As mil e uma faces da Major Agostinho

O tema desse post já foi premiado com milhões de acessos nas redes sociais. Sua fama se espalhou ao redor do mundo com o bordão “Arrasa na Major” da digital influencer, Camila Morgana. Estou falando da Rua Major Agostinho, uma das principais do Centro de Maranguape. Ela é também chamada de “Corredor Cultural” por abrigar , de uma ponta a outra, prédios históricos patrimoniais que mantêm suas portas abertas para a arte e à cultura.

 

A Major Agostinho homenageia o notável e revolucionário Agostinho Pinto de Queiróz, nascido no Estado do Rio Grande do Norte e que combateu Pinto Madeira na fronteira com o Ceará. Está situada paralelamente a duas outras importantes e conhecidas ruas: Coronel Manuel Paula e 13 de Maio. A vista de quem está na Major Agostinho é uma das mais bonitas. Dá para buscar inspiração na beleza da atraente serra verde, superparecida com um enorme tapete de parede, felpudo, disposto na posição vertical,  fechando o caminho.

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Duas ladeiras e dois quarteirões planos . É essa a sua cara.  Na “Rua do Alto” residem moradores antigos como Dona Helena Mesquita, Edite Cavalcante, Julita, e na casa da esquina, Nega e Nem, herdeiras do tão conhecido Pedro Chofer (in memoriam). A via é comprida. Atravessa as ruas Napoleão Lima, Capitão Manuel Bandeira, Coronel Afro Campos, Dr. João Bezerra e Domingos Façanha. É bem por aí onde ela se encerra.

 

 

A rua é arborizada com Pau Branco, Nim e Jambo. Se  é tranquila? Nem tanto. De acordo com as normas de trânsito é via de mão única onde é permitida a passagem de veículos no sentido subida, mas mesmo assim registra intenso fluxo de carros circulando até altas horas. O que mais incomoda aos moradores  é a imprudência, o excesso do limite de velocidade numa rua residencial, estreita e que serve de estacionamento para fregueses e clientes de bares e restaurantes instalados nas ruas adjacentes.

 

O passado e o presente caminham juntos na  Major Agostinho transportados na preservação da arquitetura colonial dos prédios tombados, na influência portuguesa das casas de azulejos e na arquitetura contemporânea das moradas que recebem reformas, do comércio que avança com restaurantes, pizzarias, lanchonetes, academias e salões de beleza.

 

Uma rua de casas conjugadas, de pessoas solidárias onde um vizinho bate na porta do outro; uma rua onde se preserva o velho hábito de colocar a cadeira na calçada para botar conversa em dia; uma rua de muitos passantes, caminho certo de quem vai para a missa aos domingos, de quem sai para fazer compras no centro comercial, de quem quer passear na Praça Capistrano de Abreu e por onde passa o grupo de reisado. Uma rua de poucas crianças, de muitos adultos, de senhoras com mais de 80, como Dona Ilca Santos, com mais de 90, como Maria Nunes, Helena Mesquita , dona Maria Façanha, dona Elha e de gente com mais de 100 anos, como a Dona Estela Bastos, todas moradoras clássicas do pedaço.

 

Não é nenhuma Rua da Fama, mas foi cobiçada para a morada de personalidades que deixaram marcas no Município pelas suas contribuições na religião como o Monsenhor Mauro Braga Herbster; na medicina – Dr. Argeu Herbster e Napoleão Lima Lopes; nas artes – Antonio Bayma; no bordado artesanal – Nair Matos; na política – Cel. Antônio Botelho (deputado e presidente da Assembléia do Estado), deputado estadual José Mário Mota Barbosa e prefeitos Dr. João Bezerra, Manoel Severo Barbosa, Humberto Mota, Alcindo Mota, Marcelo Silva e Eduardo Gurgel.

 

A Rua Major Agostinho do Cinema Maragoa, do Teatro Pedro Gomes de Matos (que nada mais resta), da Artística Maranguapense, do Solar do Bonifácio Câmara