:
– Informações retiradas do folder publicitário elaborado por mim nos 50 anos da Rádio Iracema de Maranguape com colaboração de Alfredo Marques, Evandro Carneiro, Cândida Lima, Orlys Vasconcelos e Helder Medeiros.
-Livro “Maranguape” – Juarez Leitão
-site : maranguapefotos.blogspot.com
Fiquem com Deus.
___________________________________________________________________________________________
Café com Arte: o seu ponto de encontro na serra com os amigos e a cultura
O café é uma bebida deliciosa, faz parte da rotina, quase todo mundo toma e não importa a ocasião. Estamos acostumados a bebida quente, mas o café gelado, uma tendência que vem de fora, está caindo no gosto dos brasileiros. Adoro andar pelas cafeterias e a minha dica desta semana é o Café com Arte da Glaucia Lobo, em Maranguape, na subidinha da Serra.

A casa já está com suas portas abertas há três anos. É um espaço rústico, aconchegante, colorido e cercado por árvores verdes que transmitem energias benéficas. Um cantinho bem simpático, sem muita sofisticação.


No Café com Arte a gastronomia se une a música, poesia, trovas, cordel e ao artesanato. A casa bonita e harmoniosa é decorada com peças de cerâmica, esculturas de madeira, pinturas em tela, vasos e outros itens de barro comum. Tem também artigos reciclados que se destacam como molduras de pallets e móveis pintados em pátina. Objetos que um dia foram descartados, receberam um toque especial pelas mãos habilidosas da Glaucia, e agora dão estilo ao ambiente.
Glaucia é artesã ceramista, mas já percorreu uma longa estrada como cantora alegrando as noites da Capital, de Maranguape e outras cidades. A crise econômica do País ocasionou a redução de seus contratos, mas a artista não deixou a peteca cair e deu continuidade à fabricação das peças de barro dedicando-se à lojinha de souvenirs e artigos decorativos, a “Mimos de Barro”, instalada em sua residência.
Incentivada pelos amigos para botar um comércio, a artista entendeu que a “Mimos de Barro” e a cafeteria seriam uma união perfeita. “O Café com Arte é uma proposta de muitas pessoas. Ele nasceu numa fase de mudanças em que eu estava em conexão com a serra, fazendo caminhadas e empenhada em modificar os hábitos alimentares”, afirma. E o que não faltou foi imaginação para tornar o sonho da artesã realidade. Quando sentiu que estava na hora, arregaçou as mangas e abriu as portas de sua casa transformando a garagem num espaço charmoso e funcional.
A Glaucia dá conta de sua cafeteria sozinha. “Somente nos dias de Sarau que conto com uma auxiliar ”. Como uma cozinheira chefe, veste o seu avental de trabalho, prepara as delícias do café, atende às mesas, contabiliza às despesas dos clientes e ainda quando pode, presenteia os fregueses da cafeteria com uma bela interpretação na sua voz poderosa.
Foi com visão empreendedora que pensou de fazer o Café com Arte um aliado de Maranguape. Começou pelo cardápio gastronômico resgatando os produtos da serra sem agrotóxicos. “A culinária da casa é bem saudável e regional. Temos a tapioca, o cuscuz, bolo de banana com canela, de macaxeira, de milho, sucos naturais, sucos detox, chás, cappuccino, panquecas e macarrão com molhos caseiros que incrementam os sabores dos pratos”, enfatiza. O Café é um espaço salutar, por isso não comercializa bebidas alcoólicas e não permite o fumo.


O bolo de banana com canela e as panquecas são carros-chefe da casa. Os pratos são inspirados nos personagens do humorista, filho ilustre de Maranguape, Chico Anysio. “O Chico é o resgate da essência de cada um de nós. Ele nunca esqueceu as origens dele. Sempre citou Maranguape em seus trabalhos e desejou que parte de suas cinzas fossem jogadas aqui. Daí a homenagem. Enquanto existir o café, ele não vai ser esquecido”.
Aqui estão algumas curiosidades do cardápio: Popó é o chá mate gelado com limão; Coalhada é o cappuccino com chantilly; Velho Zuza é o cafezinho comum; Alberto Roberto é o cappuccino com chocolate; Roberval Taylor é a panqueca com queijo, requeijão e tomate seco; Tim Tones é a panqueca com frango desfiado e requeijão; Pantaleão é a tapioca com queijo, tomate seco e requeijão; Professor Raimundo, o cuscuz com queijo e requeijão. O cliente tem a seu dispor outras opções que enchem os olhos e a vida de alegria. Aproveitei a visita e provei do famoso Gastão: o suco de abacaxi com limão e capim santo bem geladinho. Muito saboroso!

OS SARAUS

Os Saraus são o ponto alto da cafeteria. Acontecem sempre no segundo sábado de cada mês com início à tarde. O Café com Arte já está partindo para a sua XXXII Edição. O evento cultural reúne artesãos, poetas, músicos, trovadores e intérpretes que exibem performance artísticas e literárias. No Sarau, você se delicia também com a voz apaixonante da anfitriã, Glaucia Lobo. É um encontro festivo que atrai um público bem eclético e já é sucesso garantido .

Já passaram pelo Café com Arte personalidades do mundo artístico como o humorista André Lucas (filho de Chico Anísio), Marcus Café, David Duarte, Renato Assunção, José Marcelo Leal, Karla Karenina, Alana Girão Alencar , além de talentos e artistas maranguapenses.

Serviço:
O Café com Arte funciona de quarta-feira a domingo. Veja os horários de atendimento: quarta-feira das 15h às 18h; quinta-feira de 15h às 18h; sexta-feira de 15h às 20h; sábado de 8h às 11h e de 15 às 18h. No domingo de 8h às 11:30h e de 15h às 20h.
Visite o Café com Arte na Rua Benedito Prata, 793, bairro Guabiraba. Você degusta uma boa culinária e da lojinha “Mimos de Barro” você pode adquirir uma lembrança de Maranguape com o nome de Chico Anysio.

Eu vou, mas voltarei em breve com novidades. Bye!
Pictures

FOTOS:
*Neide Nunes
*Obs: Parte das fotos utilizadas no post pertence ao arquivo do Café com Arte e foram cedidas pela proprietária do comércio Gláucia Lobo.
____________________________________________________________________________________________
O melhor São João da roça foi no Ipark
“Olha pro céu meu amor, veja como ele está lindo…”, “A fogueira está queimando, em homenagem a São João…”. Duvido alguém dizer que nunca ouviu cantar essas músicas quando chegam as festas juninas de Santo Antônio (13), São João Batista (24) e São Pedro (29). Até hoje o Brasil cultua a herança religiosa deixada pelos portugueses.

Fogueira, culinária típica, balões, brincadeiras, sanfona, bandeirinhas, quadrilhas, forró, vestido de chita, camisas de xadrez são distintivos da época e sem esses atributos não tem graça. Tudo é muito contagiante e nada melhor do que aproveitar o máximo a festa que relembra às origens caipira e batizada de São João na Roça, onde se toca a música sertaneja e se dança a quadrilha, nem que seja improvisada.
Amo festas juninas, adoro aluá, pé-de-moleque, milho cozido, bolo de macaxeira e todas as gulodices dessa estação. No sábado, 29, Dia de São Pedro, vesti minha camisa de xadrez, prendi o cabelo com uma flor de girassol e parti para o São João do Ipark (na Ypióca) com minhas “miguinhas”. É um lugar muito especial para mim, porque foi ali, naquelas instalações, que minha mãe passou a adolescência e juventude trabalhando com seu pai no processo de industrialização da cachaça Ypióca, ao lado do Sr. Paulo Campos Teles.
Antes de falar como foi a noite do São João vou fazer uma pausa para contar pra vocês algumas curiosidades da casa grande e do engenho de açúcar do Ipark. As memórias são do tempo que minha mãe, Maria Nunes, viveu por lá, meados dos anos 40 e 50. O tempo se foi, mas deixou marcas e boas lembranças. Quando seu pai, José Nunes, recebeu o convite para trabalhar com o Sr. Paulo Campos na administração do negócio, ele, viúvo com oito filhos, decidiu levar Maria em sua companhia para ajudá-lo nas obrigações. Os dois moravam na casa onde hoje funciona o museu. À minha mãe, ele deu a responsabilidade de cuidar do fornecimento. Era ela que entregava mercadorias para consumo dos trabalhadores como o arroz, feijão e outros mantimentos disponíveis. “Quando eles recebiam o pagamento no final do mês, eu descontava”, conta.
Foi nas terras do Ipark que minha mãe viveu a melhor época de produção da cachaça, viu os homens cultivarem o plantio da cana-de-açúcar, o corte, a colheita e a moagem; acompanhou de perto a etapa do engarrafamento da bebida, na forma mais artesanal, e testemunhou as vendas anotadas no caderno. Uma das coisas que ela gostava, era ver os empregados do engenho engarrafando a cachaça. “Eu me sentava ao lado deles. Era uma bacia cheia de aguardente. Eu tinha muita vontade de ficar com os pés dentro da cachaça e até que um dia fiz isso”. Ao perguntar se ela tinha colocado os pés na bebida que ia para venda, ela respondeu que sim: “meus pés estavam limpos”. Desejos assim surgem, hahahaha.
O ritmo de vida no engenho do Paulo Campos era de trabalho, mas as famílias envolvidas garantiam o estudo dos filhos. As crianças estudavam na escolinha montada pra eles. A professora Era minha mãe e foi ela também que auxiliou na alfabetização dos filhos do patrão, Maria Eugênia e Everardo, o menino que até hoje pergunta pela sua mestra demonstrando gratidão.
O Sr. Paulo Campos e sua mulher Dona Maria Augusta eram católicos e sempre participavam das festas do padroeiro da comunidade, Santo Antônio. Ofereciam prendas para os leilões e faziam questão de ver os empregados do engenho nos festejos. Foi aí que minha mãe se deu bem, porque foi na festa de Santo Antônio que ela começou o namoro com meu pai, Antonio Costa. Viveram mais de 60 anos no matrimônio. A separação se deu quando ele partiu para a casa do Pai.
A vida no engenho da Ypióca foi de muito aprendizado e paixão for my mother. Até hoje, ela lembra com saudade do cavalo “Pombo Roxo” que lhe levava para o centro da cidade de Maranguape, onde ia fazer compras e visitar as irmãs. Contam suas amigas, filhas do Sr. Jeová Matos, que a conheceram muito bem, que ela cavalgava com muita elegância, chamando atenção por onde passava.

A botija. Desse tempo da morada de minha mãe no engenho da Família Teles lucramos muitas histórias bonitas. Quem nunca ouviu a lenda popular das pessoas de tempos antigos que enterravam tesouros em segredo? Nós gostávamos muito de ouvir mamãe contando um sonho que teve por três dias seguidos. Um homem de chapéu branco lhe falava de uma botija no pé de uma árvore próxima à Casa Grande e que ela deveria desenterrar. Com muito medo, contou a seu pai e a conversa se espalhou. O Sr. Paulo Campos ao tomar conhecimento do assunto perguntou se ela reconheceria o tal homem ao ver a sua foto. A resposta foi sim. Ele trouxe “o retrato” de seu pai. Confirmado, era exatamente o homem que aparecia no sonho. No dia seguinte, quando foram olhar o local, alguém tinha cavado o buraco, não se sabe quem teve a coragem de descobrir o mistério e se encontraram algum tesouro enterrado lá. Amava ouvir essa história e ela foi repetida para nós por muitas e muitas vezes, assim como outras de visagem na casa e no terreiro que eram de arrepiar,antigamente tinha muito disso.
Ufa! Me estendi demais. É Porque adoro ouvir essas histórias e até hoje fico puxando por elas, mas mamãe já diminuiu o seu compasso. Ela agora fica prestando atenção a gente contar e admirada dá uma risadinha e diz: “valha, vocês sabem é de coisa”.
Tá na hora de voltar para o São João do Ipark e para entrar no clima de novo, vou começar assim: “Tem tanta fogueira, tem tanto balão…”. Tinha balão pendurado e espalhado pelo terreiro. Uma fogueira alta, com toras de madeiras bem empilhadas. Mais na frente encontramos barracas com comidas típicas, milho verde, bolos de macaxeira, milho, pamonha, bebidas, churrascos, pipoqueiras e muitas mesas espalhadas. No alto, muitas bandeirinhas coloridas decorando o espaço.
Os tradicionais noivos da quadrilha de São João recepcionavam quem chegava com alegria estampada no rosto e energia de sobra para o arrasta-pé na quadra. Dezenas de luzes contornavam o Museu da Cachaça convidando para uma foto daquelas de morrer de paixão.
Tinha painéis representando a cidade cenográfica, casais de caipira para quem quisesse colocar o rosto, barraca do beijo, altar de Santo Antônio com o buquê de noiva em cima, tudo preparado para deixar o clima com a graça da roça. Nós fizemos vários registros. Vejam como ficou sensacional!
Ítalo o poeta e o sanfoneiro Waldonys foram as atrações da noite. Ítalo puxou o fole e chegou chegando com as tradicionais músicas de São João, deslizou os dedos pelo forró das antigas, convidou o público para viajar no Balão Mágico e ilariou com as músicas da Xuxa. A quadrilha improvisada levantou que estava sentado nas cadeiras e não faltou público espectador prestigiando os dançarinos. Foi super, super legal a participação dos festeiros.
Os meninos da Quadrilha Nova Emoção exibiram sua performance. E quando o sanfoneiro Waldonys chegou, fogos de artifício explodiram no céu,lança confetes brilharam no palco e o som do acordeon encheu o “front stage” ficou repleto de fãs. Mãos pra cima e celulares no alto para as famosas selfies. Gente gravando vídeo, cantando em voz alta para depois postar nas mídias, Story, Instagram e Facebook. Foi show! Quem não foi perdeu a melhor festa de São João no Dia de São Pedro.
Vou datar o dia que escrevi esse post, pois quero que ele seja lido pelo meu filho, neto e bisnetos quando eles estiverem sentados ao lado da cadeira da vovó daqui a alguns anos. Quero que eles sintam a mesma emoção que temos hoje ao contarmos para minha mãe tudo aquilo que foi vivido e dito por ela. Quero que eles conheçam e guardem para sempre as histórias da família que lhe deu origem. E quero estar bem, em “sã consciência”, para ouvir tudo isso, dar àquela risadinha igual de minha mãe e repetir as mesmas palavras: vocês sabem de tanta coisaaaaa. Pronto: Maranguape, 3 de julho de 2019.
Flashes
Bye! See you later!
___________________________________________________________________________________________
Doce de Luxo chegou para adoçar sua vida

Hoje, vou falar de coisas gostosas, daquelas de encher os olhos e dar água na boca. Esse post tem sabor de guloseimas deliciosas feitas pela “Doce de Luxo”, a mais nova doceria de Maranguape e o melhor lugar, para a gente que ama doces, lanchar e ainda, levar as delícias para casa.

A “Doce de Luxo” tem novidades irresistíveis como a Taça de Red Velvet, Pastel de Leite Ninho, Mini Atoladinho e o Pote da Felicidade, recheado de chocolate, brownie e brigadeiro, dono de um sabor indescritível. Tudo deliciosamente feito com amor.

Na confeitaria tem uma seleção de docinhos feitos nos mais diversos sabores: leite ninho, brigadeiro, churros, beijinho, morango…
A “Doce de Luxo” oferece outras opções como Cupcake , Bem-casado, tortas e cremes gelados. Duvido muito alguém sair de lá sem cometer o pecado da gula!
A vitrine está sempre decorada e convidando quem chega, a experimentar as tentações gastronômicas da “Doce de Luxo”.
Olha gente, a doceria recebe encomendas de docinhos, tortas doces e bolos temáticos para festinhas de aniversário. Dispõe de embalagens sofisticadas para embalar presentes doces e carinhosos.
Os doces da “Doce de Luxo” torna qualquer ocasião mais que especial!
As empreendedoras WLÁDIA , LARA SUYANE e HILDA estão sempre se aperfeiçoando em cursos de confeitaria e doces finos para aprimorar o talento e manter a qualidade e garantia de seus produtos.

Vale dar uma passadinha lá e conferir o sabor das iguarias. O preço dá no bolso de todos. Podem acreditar!
Serviço:
A Doce de Luxo fica na Rua Dr. João Bezerra,367 – Loja F
Funciona a partir das 17h
Contato: (85) 987256006
Circulando pela DOCE DE LUXO



Beijos doces pra vocês que me seguem. BYE!
____________________________________________________________________________________________
O domingo, como estipula a igreja católica, tem que ser de festa. Ontem, 04 de agosto, nós maranguapenses tivemos mais um motivo para cumprir o Terceiro Mandamento das Leis de Deus, comemorando com gratidão, os 170 ANOS de Fé e Evangelização da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. Foi um domingão de festa, regado com muitas orações, acolhimento e agradecimentos a Deus e à Mãe Santíssima pelas bênçãos derramadas sobre às famílias de Maranguape.

As portas da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha permaneceram abertas o dia inteiro para receber seus paroquianos e fiéis. A programação estava no capricho e deixou todos muito satisfeitos com a participação dos grupos pastorais e organização do evento.
Foi uma abertura festiva, às seis da manhã, com alvorada pela Banda de Música Municipal Maestro João Fonseca e apresentação do Coral Nossa Senhora da Penha, formado pela igreja para festejar a data dos 170 Anos. Às 7h foi celebrada a primeira missa do dia com as intenções para a Benção do Lar. E muita gente levou a chave da casa para receber a benção do padre Eudásio.
Após à Santa Missa, a comunidade católica participou do Café Partilhado. Na barraca, montada ao lado da igreja, imperava fartura não só de alimentos, mas abundância de amizade, alegria e muitos abraços de amigos que reencontravam amigos de longas datas.
As crianças não tiveram a sua missa de 9h, mas se sentaram no chão para ouvir a contação de histórias. De forma lúdica, através de teatro de bonecos, elas se nutriram de conhecimentos dos frutos plantados e colhidos pela paróquia.
No Salão Paroquial, o tema “Paróquia Nossa Senhora da Penha,170 anos de fé e evangelização” reuniu moradores, historiadores e pesquisadores de Maranguape que nos alimentaram, com uma riqueza de informações, com a vida de nossa igreja nos séculos passados.
Ao meio dia, o pároco, Pe. Eudásio celebrou a Santa Missa para a Benção da Água. Muita gente, cheia de fé e esperança, levou sua garrafinha de água para benzer e proteger sua casa.

Toda comemoração pede uma boa feijoada e a Feijoada dos 170 Anos, no patamar da igreja, foi tudo de bom! Marcamos presença e deixamos o registro de nosso comparecimento fazendo aquele click para ser repetido daqui há dez anos, se Deus quiser.

A tarde foi só de Gratidão com Louvor , Pregação, Adoração, Terço da Misericórdia Cantado e Ofício de Nossa Senhora.
Fotos: Erivelto Bessa
A Santa Missa celebrada às 18h reuniu muitos fiéis que ocuparam o patamar da igreja. A Praça Francisco Colares teve todos os seus lugares tomados e muita gente ficou de pé nas laterais do palco que foi montado. Foram horas marcadas por momentos de muita emoção com fiéis cantando, orando e acenando os lencinhos branco.
A ornamentação do palco e da igreja estava perfeita e deixou todos encantados.
Após à Santa Missa, os católicos de Nossa Senhora da Penha assistiram ao Show do Frei Jurandi. As comemorações dos 170 Anos terão continuidade. A partir do dia 18 começam as celebrações de missa às cinco da manhã por algumas ruas da cidade chamando para os festejos do novenário de Nossa Senhora da Penha e no dia 29, procissão de abertura da Festa da Padroeira com encerramento marcado para o dia 8 de setembro, Dia de Nossa Senhora da Penha. Vamos todos juntos fazer parte dessa grandiosa festa que contará mais umcapítulo de nossa história.
O hino especial, cuja letra é de autoria de Francisco José Moreira Lopes e melodia de Jeniniano….
Vejo vocês em breve

____________________________________________________________________________________________
Grupo preserva firme a Folia de Reis em Maranguape
Olá miguinhos e miguinhas! Estava morrendo de saudades de vocês. Me ausentei por um tempinho , mas agora vou disparar nas minhas postagens. Desejo a todos vocês um 2020 de muita Paz, Luz e Saúde e que consigam realizar os sonhos mais sonhados. Seja o menino Jesus o protetor de suas vidas, por isso vou começar o ano contando a nossa Folia de Reis.
Como nos anos anteriores formamos, no dia cinco de janeiro deste ano, um grupo de foliões para sairmos à noite pelas ruas do Centro de Maranguape no tradicional Reisado, que se realiza na véspera e no Dia de Reis.
O grupo comandado por Maria Cleuzes, Moisés Lourenço, Rafael Sales, Ruth e Luís Carlos partiu como pastores com roupas coloridas, enfeitadas de fitas, coroa de rei na cabeça. Com o violão, pandeiro, triângulo e tambor, visitamos as casas batendo de porta em porta, tocando e cantando versos religiosos e humorísticos, invocando a celebração da visita dos três Reis Magos para pedir esmolas e donativos.
Os senhores donos das casas abriram suas portas e nos presentearam com muita alegria e sorriso no rosto. Teve gente que gritou de cima do andar da casa e desceu a esmola presa na corda. Até as crianças adoraram a brincadeira. A Isabela e a Alicia acompanharam a folia com suas mamães até aonde aguentaram. Foi muito bom participar de mais uma folia de rei em Maranguape.
O Reisado, inspirado na visita dos Três Reis Magos que presentearam o menino Jesus com Ouro, Incenso e Mirra, foi introduzido no Brasil pelos portugueses no período colonial e ainda hoje é realizado em muitas cidades brasileiras. Chegou ao Brasil no Século XIII e é uma das manifestações mais belas de nossa cultura popular, cultural e religiosa.
Taí uma coisinha que gosto é tirar reisado! Se você achou legal e não quer ver essa cultura desaparecer, junte uma turminha boa para a Folia de Reis do próximo ano e seja muito felizzzzzzz.

Beijos e até o próximo post.
Da janela da minha casa eu vejo um Pé de Jambo Vermelho

Este é o Pé de Jambo Vermelho que fica em frente a nossa casa oferecendo sombra e ornamentando a Rua Major Agostinho, Corredor Cultural de Maranguape. A simpática árvore de folhas grandes e de cor verde-brilhante não está aí por acaso. Ela ocupa o lugar de uma outra espécime que formava o conjunto do paisagismo da rua, que por falta de sorte foi mutilada para atender planos particulares.

O corte da árvore causou tristeza a minha mãe Maria. Sua vizinha, Jacinta, lhe pregou uma surpresa trazendo do Horto Municipal uma muda de Jambo Vermelho. As duas cravaram a planta no mesmo local e mandaram fazer uma grade de madeira, daquelas que protegiam árvores de calçada, para dificultar uma outra ação drástica e garantir vida longa ao jambeiro.

E foi, por muito tempo, sob os cuidados das amigas da rua, que o Jambo Vermelho foi crescendo, crescendo, ganhando o seu formato de cone, embelezando e tomando à frente de um muro poluído com propaganda de campanha eleitoral. Já se passaram mais de 15 anos e nesse percurso do tempo, o jambeiro enfrentou outros obstáculos como a perda de uma galhada, ocasionada por um caminhão que estacionou indevidamente. O tempo foi árduo para devolver a beleza de sua copa, no entanto estávamos certos de que a natureza iria fazer o seu papel espontaneamente. As podas feitas incorretamente por profissionais não habilitados, atuantes no serviço municipal, também mudaram o design da árvore que perdeu o seu formato piramidal para este que se vê na foto.

Plantar uma árvore no lugar de outra foi apenas uma pequena atitude das vizinhas, mas grandiosa para a preservação da natureza, bem significativa para melhorar a estética da rua, o bem-estar dos moradores e para a sobrevivência das gerações futuras. Prego aqui aquela famosa frase do “Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint- Exúpery? “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. É exatamente da janela, do portão da casa, do outro lado da calçada e debaixo do próprio jambeiro que nós o abraçamos todos os dias e zelamos pela sua conservação.

Difícil ver o Jambo Vermelho sozinho. Posicionado do lado que dá para o sol poente, onde não tem casa edificada, mas tem sempre gente pedindo abrigo na sua sombra, tanto em dia de sol ou quando a chuva pega de surpresa os passantes. O nosso olhar de cuidadores, acompanha do lado nascente, tudo o que acontece em sua volta. Na época de jambo, a garotada que volta da escola não perde a oportunidade de comer o fruto debaixo do pé. Os mais espertos se agarram nos galhos para subir na árvore e saem por trás das folhagens com os bolsos das calças cheios. Outros se arriscam menos, lançam pedras do chão ou cutucam com uma varinha para provar aquele jambo vermelho colhido na hora.

O jambeiro é nossa inspiração, seja num dia frio de chuva fina, com jeito de inverno, onde as folhas secas caídas no chão molhado embelezam o cenário; seja num dia ensolarado, de céu azul , ou seja quando está na companhia e claridade de uma linda noite de lua cheia.

Ficar debaixo do jambeiro durante a floração é ter a sensação de estar pisando num tapete de pétalas vermelho-púrpura. A coloração chama atenção de quem passa pela calçada. Gente, o mais curioso é que nesses anos todos, provamos muito pouco de um jambo desse pé. Que a sua história fique enterrada na Major Agostinho,porque em nossas vidas ela vai ficar guardada para sempre.

E você já plantou uma árvore? Se ainda não, que essa história te deixe uma lição. Cuidar de plantas é terapêutico, relaxante, prazeroso e uma alternativa para diminuir os impactos ambientais causados pelo homem. Nossa esperança. Pense nisso!

O Fruto
O Jambo é uma fruta de sabor adocicado parente da jabuticaba, pitanga e goiaba. Originário da India e de algumas ilhas da Malásia é facilmente encontrado no Brasil nas regiões Norte, Nordeste e Sudeste. Tem a forma de pera e sua cor é de vermelho a roxo. A polpa é consistente e branca. Pode ser consumido in natura, como também feito doces, geleias e sucos. A fruta é uma boa fonte de ferro, de proteínas, fósforo, vitaminas A, B1, B2 e C, rica em antioxidantes e tem um nutriente chamado flavonoides por conta da cor dele.
Vou ficando por aqui. Até o próximo, se Deus quiser.
Obs: O título do post foi inspirado na poesia de Maria Norma Colares de Serra ” Da janela da minha casa eu vejo…”
Pesquisa sobre o fruto e seus benefícios na web.

É com entusiasmo e orgulho que muita gente enche a boca para falar “Guabiraba amiga”, expressão usada em palanque político pelos ex-prefeitos Paulo Cirino, Antônio Câmara e Pedro Câmara (in memoriam), mas tudo parece que o título foi criado por locutores da Rádio Iracema de Maranguape, de acordo com ouvintes assíduos da emissora. Esta caiu como um doce na boca do povo e já ficou para sempre. O bairro é um dos mais conhecidos de Maranguape, de um povo festeiro, que se mobiliza para comemorar a vitória do time preferido, enfeita as ruas para a Copa do Mundo, que se junta no carnaval para animar a cidade e que cria grupo cheio de paixão para participar e vencer festivais de quadrilhas do Estado. É território de gente que cria associação para cuidar da praça e do bem estar da comunidade; é lugar de vizinhos que mantém o hábito de botar cadeira na calçada para colocar conversa em dia. Na realidade são muitos os motivos pelo qual um povo, que construiu amizade desde a infância, abraça com muito sentimento esse rótulo de “Guabiraba Amiga”.

O bairro que dá acesso a serra é bem povoado, com uma população de 2.649 habitantes, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE. Nele tem estabelecimentos comerciais, mercearias, igreja, capela, escolas, salão de beleza, Unidade Básica de Saúde, Pet Shop, restaurantes, pastelaria, Café com Arte, inspirado no humorista Chico Anysio, lojinha de artesanato em barro, pousada e as praças Sarah Carvalho e Monsenhor Rosa, esta última abriga uma Caixa D’água com capacidade de 1000m³, e por isso é tão conhecida como Praça da Caixa D’água. O reservatório foi construído no ano de 1957, pela Fundação SESP, na gestão do ex-prefeito Humberto Correia Mota, com o propósito de solucionar o problema de abastecimento na sede do Município, que era muito precário.


A Guabiraba é um bairro de muitos empreendedores proporcionando aos moradores acesso a vários tipos de serviços. Preserva a memória do antigo Colégio Santa Rita, das Irmãs do Amparo, prédio tombado pelo Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Município. O colégio, fundado em 1930, serviu de internato e externato, recebendo alunas de vários lugares do Estado, de Pernambuco e Natal. Foi a doação de uma casa que propiciou a edificação do convento, com a finalidade de atender crianças carentes e prestar ensino de iniciativa particular. O Pe. Raimundo Pinto, morador do bairro, foi o eterno capelão do convento que no ano de 1971 cerrou suas portas deixando marcas positivas na história da educação de Maranguape. Depois o prédio, pertencente ao Estado, recebeu a Escola Dr. Argeu Braga Herbster e o IFCE, Escola Profissionalizante. Hoje, com função de alojamento para acolher pessoas em situação de rua.

A Guabiraba é um ponto icônico e de concentração dos grandes eventos. Era da Praça da Caixa D’água que saíam os desfiles cívicos do Dia 7 de Setembro. No roteiro da Igreja Católica, a Praça da Guabiraba está lá como ponto de partida da procissão de abertura dos festejos de Nossa Senhora da Penha, Padroeira e Maranguape. Da Guabiraba também saíam os blocos do Pré-Carnaval de Maranguape, Blocos dos Sujos, cortejos natalinos, manifestações estudantis e outras programações culturais da cidade.

Guabiraba não é um bairro de pessoas que concentram muitas riquezas, mas nele nasceram e cresceram gente de talento e habilidades como o internacional Manassés de Sousa, virtuoso músico e exímio violonista com carreira percorrida ao lado de grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB) , a exemplo de Gal Costa, Elba Ramalho, Fagner, Chico Buarque, Nara Leão; Lauriston Trindade, astrônomo e pesquisador , membro da Rede Brasileira de Observação de Meteoros com participação em conferências internacionais; Glaucia Lobo, artesã, ceramista, cantora, alegrando as noites de Maranguape e da Capital; Rick Teixeira, artista plástico; Lambivara, o maior sanfoneiro da história de Maranguape; professor Joelcio Alves, referência na Educação de Maranguape; Moisés Lourenço, músico e radialista com programa de grande audiência na cidade; D. Joana Cavalcante (in memoriam) famosa pelo seu bordado e réchilieu. Desse pé de serra saiu até morador eleito prefeito da cidade por duas vezes.

Foto de arquivo Manassés de Sousa
Origem do bairro Guabiraba – Era uma região muito verde. Uma área coberta de mata com alguns caminhos abertos feitos para a passagem de seus moradores. Um povoado com poucas famílias que utilizavam burros e cavalos como meios de transporte. As casas eram de taipas. As famílias foram crescendo e logo se erguiam mais moradias. Gente que vinha de longe foi se instalando e construindo novas casas. Com o tempo, as residências de taipas deram espaços às casas de tijolos.

O dono da budega era o Sr. Antônio Feliciano, que depois passou o pequeno mercado para o Sr. José Joaquim. A budega foi demolida para dar vaga à Caixa D’água. Como todo brasileiro que gosta de futebol, os moradores criaram um campo para bater bola. Ficava bem no canto da Escola Manuel Severo Barbosa e o espaço foi propício para dar apoio aos circos que chegavam na cidade. Eles armavam a lona e ali ficavam. Assim, a Guabiraba foi se formando e se desenvolvendo.


O nome Guabiraba vem de Guabiroba fruto que faz licor. Procurei saber de moradores da área se era comum encontrar na região para confirmar se a denominação do bairro tinha uma relação com o fruto. O professor de história, Joélcio Alves, que nasceu e cresceu ali, me falou que ouvia moradores antigos como Maria Binga e Antônio Cafute conversarem na calçada com sua mãe, Maria Lúcia, sobre a existência da plantação onde hoje está encravado o Café com Arte, terras do Sr. Albany Lobo (in memoriam) e no trecho correspondente à Travessa Gama. Não consegui mais informações, mas é bem provável que a nomeação venha daí.

As Famílias que deram origem ao bairro – As famílias pioneiras que deram origem ao bairro foram: Maria Amélia Gama, Luiz Paulo da Silva, Maria Sebastiana, Maria Dú, Maria Binga, Antônio Nogueira, Raimundo Martins, Francisco Cafute, Alfredo Brandão, Dona Mundoca, Raimundo Sales, Antônio Saluste, Francisco Paulo da Silva.

Vou ficando por aqui. Aguardem que tenho outras histórias curiosas na ponta da agulha. Feliz 2021 pra todos vocês que me leem e voltam depois para saber das novidades.
Mais fotos que representam a “Guabiraba Amiga”











As lavadeiras de Maranguape

Pouca água corre no Rio Pirapora
Oi gente! Estou de volta ao meu banco de histórias. Nesse tempo de pandemia é preciso gerenciar nossas emoções para reagirmos melhor aos impactos. Hoje, mergulhei nesse texto para o blog buscando minhas energias na coragem dessas mulheres que se entregaram a uma das profissões mais antigas, praticada pelas escravas, mas que no Século XIX reunia principalmente mulheres de classe pobre. O post é um tributo às MULHERES, pelo seu Dia Internacional, 8 de Março, e à memória das “Lavadeiras de Maranguape”, mulheres simples e dispostas, que diariamente embelezavam a paisagem de nossas ruas equilibrando pesadas trouxas de roupa, feito nó, na cabeça com destino às nascentes mais próximas da sede: os rios Pirapora, Pitancó, Gavião, Escorrego e Açude Vavaú. Tinha gente que lavava roupa até debaixo da ponte da Preguiça. Eram imagens bem comuns no cotidiano da cidade.

Antônia Mariano do Santos (Antonieta) era uma das lavadeiras mais conhecidas de Maranguape. Durante mais de 30 anos fez um longo percurso de sua morada, no bairro do Coité, até o sopé da serra.

“Graças à lavagem de roupa criei meus seis filhos e consegui comprar um terreno para construir minha casa”. O marido não tinha emprego fixo. O dinheiro que entrava no bolso dele era de um chamado aqui e outro ali. Na sala de sua casa, sentada na cadeira de balanço, a lavadeira de minha mãe contou como foram seus dias de trabalho com alegria estampada no rosto. “Eu era a primeira a chegar à beira do rio. Levantava cedinho, fazia meu café e saía para pegar as roupas nas casas”. Corpo franzino, pele queimada do sol, o rosto parecia um tomate vermelho. Era assim que eu via a lavadeira que tinha seus dias acertados com as freguesas. Por muito tempo, ela cuidou de nossa roupa. Minha mãe soltava elogios a torto e a direito e repetia sempre: “Quando a “Tonieta” chega na janela, a gente sente o cheiro de roupa limpa e quarada no sol”.
Com mais de 80, dona de uma supermemória, a lavadeira de roupa lembrou como fazia para chegar as águas do rio. Primeiro eu jogava a trouxa por debaixo da cerca. Depois era a minha vez de passar e aí caminhava por uma trilha cheia de mato até chegar no meu cantinho. Cada uma tinha sua pedra. Nós todas respeitava o canto da outra”. Martinha, Dona Ana, Dona Conceição, a chará Antonieta são outras lavadeiras da época que permanecem vivas em sua mente . E quando tudo vira recordação vem os nomes de Dona Maria, Edite e Isa Nunes, D. Vanci, Jacinta Mota, Aparecida, D. Beliza, Teinha Bessa, Nivanda Mota, Zebina, Nair e Valdelice, as freguesas inesquecíveis. Gratidão também para D. Mercês, a moradora da serra que levava merenda para as lavadeiras do rio. “Ela era muito boa pra gente. Enquanto nós descansava, ela ia deixar comida, cafezinho e aí nós lavava algumas roupas dela”, frisou Antonieta.


O famoso Rio Pirapora
Debaixo de sol, debaixo de chuva, as lavadeiras ganharam a vida saindo cedinho e retornando à tarde com toda roupa enxuta, branquinha, cheirando a sabão pavão e de coco, os mais conhecidos naquela época. “Eu lembro as barras grandes de sabão que as patroas entregavam na saída”, disse. Elas trabalhavam em grupo. À beira do rio, sentadas sobre uma pedra, esfregavam as peças, batiam a roupa em outra pedra, colocavam para quarar e depois de dar mais uma esfregada é que colocavam no sol para secar, aproveitando as rochas e cercas de arames. Eu perguntei a “Tonha” se ela gostava do que fazia naquela época. A resposta veio o mais rápido. “Gostava demais. Todas as mulheres pra quem eu lavava roupa pagavam direitinho. Com o dinheiro, eu passava na budega comprava açúcar, café e alguma coisa que estava faltando em casa. Quando eu não ía pro rio pra ganhar meu tostão, eu me aperreava”.

Dona Maria do Carmo dos Santos Ferreira, 93, é outra lavadeira das antigas que hoje está na cadeira de roda por conta da artrose, mas sua memória é excepcional. Ela me contou como levou a vida abraçando o ofício. Casada, mãe de dez filhos é mais um exemplo de mulher valente. Uma combatente que venceu muitas dificuldades e foi a lavagem de roupa que garantiu o sustento da família. A lágrima desceu quando falou do choro dos filhos, porque não tinham dinheiro para comprar caderno, livro, meia e sapato para ir à escola. “Eu tinha de comprar o que comer. Lavei roupa no Pitancó, Pirapora, Escorrego. Todo santo dia saía de casa com menino debaixo do braço. Levava até os que já andavam, porque não tinha com quem deixar as crianças. Meu marido não tinha emprego certo. Foi muito difícil. A vida só melhorou quando meu filho começou a trabalhar na J. Macedo.” Mulher de fibra. Até os 90 fazia suas caminhadas e atividade física nos equipamentos da pracinha. “Se eu fosse boa, ainda estava trabalhando.” Ressalta.

Maria José Braga dos Santos (74). Esta, eu lembro muito bem quando vinha chegando na Major Agostinho com a trouxa de roupa na cabeça. Uma morena esbelta, que chamava atenção quando passava, pois tinha cintura fina, delgada e o bum bum arrebitado, hahaha. Por muito tempo lavou nossas roupas. Acompanhou sua mãe nessa tarefa desde os 15 anos. “ A gente saía da casa às seis e meia da manhã e ficava na porta das patroas esperando para pegar as roupas. Minha mãe tinha clientes certas. Dona Ilca, dona Leide, dona Maria Nunes, dona Edith e pra muita gente chick”, diz cheia de vaidade. “Era tão bom naquela época. Dona Ana e Maria Coco eram as outras mulheres que lavavam roupas no Rio Pirapora. Quando a água estava muito suja, a gente subia mais um pouco a serra”.

A Maria guarda boas lembranças. Ela me contou que enquanto as mães lavavam e esfregavam a roupa na beira do rio, as crianças brincavam de anel, esconde esconde, faziam casinha pegando melão das moitas e se distraíam com a brincadeira preferida das meninas: o guizado. Quando colocavam as roupas para enxugar, as mulheres colocavam as crianças numa roda, contavam suas histórias de vida e explicavam porque a meninada estava ali também. “Naquele tempo, a honestidade predominava. As mães não sabiam muito, mas conversavam com os filhos contando as dificuldades delas”. A Maria José é mais uma Maria que ajudou a mãe e ao marido nas obrigações da casa com o dinheiro da lavagem de roupa superando as dificuldades.
Os caminhos percorridos até os rios– A curiosidade me levou aos caminhos percorridos pelas lavadeiras de Maranguape até as margens dos rios que lhe ofereciam oportunidade de trabalho. Saí em direção ao Pitancó, nome contínuo na boca das lavadeiras. A Maria, cheia de energia, fez questão de rever os lugares por onde passou. Pegamos o roteiro da Ponte da Preguiça, onde também muitas mulheres da área aproveitavam a passagem da água embaixo para lavar as roupas de casa.

Um caminho inspirador. Encontrei uma vila sossegada construída no ano de 1940.

A estrada é um calçamento que forma belo cenário com árvores verdes e muitas folhas secas no chão, decorando a cerca de madeira e arame.

Encontrei na Vila São José a D. Hilda da Costa (86), moradora dali há 40 anos. “Minha mãe lavava as roupas dos filhos e neto ali no rio. O riacho tinha umas cacimbas que eram uma beleza pra gente tomar banho e eu via todo o movimento delas quando chegavam com as trouxas na cabeça”.

Andei um pouco mais tentando encontrar gente que me contasse como era a vida das lavadeiras por ali. Chegamos no Sitio São Paulo, propriedade do Sr. José Oilton e D Silvandira, casal com mais de 90, que desfruta nesse recanto, o silencio da serra e a beleza dos Flaboyants. O Sr. Oilton descreveu assim: “eram duas barragens que ficavam nas terras dos Pratas e Bittencourt. A distância de uma para outra era de 50 metros. Debaixo tinha um lajedo. A estrada era um corredor largo. Era tudo aberto e não tinha proibição para as lavadeiras”. As lavadeiras eram gente humilde que convivia com a família de suas freguesas e sempre deixavam boas lembranças. A filha do Senhor Oilton, Cristina Dias, falou com carinho da Neuza, a mulher que lavava e engomava para a família. “A Neuza morava distante e por isso vinha pra dormir lá em casa. A noite, ela contava histórias bem alegres e de seus antepassados. Eu achava muito bom”. E com um riso no rosto acrescentou! “ A Minha bisavó paterna foi lavadeira também. Ela morava no alto do cemitério e lavava as roupas da mãe do Chico Anysio, D. Aidê, que morava ali pertinho”. Eu gostei de saber dessa história.

O riacho não era só o local de trabalho das lavadeiras, mas também um ponto de encontro, lugar de fazer amizades, de cantar, rir, conversar sobre as histórias de suas vidas; era o lazer para as crianças que acompanhavam as mamis. A lavagem de roupa foi desaparecendo com a implantação das redes de abastecimento e quando as donas de casa foram inserindo a atividade nas tarefes domiciliares. Outros fatores que contribuíram para isso foram o avanço da tecnologia trazendo a máquina de lavar e a criação das lavanderias comunitárias como opção para garantir a preservação e revitalização dos mananciais. De outra forma, promover a geração de emprego e renda para as famílias.

Estamos no Século XXI e aqui estou pra dizer a vocês como me veio a ideia de escrever sobre essas guerreiras. Nesse tempo de pandemia, minha primeira tarefa do dia é assumir a lavanderia de casa para higienizar máscaras e lavar algumas peças que são impedidas de ir à máquina. Estender no varal, recolher tudo isso tem sido esgotante. Imaginem o dia-a-dia de uma lavadeira, depois de um dia de sol, descer a serra com uma trouxa de roupa na cabeça na ânsia de pegar um prato de feijão com arroz!!!! Palmas pra vocês: Antonieta, D. Maria do Carmo, D. Conceição, D. Ana Luiza, Maria José Braga… , pois lavar e cuidar das roupas foi e sempre será uma das mais importantes atividades domésticas.
A todas as mulheres do mundo inteiro FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER, 8 DE MARÇO
Vou deixar aqui alguns clicks feitos no caminho que essas mulheres percorriam diariamente. Amei sair subindo e descendo serra passando por coisas belas, simples e inusitadas.























Domingão com boas lembranças

Olá, como estão? Sigo caminhando na Fé e na Esperança. Tempo…tempo… tempo difícil de incertezas e riscos estamos atravessando. Intrincado até para a gente se concentrar nas coisas que gostamos de fazer. Graças a Deus conto com o incentivo de vocês, queridos leitores, para sobreviver com minhas narrativas. Yay!

Esse post é um resgate à memória afetiva desse gigante branco (foto), prédio onde funcionou a Fábrica Têxtil Gradvhol no período de 1930 a 1959, e depois de decretada falência passou a pertencer ao Grupo J. Macedo, que arrematou em leilão judicial dando um lance mínimo. Em maio de 1963, a Fábrica J. Macedo iniciou suas atividades abrindo as portas para a indústria têxtil, empreendimento mega importante para o Município de Maranguape, no que diz respeito ao emprego de mão-de-obra e ao setor da economia. Suas atividades foram encerradas no ano de 1984. O prédio, encravado na Rua Capitão Jeová Colares (endereço atual), sediou outros investimentos nos últimos anos, mas há poucos dias foi demolido. E uma nova história será escrita ali, naquele terreno. É um novo ciclo que se inicia e tudo indica que trata-se da chegada de uma tradicional rede supermercadista.

As minhas lembranças passeiam pela fábrica de tecido J. Macedo. Do cheiro forte de óleo de algodão que vinha dali de dentro e se espalhava no ar!!! Eu era um dos passantes daquela calçada durante a semana no caminho de volta do Colégio Estadual Anchieta, onde cursei as séries do Ensino Fundamental. Das janelas altas, gradeadas e protegidas com telas, enxergávamos chumaços de algodão e delas saíam os ruídos provocados pelo funcionamento das máquinas. Um barulho que contagiava a rua e atingia a sensibilidade dos ouvidos de quem por ali passava.

A fábrica de tecidos de algodão deixou marcas na vida de muitos moradores da cidade. Ela nos despertava com o apito sonoro chamando seus operários para trabalhar. Esse som que chegava em nossas casas era também um sinal de alerta de que estava na hora de sair para a escola ou de quem tinha de partir para a labuta. A sirene tocava três vezes ao dia. Lembro que era sete da manhã, meio dia e seis da noite. Uma bússola para quem não tinha relógio na parede.

Por morar muito perto da fábrica, muitas vezes vi passar pela minha rua, na hora do almoço, mulheres e filhos carregando marmitas, amarradas com um pano, para entregarem aos familiares empregados na J. Macedo. Tenho esse registro na memória e acredito que muita gente pode contar que viu a mesma cena na rua ou na porta da empresa. Fazia parte da rotina do povo de Maranguape.

A Fábrica J. Macedo era um símbolo. Ela anunciava a chegada do Ano Novo em Maranguape com o apito que demorava aproximadamente 15 minutos. O relógio de pulso ou de parede de nossas casas podiam marcar meia noite, mas todos esperavam a saudação da fábrica para as comemorações da entrada de ano. Essa história tem um valor significativo para minha vida e acredito que reflete à história do povo de Maranguape.

Esta é a primeira série de posts que estou escrevendo sobre a vida do prédio que não está mais ali. A história é muito longa e não dá para contar numa publicação só. São tantas informações que resolvi dividi-la em partes. Sabem o que eu quero com isso? Que Maranguape nunca esqueça o que aconteceu ali, naquele cantinho, há cerca de 60 anos. A relevância que a fábrica têxtil teve para as famílias, para o desenvolvimento e à dinâmica industrial. Na próxima série vou falar sobre os pioneiros, os franceses que chegaram e tiveram a iniciativa de instalar a Gradvhol em Maranguape. Me acompanhe, porque tenho detalhes na entrevista feita com a desembargadora Huguette Braquehais, filha do técnico que veio da França para administrar a fábrica. Bye!
Em breve estarei de volta. Não se percam de mim!
Os pioneiros da indústria têxtil em Maranguape
Bonjour, comment allez-vous? Je vais bien.
Em meados do Século XIX e início do Século XX o Brasil foi alvo de muitas disputas no que concerne a investimentos estrangeiros. Portugueses, britânicos, franceses e judeus buscavam novos mercados e domínios com finalidades econômicas e isso levou a imigração e o estabelecimento de muitos deles em terras brasileiras. De acordo com relatos históricos foi a participação estrangeira que impulsionou o processo de industrialização no Brasil. Por volta de 1930, os ricos empresários Leon Gradvhol e Robert Gadvhol, judeus com cidadania francesa, produtores de tecidos de algodão, decidiram investir no Brasil confiantes no sucesso de uma indústria têxtil.

Cidade de Maranguape
Maranguape foi a cidade escolhida para a instalação de uma fábrica de algodãozinho da marca “Jacaré”, na época muito procurado para sacaria, lençóis e roupas rústicas . A “Fábrica Maranguape” funcionou no prédio edificado na Praça da Estação, hoje Rua Capitão Jeová Colares.

Foto: Fábrica Gradvhol (Cedida do arquivo de Sérgio Roberto da Silva-autor desconhecido)
A cultura algodoeira no Nordeste estava em expansão e contribuiu para as instalações das primeiras fábricas. Com a decisão de montar a unidade têxtil, os irmãos Gradvhol publicaram em jornal francês a notícia da seleção de currículos para a empresa de Maranguape. A vaga era para técnico em engenharia e um dos principais requisitos era o estado civil, solteiro. O francês Robert Joseph Braquehais, já havia contraído matrimônio com Jeanne Georgette Fouiolle, mesmo assim ousou. Não tinha formação superior, mas a prática de auxiliar seu pai que era técnico em tecelagem na região de Normandia, lhe rendeu saber e habilidade. Enviou currículo e participou da entrevista. Foi ele o candidato aprovado e designado para administrar a fábrica de Maranguape.

Foto: cedida pelo neto Robert Braquehais
Atravessar o Atlântico para conquistar o emprego – O desafio foi lançado e o jovem atravessou o Oceano Atlântico sozinho em busca do sonho. Deixou a mulher Jeanne na casa de sua irmã mais velha, na França, com a promessa de que se a experiência desse certo, assinaria o contrato com a empresa e mandaria buscá-la. O destino lhe pregou uma peça quando estava com menos de um ano à frente do trabalho. Robert Joseph foi acometido de Febre Amarela e ficou aos cuidados da mulher de Leon Gradvhol. Nos delírios da hipertermia, o funcionário chamava por sua esposa Jeanne e foi aí que os patrões descobriram o seu verdadeiro estado civil. A Família Gradvhol providenciou a vinda da mulher Jeanne no navio de passageiros. Foram 30 dias de viagem até Fortaleza. Por ironia do destino quando o navio aportou na Capital, os tripulantes ficaram de quarentena esperando o fim da revolução entre as famílias Acioly e General Franco Rabelo. Lá se vão mais dez dias a bordo. Só depois desse período que Jeanne chegou ao encontro do marido. Em Maranguape nasceram os dois filhos, Huguette Braquehais e Jean Robert Braquehais, os netos e foi onde o casal viveu até os últimos dias de suas vidas. A “Madame Jeanne”, como era carinhosamente chamada pela vizinhança, nutriu forte ligação com a cidade. Segundo Huguette, ela repetia: “Marranguape é a terra da minha felicidade”.

O filho Jean Robert com os netos de Robert Joseph
A cultura algodoeira se desenvolvia rapidamente na zona rural e Maranguape tornou-se um dos principais produtores do Estado. A fábrica dos “Gradvhol” acompanhava o ritmo dessa manufatura e adquiria matéria-prima local para a confecção de suas peças. “Eles compravam o algodão após o processo de descaroçamento. Eu lembro que o senhor Walter Lopes tinha uma fábrica de descaroçar algodão bem perto. Ele recebia o produto in natura e quando passava pelo descaroçamento, a fábrica comprava para a produção do tecido”, enfatizou Huguette.
O funcionamento da fábrica – Além de cuidar das questões administrativas, Robert Joseph (o francês de Maranguape) mantinha o olhar para o lado operacional, supervisionava o funcionamento das máquinas, o controle da produção e a confecção das peças de tecidos. No quadro de funcionários tinha mais mulheres do que homens. Elas ocupavam as máquinas de tecelagem. “Eram mulheres que precisavam trabalhar para sobreviver, porque não tinham apoio dos pais e da família e buscavam a vida até na prostituição”. Os homens eram a minoria. Tinham como principal atividade levar os fardos de peças de tecidos, cada uma delas com 20 metros, para cima dos caminhões que faziam o transporte do carregamento até o armazém da família Gradvhol, na Praia de Iracema, em Fortaleza. De lá é que os artefatos saíam para a comercialização e exportação entre os estados. O maior lucro que o algodãozinho da marca “Jacaré” deu à fábrica foi após a Segunda Guerra Mundial. Essa obtenção de sucesso dos negócios foi muito comemorada. “Meu pai organizou uma festa nas instalações da fábrica, animada com a participação de um sanfoneiro, para todos os operários e até nossa família fez parte”, disse Huguette.
A jornada de trabalho era semanal. O pagamento dos operários se dava de acordo com a produção de cada um. O Sr. José Mota era o gerente da fábrica e responsável por essa tarefa. “Homem honesto e de muita confiança de meu pai”, afirmou Huguette. “Todos os sábados, o funcionário Francisco Soares da Silva ia pegar a grana no armazém em Fortaleza e às quatro da tarde, os operários faziam fila para receber o seu pacotinho de dinheiro”.
Produtividade – Comparando aos dias de hoje, a Gradvhol (era assim que o povo chamava) situava-se como uma empresa de produtividade média que por quase 30 anos proporcionou oportunidade à população e ao setor econômico. Acompanhou a política trabalhista da Era Vargas concedendo os direitos e fazendo justiça aos seus empregados que celebraram com alegria a conquista das regras trabalhistas aprovadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A sua trajetória não fugiu à realidade de muitas empresas que entram em situação de crise. Um dos fatores foi a baixa na cultura do algodão. Chegou um tempo em que a fábrica tinha mais despesas do que lucros e a administração não estava conseguindo cumprir as obrigações financeiras em decorrência das dívidas. “Para não decretar falência pediram concordata, acordo com os maiores credores, assim eles iam administrando e se pagando”, observou Huguette. Mesmo na crise, os operários ficaram recebendo salário em dia. Quando o Banco Industrial declarou que não tinha mais condições de reembolsar, a fábrica decretou falência garantindo os direitos dos operários. O empreendimento passou a pertencer ao Grupo J. Macedo, que arrematou em leilão judicial dando um lance mínimo. Foi José Dias de Macedo o único arrematante. O valor arrecadado foi destinado ao pagamento de funcionários e credores. A fábrica têxtil Maranguape do grupo Gradvhol funcionou de 1930 a 1959.

Uma nova história do algodãozinho, marca “Jacaré começa em maio de 1963 com a Fábrica de Tecido Maranguape (FATEMA) do Grupo J. Macedo, mas que também teve o seu final na década de 80. O simbólico prédio ficou por muito tempo de pé numa rua bastante movimentada por veículos e transeuntes, ocultando histórias de desenvolvimento e de vidas de trabalhadores que usaram o conhecimento, a força, a garra e derramaram o suor para juntos construírem um negócio de sucesso. Há pouco tempo foi demolido e nesse terreno terá inicio uma nova história de empreendedorismo. Eu conto para vocês depois, no próximo post da série.

Área que abrigava antiga fábrica
Curiosidade
O Francês de Maranguape
Robert Joseph Braquehais – Viajou para a Europa como voluntário da Segunda Guerra Mundial para lutar pelo seu país de origem contra a tirania nazista. Voltou recebido como herói com todas as honras que a cidade lhe ofereceu. Era um cidadão descontraído. Envolvia-se com as causas sociais e desportivas da cidade. Quando a fábrica de Maranguape decretou falência foi trabalhar em Fortaleza no Restaurante Lido. O ramo não era o seu forte. Assumiu emprego em Sobral numa indústria têxtil, onde permaneceu até ser surpreendido pela doença que lhe levou ao falecimento em 1961, aos 59 anos.
À revoir !
Pesquisa: Web, Professor de História Joelcio Alves, arquivo de Sérgio Roberto (Golinha), site Maranguape Fotos, Livro Juarez Leitão.
Entrevista: com Desembargadora Huguette Braquehais , a quem deixo aqui meus agradecimentos pela colaboração, disponibilidade e atenção.
Sentimentos de afeto e saudade na história da Fábrica de Tecidos J.Macedo
“Todo fim tem um novo começo”. É bem comum ouvirmos esse provérbio no nosso dia a dia e é com ele que vou iniciar o post sobre a transição da Fábrica Gradvhol dos irmãos judeus-franceses, Leon e Robert Gradvhol, para a Fábrica de Tecidos Maranguape S/A (Fatema), da Indústria e Comércio J.Macedo S/A.
Ao decretar falência, no ano de 1959, a Fábrica Gradvhol foi a leilão judicial. O único participante foi o empresário José Dias Macedo. Ele deu o lance e após a batida do martelo foi declarado arrematante do imóvel. Em maio de 1963, o Grupo J. Macedo inaugurava a sua Fábrica de Tecidos Maranguape S/A (Fatema) proporcionando mais oportunidade de trabalho e geração de renda para a cidade. A direção foi composta por: José Dias Macedo, Geraldo Dias Macedo e Fernando Dias Macedo. O cargo de gerente foi confiado a Antônio Gonçalves Moreira que mais tarde se engajou na política de Maranguape a convite do deputado José Mário Barbosa e com o aval de José Dias Macedo. Eleito prefeito para o mandato 1977/1983, Antônio Gonçalves não se desligou da fábrica. Exercia o cargo de Chefe da Municipalidade pela manhã e à tarde gerenciava a unidade têxtil.
O Grupo J. Macedo, pioneiro na indústria do trigo no Ceará com o Moinho Fortaleza processando sua própria farinha de trigo, fazia planos de expansão empresarial. A estratégia era a implantação de novos moinhos em outros estados como Alagoas e Bahia. A aquisição da fábrica funcionaria como um bom negócio, porque com a unidade têxtil o grupo iria produzir tecidos de algodão para sacaria, usada para acondicionar a produção dos moinhos de trigo comercializada pelo país. A obtenção de lucros era a principal meta. Portanto, quanto mais moinhos, mais sacos e consequentemente mais lucros.

Os ventos ainda conspiraram a favor. Trouxe o interesse das pessoas com poucas condições financeiras de utilizar os sacos de algodãozinho na confecção de roupas rústicas e lençóis, isso porque, além de seguir para os moinhos, a Fatema recebia muitos pedidos de sacaria por parte dos donos de engenho. Foi um outro fator positivo que refletiu no ganho dos comerciantes de mercearias. Eles vendiam o açúcar e a embalagem.

Fachada da frente pela Rua Capitão Jeová Colares
Sem experiência em fiação e tecelagem o Grupo J. Macedo mandou buscar operários fora para implantar a Fatema. Vieram homens de Pernambuco, Alagoas e Paraíba com a finalidade de preparar os funcionários de Maranguape. “O responsável pela tecelagem era um alagoano. Foi quem me trouxe de volta para Maranguape, pois havíamos trabalhado juntos na Fábrica Santa Cecília em Fortaleza e ele sabia que eu tinha experiência e curso profissional de tecelão pelo Serviço Nacional da Indústria (SENAI), possuía prática em fiação, maquinário e conhecimento em legislação trabalhista. Fui convidado a ensinar aos operários que estavam sendo contratados”, disse Francisco Nunes de Moura, conhecido popularmente por Chico Caboco ou Chico Maranguape. Ex-funcionário da Gradvhol, de 1952 a 1959, assumiu a tecelagem e colaborava com as ações trabalhistas da empresa. “Eu tinha carta branca do Sr. Antônio Gonçalves e do Sr. José Dias Macedo para resolver todos os problemas de legislação”, pontuou.

Lateral da Fábrica de Tecido pela Rua Capitão Manuel Bandeira
Maranguape era um dos grandes produtores de algodão, o chamado Ouro Branco no Ceará. “Tivemos épocas de muitos pedidos. A fábrica comprava algodão das usinas de Maranguape que era de primeira qualidade. Um tipo de algodão de fibra larga que seguia até para a Europa”, disse Nunes. A Jornada de trabalho era de oito horas, mas para atender um maior volume de pedidos, num determinado período, foi preciso escalar os operários em dois turnos de doze horas cada. “O que gerou muito falatório entre eles. Negociei com o patrão e assim garantimos a merenda extra para os colaboradores do turno da noite e melhoria salarial. Deu certo. Entregamos a demanda antes do prazo estabelecido e voltamos ao horário normal de oito horas”. Ainda segundo Nunes, foi num desses momentos de discussão que o Sr. José Dias Macedo chamou-o e perguntou se não estava na hora de fundar um sindicato de fiação e tecelagem em Maranguape, ao qual daria todo o seu apoio.

A fábrica vista pela Rua Chico Anísio
A fundação do sindicato seria uma mão na roda para solucionar de imediato as questões laborais que eram resolvidas em Fortaleza ou através de ofício enviado ao juiz do Trabalho de Maranguape. Em 1968 nasceu o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Maranguape (mais tarde englobando Maracanaú), com sede na Rua Dom Joaquim, cujo aluguel ficou sob a responsabilidade da J. Macedo até o ano de 1974. “Logo associamos operários, pois havia um grande polo de fábricas de fiação e tecelagem em Maranguape”, comentou Francisco Nunes. O contramestre de obra da Fatema, Ribamar Lima, também fez parte do sindicato e lembra: “quem entrava na J. Macedo assinava a proposta de sócio do sindicato com contribuição obrigatória de 1% do seu salário”.


Solenidade de posse da diretoria do Sindicato em 25 de outubro de 1972

Posse da diretoria do Sindicato em 25 de outubro de 1975
Francisco Nunes ocupou a presidência do sindicato por 20 anos; vice-presidência por 16 anos e esteve nove anos como diretor de Educação e Previdência Social. Quando foi nomeado interventor do Círculo Operário de Maranguape e por este trabalhar em conjunto com as organizações sindicais, Nunes decidiu que os dois iriam funcionar em uma única sede, e assim entregou a chave da casa a J. Dias Macedo. “Sempre houve uma boa relação entre a empresa e o sindicato que lutava pelos direitos dos empregados. O clima era de confiança ”, arrematou Nunes.

Solenidade de posse da diretoria do Sindicato em 1978
Capacitação profissional- Os operários da Fatema recebiam capacitação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI). O órgão preparava mestre e contramestre para melhor desempenho de suas atividades. Ribamar foi um dos funcionários que teve a oportunidade de auferir conhecimento na empresa. Arrimo de família, ingressou aos 13 anos no trabalho. Por conta da idade não tinha carteira assinada, mas batia ponto, assinava folha e contribuía com o INSS. Começou na varrição do prédio, mas com vontade de aprender , aproveitou o tempo dentro da fábrica treinando várias funções. Quando terminou o Segundo Grau em Contabilidade sonhou em montar um escritório autônomo, mas agarrou a chance que a Fatema lhe deu para fazer um curso de Operador de Mestre, num período de seis meses, em Recife. Representou a empresa com brilho sendo destaque Norte/Nordeste entre os 42 participantes. Qualificado passou a administrar 58 tears (aparelho mecânico para fins de tecelagem), metade dos existentes na fábrica, chefiou operários sempre atento para garantir a disciplina e a produtividade. Como ele, outros operários também tiveram a possibilidade de melhorar sua performance na “MÃE MACEDO”, pois é assim que os ex-funcionários evocam à empresa que deu a mão e ajudou a sustentar muitas famílias no Município, tratando o trabalhador com respeito e humanização. Aplausos para o gerente Antônio Gonçalves Moreira, patrão refinado que sabia lidar com maturidade às causas da empresa,. “O Sr. Antônio Gonçalves nunca chamou atenção de um funcionário antes de saber o que tinha acontecido”, disse Socorro Mendes Benevides, que esteve na fábrica de tecidos como escriturária e tesoureira no período de 1972 a 1984.

Família que recebeu o apoio do ex-contramestre da Fábrica de Tecidos Maranguape S/A , Ribamar Lima (blusa listrada),
Linha de Produção- De acordo com Francisco Nunes, a Fatema chegou a compor um quadro de até 500 funcionários. Era uma fábrica de média produção onde trabalhadores executavam tarefas manual e com ajuda de máquinas. Tinha nove filatórios de anéis (Aparelhos com que se formam os novelos para fiação) cerca de 100 máquinas de tecelagem instaladas e posteriormente foram adquiridos mais 16 equipamentos modernos. Fabricava tecido em tela com fios 16, 12, 08 e fio 20, este último da marca Jacaré. A produção seguia com destino à Capital e para os estados onde estavam instalados os moinhos da rede. Quando a unidade têxtil encerrou as atividades funcionava com o operacional trabalhando em três turnos: primeiro turno – de 6h às 14:15h; segundo turno – 14:15 às 22:30h; terceiro turno – 22:30h às seis da manhã.
Integração – Os funcionários da Fatema eram integrados as outras empresas do Grupo J. Macedo, instaladas na Capital ou cidades mais próximas. “Eu treinava voleibol em Fortaleza no Colégio Imaculada Conceição, porque na fábrica de Maranguape não existia a modalidade. Tínhamos o consentimento para fazer parte das atividades de esporte e lazer junto aos profissionais contratados por outras empresas do grupo . Da mesma forma, os rapazes que jogavam futebol de areia treinavam fora de Maranguape, enquanto não contavam com um campo. Nós tínhamos um carro à disposição para nos levar e trazer de volta e era assim que participávamos dos campeonatos das indústrias”, declarou Socorro Mendes. “Foi lá que vivi a melhor experiência de trabalho. Diariamente fazia contato com 32 agências bancárias identificando operações, mudanças de cotações e outros tipos de movimentação financeira. Em seguida, fazia contato com o pessoal do grupo em Fortaleza. Foi um tempo de muito aprendizado”. A sorte andava com ela, pois Socorro ganhou até título de beleza na fábrica, eleita Rainha da Fatema nos anos de 1975 e 1976. Representou a empresa no concurso “A Mais Bela Industrial do Ceará” e nos respectivos anos ficou em segundo lugar. Em 1975 trouxe o título de Princesa do Ceará e em 1976 foi agraciada com a faixa de Miss Simpatia.

A ex-funcionária Socorro Mendes na passarela do Concurso A Mais Bela Industrial do Ceará
O Time da Fatema– “O primeiro arador do Campo do Nilo foi o time da Fatema. Retiramos a mata, colocamos as traves para as partidas e treinos e assim, o campo ficou acessível à comunidade”, enfatizou Ribamar. Na inauguração do primeiro Ginásio Coberto de Maranguape na gestão do prefeito Jose Gurgel Filho, mandato 1973/1976, o time da J. Macedo participou do Torneio de Futebol de Salão sagrando-se campeão. A equipe venceu o Maranguape Tênis Clube com o placar final de 5 x 3. Além de levar a taça foi premiado com o melhor artilheiro.

O time de Futebol de Salão da Fatema
As datas comemorativas- Estas faziam parte do calendário da empresa e do sindicato como forma de manter a interação, o estímulo, a motivação e sobretudo reconhecer a valorização dos empregados. Uma boa maneira de promover o engajamento da família Fatema.

A Festa de 1º de Maio, Dia do Trabalho – Por muitos anos, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Maranguape e Fatema estiveram juntos nas comemorações do 1º de Maio, Dia do Trabalhador. O encontro reunia funcionários, membros do sindicatos, autoridades municipais e outros convidados. O momento era de reflexão, integração e agradecimentos.




Celebração do Dia do Trabalho pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Fiação e Tecelagem de Maranguape e Fatema
Aentrega dos “Broches de Ouro” – Comenda do Grupo J. Macedo para agraciar operários que completavam 10 anos de empresa. A solenidade especial se repetia a cada 10 anos.


Francisco Nunes eleito Operário Padrão em 14 de agosto de 1966. Momento da festa
A confraternização de Natal dos funcionários – Como em toda empresa, a festa de fim de ano era muito esperada. A J. Macedo presenteava seus operários com uma cesta básica e uma rede. Um jeito caloroso de agradecer seus colaboradores pelo trabalho e esforço conjunto durante o ano.
Responsabilidade social com a comunidade local – Mesmo numa época em que empresas ainda não apresentavam muita importância para o desenvolvimento da responsabilidade social, a J. Macedo já cumpria o seu papel praticando ações que geravam benefícios, balizando seu relacionamento com a comunidade ou como patrocinadora ou apoiadora dos eventos sociais e movimentos de escolas. A educadora Mena Nunes testemunha que quando a direção do Colégio Estadual Anchieta realizou uma gincana para angariar material de expediente, porque na época não existiam projetos financeiros para compra de material, a sua equipe “Bandeira 2 “foi na Fatema pedir contribuição ao Sr. Antônio Gonçalves. “Ele fez a doação de uma boa quantidade de algodãozinho para a gente vender e com o dinheiro comprar as resmas de papel, uma das tarefas da gincana. Nós, estudantes e os organizadores de eventos, sempre contávamos com a J. Macedo na hora que precisávamos de tecido para cobrir passarelas de desfiles de rainhas, faixas para pedágios e divulgação de festas”, ponderou.
A conquista do SESI- “A vinda do Serviço Social da Indústria (SESI) para Maranguape foi uma luta da Fatema. O propósito da fábrica era garimpar uma escola para funcionários e filhos de funcionários. O SESI, órgão ligado às indústrias, oferecia essa prestação de serviço. Foi uma grande conquista”, disse Ribamar Lima. Todos os operários tiraram a sua carteirinha que garantia também o direito a dentistas e médicos conveniados.
A Vila J. Macedo – De acordo com Francisco Nunes, após à implantação da fábrica, a prioridade foi criar a Vila J. Macedo para abrigar os operários que vinham de outros estados com o objetivo de treinar o pessoal de Maranguape. Construir as casas era muito mais vantagem do que investir em aluguel e era a decisão de muitas indústrias na época. Foram edificadas 32 residências com fundos correspondentes. Quatro blocos de oito casas com frente para Norte e Sul. A Vila Amarela eram formada por quatro casas grandes designadas aos profissionais de alta escalão. As demais, habitações menores, foram padronizadas com as cores branca e cinza. Ficaram reservadas para a mão de obra especializada. Não se pagava aluguel, apenas era descontada uma taxa de 20% sobre o salário do funcionário.

A única casa modelo padrão da Vila J.Macedo existente no bairro Parque Iracema
A pedagoga Ivanilda Lima, irmã do contramestre Ribamar, falou de forma apaixonada dos anos que viveu na vila. “Fiz muitas amizades lá. Lafayete, Orner, Célia Paz, Altaíza, Socorrinha, Janete, Nadir, Tereza do Antônio Gonçalves e as filhas do Zequinha Gadelha eram nossos vizinhos. Era muito bom. Vivemos momentos inesquecíveis nas brincadeiras de calçada e nos dramas apresentados na garagem das casas grandes. A gente cobrava até ingresso”, deu risadas. A tranquilidade da vila, as casas bem estruturadas e bem conservadas garantiam o bem estar dos moradores. “Eles tinham muito cuidado com a manutenção das casas. Ficava até um senhor disponível para fazer os serviços de capina e alguns consertos quando necessário”, observou Ivanilda. Quem também lembrou com muita saudade do tempo que residiu na vila foi Socorro Mendes. “Quando casei fui morar lá. Um lugar tranquilo. Me arrependo muito de não ter comprado uma daquelas casas”, frisou.
A Vila J. Macedo era formada por moradias baixas com porta estreita e duas janelas numa rua de calçamento. Uma vila sossegada e habitada por gente simples, que cultivava a amizade e cumplicidade. Ana Tércia morava nos terrenos dos Cariocas, bem próximos aos domicílios e fez questão de salientar a importância da Vila J. Macedo para as famílias do bairro. “Era uma referência, porque lá só moravam ilustres profissionais”. Mencionou os nomes de Zequinha Gadelha e Antônio Gonçalves como cidadãos de bem. “Eles viam sempre a necessidade das pessoas e gostavam muito de ajudar”, evidenciou.
Quando a Fábrica de Tecidos Maranguape cerrou as portas, as casas foram expostas à venda e perderam às características arquitetônicas do projeto executado pelo Grupo J. Macedo, devido às obras de reforma. A curiosidade me levou até ao bairro Parque Iracema, para ver se encontrava resquícios da Vila J. Macedo. Pois não é que me deparei na Rua João Mendes Vasconcelos com a casa da D. Aila de pé com seu passado histórico escondido entre muitas outras construções modernas que cresceram tanto no sentido vertical como horizontal! E para minha surpresa , o Sr. Edvar Ramos Xavier, ex-operário da J.Macedo estava ali, batendo numa porta e graças a sua curiosidade consegui essa foto abaixo. O Sr. Edvar ficou todo feliz quando eu o convidei para o registro. No caminho ele me falou: “Sai da J. Macedo para a Chenosa, mas depois voltei atrás. Ave Maria, era muito bom trabalhar na J. Macedo. Ali, eles sustentaram muitas famílias de Maranguape”, disse.

Sr. Edvar Ramos , ex-funcionário da J. Macedo de Maranguape
A Vila J. Macedo não foi só a vila dos funcionários que trabalharam na fábrica, mas é a história da Ivanilda, da Nadir Viana, da Célia Paz, da Gorete Araújo, da Eugênia Carioca, da Socorro Mendes, da Jacinta Mendes, da Ana Tércia e de muitas outras pessoas que guardam lembranças e saudade dos bons tempos vividos lá.
A desativação da Fábrica de Tecidos Maranguape – “ A Fábrica de Tecidos do Grupo J. Macedo, atrelada ao Moinho de Trigo Fortaleza, vivia do lucro. Quando surgiu o saco plástico (poliéster) 50% mais barato do que o saco de algodãozinho, a Fatema enfrentou dificuldades. A produção foi caindo e o interesse da clientela também. O grupo não tinha condições de concorrer com a novidade”, explicou o sindicalista Francisco Nunes quando perguntei sobre o fechamento da unidade têxtil. “Fernando Macedo assegurava: a empresa não roda para dar prejuízo. Até para empatar, roda”, enfatizou. Outro comentário que ouvi de ex-funcionários é que o remate da unidade foi consequência, também, do comprometimento com empréstimos agrícolas, que apresentavam proposta de juros mais baixos, para cobrir necessidade de outras empresas do grupo.

Fachada da fábrica pela Rua José Fernandes Vieira
“A certeza é que a empresa não faliu. Fechar foi a decisão, mas antes, eles tentaram um acordo com o Exército e Forças Armadas para fabricar o brim das fardas dos militares. Pensaram num parque industrial transformando toda área da fábrica até à Estação Ferroviária, mas não deu certo”. A J.Macedo nunca fechou juridicamente. Ela simplesmente foi desativada e continuou como patrimônio do Moinho de Trigo Fortaleza. “É tanto que ela ficou representada como Fábrica de Tecidos Maranguape Moinho Fortaleza”, salientou Francisco Nunes.
A Fatema teve papel significativo na economia do Município, abriu muitas oportunidades para trabalhadores, garantiu a sustentabilidade social e alimentou muitas famílias como a da lavadeira Maria do Carmo que respirou mais aliviada quando o filho Elizeu começou a trabalhar lá. O Sr. Francisco Paz de Oliveira (Sr. Paizinho,92) foi outro operário têxtil que nutriu a vida de sua família com a renda da unidade têxtil, onde trabalhou de 1968 a 1979. ”Quando a fábrica fechou muitos pais de famílias ficaram desempregados e sem moradia, pois os funcionários que viviam na Vila J. Macedo tiveram que entregar as casas. Na época só existia a J. Macedo e Chenosa. Ficou muita gente sem emprego e renda”, concluiu.


Sr. Francisco Paz de Oliveira e sua página da Carteira de Trabalho assinada em 1968 pela Indústria e Comércio J.Macedo S/A
A sede – O prédio onde funcionou a Fábrica de Tecidos da J. Macedo, construído em 1925, demolido há cerca de três meses, sediou a Dakota Nordeste S/A, a Chapa Perfuradas Nordeste (CPN) e a Fábrica de Confecção IMB Lingerie. Pelo lado da Rua José Fernandes Vieira, se instalou um depósito de bebidas. Do Gigante da Rua Chico Anísio, restam só lembranças ilhadas de sentimentos de amor, amizade e saudade de quem derramou seu suor por muitos anos dando tudo de si por uma causa nobre. Agora é a vez do novo. Toda a área está cercada com placas de alumínio. No interior do terreno dá para ver a máquina removendo a terra. Tudo indica que se trata de prédio comercial. Vamos aguardar e ver o que vai brotar ali. Que seja um negócio de sucesso!!! Ficamos na torcida.


A demolição do prédio construído em 1925
Eu, fico por aqui com o coração contagiado de sentimentos ao ouvir um misto de lembranças boas e saudades por parte das pessoas que entrevistei, e claro, as minhas eternas recordações da Fábrica J. Macedo : o cheiro forte de óleo de algodão, os fios brancos enfeitando as janelas altas, os ruídos provocados pelo funcionamento das máquinas, o seu apito rotineiro e mais especialmente na passagem do Ano Novo . Digamos que ali existiu um império do Ouro Branco por cerca de 60 anos, englobando os tempos da Gradvhol e J.Macedo.
Reflexão: Se o prédio passou tantos anos sem receber os cuidados e se foi tombado não importa mais. O que quero é contar e deixar o registro de uma história de luta, trabalho, desenvolvimento e sustentabilidade que a Fábrica J. Macedo proporcionou em Maranguape; a sua permanência no contexto da sociedade e o forte significado amarrado nas famílias que tiveram a oportunidade de criar seus filhos, realizar sonhos e objetivos trabalhando e otimizando sua renda. Que os 21 anos de atividades e de convivência com a comunidade local não sejam esquecidos com o desaparecimento de sua estrutura gigante. Esse foi o mesmo destino de outras empresas que se instalaram em Maranguape e tiveram vida curta. Fica a nossa indagação: Por que os empreendedores desistem dos negócios e buscam outras cidades como melhor alternativa? Será que falta mão de obra especializada? Ou a cidade não oferece apoio aos empresários? Poderíamos ter tido um futuro melhor se tudo tivesse dado certo desde muito tempo atrás. Teríamos hoje uma grande cidade com mais geração de renda, mais gente com emprego certo, melhores condições de vida e acima de tudo, um POVO MAIS FELIZ.

Entrega da Carta do Sindicato feita pelo Delegado do Trabalho Dr. Vicente Neto

Vila atualmente

A Vila J. Macedo hoje
Matérias publicadas




Agradecimentos:
Entrevista Francisco Nunes de Moura – ex-funcionário da Fatema, presidente do Sindicato dos Trabaladores de Fiaçãoe Tecelagem
-Entrevista Socorro Mendes – ex-funcionária da Fatema
-Entrevista Ribamar Lima – ex-funcionário da Fatema
-Entrevista com Edvar Ramos – ex-funcionário da Fatema
-Entrevista Ivanilda Lima
-Entrevista Mena Nunes
Entrevista Tércia Carioca
Entrevista Sr. Francisco Paz de Oliveira
-Gratidão à Sandra (que ajudou a localizar a única casa da Vila J. Macedo- modelo padrão)
-Gratidão à Sandra Moura (filha do Sr. Francisco Nunes por intermediar o contato com o pai)
-Livro : Evolução dos Sindicatos no tempo (Ricardo Pocinho) –O sindicalista Francisco Nunes de Moura ( Chico Caboco/Chico Maranguape). A Memória Viva de um dos Maiores Sindicalistas Vivos Brasileiros
-Arquivo de Sérgio Roberto da Silva
Obs: As entrevistas foram realizadas via Zap por motivo da pandemia exceto Sr. Francisco Nunes de Moura.
Fotos: Cleneide Nunes, arquivo do sindicalista Francisco Nunes de Moura, arquivo de Sérgio Roberto da Silva (Golinha),arquivo de Socorro Mendes, foto cedida por Henilton Travassos.
Arvoredo Bar no compasso da elite cultural de Maranguape
Arvoredo é um lugar plantado de árvores. Pelo visto nada aleatória a escolha do nome Arvoredo Bar, encravado num terreno de muitas árvores à beira de um riacho que passa ao lado com a agua que desce da serra molhando folhagens e com aquele barulhinho que traz o som da natureza. O espaço cercado de colunas com toda sua simplicidade era um lugar aconchegante. Ambiente agradável e bom atendimento, características essenciais para satisfazer e fidelizar o freguês. Era assim o bar do Zé do Silva que funcionou por muitos anos no pé da serra de Maranguape, no canto do Botequim de seu pai Sr. Raimundo Silva Cavalcante. Os frequentadores era gente que gostava da boa música, comida com sabor caseiro, do frescor da serra, de conversa bonita e de um recanto mais apropriado para relaxar os músculos da tensão de uma semana agitada de muito trabalho.

José Silva Cavalcante, mais conhecido por Zé do Silva, trabalhou como taxista e em incubatórios de granjas, mas tinha um sonho para viver; um sonho cheio de esperança que um dia deu certo. Ter o próprio negócio era tudo o que queria. Foi no ano de 1991 que tornou esse desejo uma realidade. Ganhou uma milhar e com ela no dia seis de abril do ano supracitado abriu as portas do Arvoredo Bar na subida da serra da Pirapora. Ponto estratégico para pegar os visitantes, aventureiros de trilhas e banhistas que passavam para conhecer e deliciar-se com as cascatas e bicas, mas não foi essa a clientela que ele puxou para dentro de seu negócio. A freguesia que se formou ali, logo no início tinha a cara do samba, da Bossa Nova e Música Popular Brasileira (MPB).


Nonato do samba, Zezinho Maciel, Manuel Cabral, Jadiel, Alves, Moisés Lourenço, Joãozinho do Macário, Terezinha Macário foram os primeiros fregueses a se encostarem no Arvoredo Bar. E você quer saber qual foi a primeira família que sentou para um almoço, ou melhor, degustar uma feijoada no Arvoredo? Te respondo agora. Foi Dr. Napoleão Lima Lopes com a mulher Madalena e os filhos. O bar atendia de sexta-feira a domingo. O dono não cedia à música ao vivo, só abria alas para uma especial batida de violão do Manuel Cabral, cliente amigo que não fazia falta no final da tarde. “O Zé dizia que no dia que tocasse forró no Arvoredo a caixa de som, pendurada na parede, caía. Num belo dia chegou um casal e pediu pra colocar o forró apimentado dos anos 90. Para não fazer desfeita aos visitantes, ele atendeu ao pedido. Por ironia do destino a caixa caiu”, relatou Joelcio Alves, frequentador assíduo e amigo de muita prosa do dono do bar. “Zé do Silva dizia que a música no ambiente era para embalar a conversa”, frisou .


A cerveja estava sempre geladinha com cara de mofada. O cardápio diferenciado com opções simples e temperinho caseiro valorizando os pratos. A carne do sol era o carro chefe da cozinha do Arvoredo Bar, mas se sobressaiam o vatapá de sardinha com cenoura, carneiro cozido, peixe frito e ao molho, sarapatel, feijoada aos domingos, filé medalhão e a galinha caipira. Eram certas as encomendas das marmitas do almoço de famílias nos dias de domingo. O atendimento era Vip e com muita precisão para o freguês se sentir bem atendido.

“O Arvoredo Bar era a vida de meu pai. Ele gostava muito de música popular e Bossa Nova. Gostava de conversar, cantar e tocar gaita. Tinha uma boa convivência com seus fregueses. Ficava com o bar aberto até o último cliente”, declarou a filha Cecília. A cozinha era nas mãos da Estela e da Célia. O Iran, que recebeu de um grupo de rapazes, o apelido de “pelelouê”, era o garçon que ajudava servir as mesas. A Estela (56) chegou menina na casa do Zé do Silva e até hoje mora com a família. Disse que aprendeu a cozinhar com a Dolores. Eu perguntei qual o segredo da comida feita no Arvoredo, ela respondeu com toda felicidade deste mundo: “não tem segredo. É o prazer de cozinhar e fazer com boa vontade”. E contou: “um dia, Manassés trouxe uma amiga aqui para comer a cabidela do Arvoredo e quando eu passei, a moça perguntou se era eu quem cozinhava. Ela fez muitos elogios ao prato que foi servido, dizendo que era de primeira. Eu fiquei morta de feliz”, ressaltou.

“O Zé conhecia o cliente. Ele foi um anfitrião”, declarou Joélcio, um dos componentes da Mesa Nº1, batizada assim, carinhosamente, pelo proprietário por sentarem sempre juntos, nunca em mesas diferentes. Vlamir, Aécio, Celinho e Joelcio batiam ponto lá todas as sextas-feiras, sábados e domingos às 11 da manhã. “Eram conversas fantásticas, principalmente quando chegava Dr. Alfredo Marques para falar da política. O momento ficava mais acalorado ainda, com as presenças dos amigos Luiz Alberto, Rubens e Adelaíde”, observou Joélcio. “Ah, uma coisa. O Zé era quem fazia os nossos petiscos. Ele sabia a sequência dos tira gostos”.

Eu fiz questão de ouvir o quarteto da Mesa Nº1, porque quero com esse post selar os melhores momentos do Arvoredo Bar. Saí atrás do Celinho e graças a Deus ele foi bem receptivo. “A figura carismática do Zé fazia a diferença. A comida caseira da Célia era sem igual. Arvoredo era interação de gerações e a certeza do encontro com os amigos. Não precisávamos combinar nada. A gente já ia na certeza de encontra-los lá”, disse Célio Cavalcante Filho (Celinho) ao relembrar os bons tempos do bar. “Eu fui o autor da adaptação do feijão no cardápio do bar, um dos pratos que pedia sempre e não estava no menu, mas foi pegando, os outros foram pedindo e o Zé acabou acatando a sugestão”, ressaltou.

As entrevistas sobre o Arvoredo Bar foram se esticando. Numa conversa e outra sempre surgiam nomes de clientes que não faziam falta por lá e tinham boas confissões a fazer. Em tempo de pandemia a gente usa as redes sociais e aí consegue encontrar as pessoas com mais rapidez. Foi o caso de localizar a Meire Braga e Elisa Sá, figuras sagradas no almoço das sextas-feiras no Arvoredo com o grupo da Secretaria de Saúde. “Dr. César Franco, Dr. Sales Costa, Rubens Barbosa, Dra. Eliane, Elisa, Luiz Alberto e eu tínhamos um pacto de não falar de trabalho à mesa, só se fosse de coisas engraçadas. Rolavam muitas histórias do passado e o Zé ficava ali por perto morrendo de rir de nossas conversas. Depois do almoço uma cervejinha e assim ficávamos até o final da tarde. Era um lugar de jogar conversa fora. Muito gostoso”, disse Meire.

A Elisa completa: “no Arvoredo tínhamos o privilégio de tomar uma cerveja bem gelada ao som do violão do Cabral. A acolhida do Zé, a boa música, sempre MPB, as histórias do Município, as delícias da Dolores, o maxixe ao molho branco, o ovo de galinha caipira, que acompanhava o baião de dois, e o encontro de amigos até o bar fechar. Tens noção do que era?”
O Arvoredo Bar entrava nos planos das pessoas no meio da semana. A farmacêutica Eliana Abreu disse que quando chegava quarta-feira, a amiga Ana Célia (in memoriam) já ligava para ela programando o final de semana no Bar do Zé do Silva. “ Ih! Ele sempre ia a nossa mesa conversar e às vezes até sentava. Recebia os fregueses como um pai acolhe um filho. Anotava os pedidos e quando nós éramos servidos, ele vinha confirmar se estava tudo bem. Até hoje tenho gravado o jeito que o Zé chegava colocando as mãos sobre as mesas. Era um cidadão fechado, mas sabia conversar com as pessoas que chegavam lá”.

O Aécio e o Vlamir Oliveira também não escaparam de minha curiosidade sobre o tempo de funcionamento do Arvoredo Bar em Maranguape, pois com certeza eles tinham alguma história de momentos especiais vivida ali. O Aécio foi pragmático. “A minha melhor lembrança é do encontro certo que tínhamos com os amigos, as amizades feitas com pessoas que tinham valores e vontade de se confraternizar. A saudade é a ausência do bar e de tudo isso. A vida vai levando a gente por cantos diferentes, vamos convergindo e se polarizando mais na família”, acentuou.
O Vlamir disse que foi um tempo marcante, acha até que, ele, Aécio e Joélcio começaram a frequentar o bar desde o ano de 1993. “A melhor lembrança que eu tenho do Arvoredo era de desfrutar da companhia dos amigos, da boa música, da cerveja gelada, da comida caseira e de realmente se sentir em casa. No Zé a gente se sentia acolhido”, enfatizou. Sabe aquelas palavras que a gente vê em algum canto e elas perpetuam em nossa memória? O Vlamir não esqueceu a mensagem que o Zé do Silva pintou na parede de seu comércio “Aqui tem um pouquinho do seu lar”. E foi exatamente por isso, pela boa acolhida, estar de braços abertos sempre para receber os seus fregueses e fazer do bar a extensão da casa de cada um, que restaram essas boas recordações do Arvoredo Bar.

Difícil encontrar uma pessoa da cidade que não lembra desse barzinho agradável, bem íntimo da elite cultural de Maranguape. Mariazinha Vasconcelos, Helena Neyla, Verônica Cavalcante, Célia Frota, Raquel Abreu, Mazé dos Santos, Lourdes Barbosa, Joyse Aquino, Aracy Viana, Glaúcia Lobo também guardam memória afetiva dos bons tempos do Arvoredo Bar. Nessa época mais nostálgica e saudosista que estamos vivendo podemos ter a certeza que no tempo do Arvoredo éramos felizes e não sabíamos. A conversa era cara a cara e olho no olho. Era um luxo o encontro dos amigos. Estavam sempre mais próximo um do outro. O celular ainda não dominava as mesas, prova é que foi difícil encontrar uma foto para postar aqui e a que consegui não foi de nenhum aparelho por ondas eletromagnéticas. Não que seja contra. Sei da importância do celular hoje, como uma tecnologia essencial que oferece uma série de utilidades e facilidades, mas a verdade é que nos aproxima de quem está longe e nos afasta cada vez mais dos que estão perto, isso porque não aprendemos a utilizar.

Vou ficando por aqui deixando a minha gratidão a todas as pessoas que ajudaram a reconstruir o caminho que tomou o Arvoredo Bar durante todo o período que esteve aberto ao público.

“Refletir sobre a memória é valorizar o passado e seus legados, é ser sujeito da construção da história, e isso, é um pressuposto básico para o exercício da cidadania”.
Vejo vocês em breve com a história do Horto Florestal de Maranguape.
.
Occasionally, some of your visitors may see an advertisement here,
as well as a Privacy & Cookies banner at the bottom of the page.
Você pode ocultar estes anúncios completamente ao fazer upgrade para um de nossos planos pagos.
Navegação de posts
!






































































































































































































































































































































































































































































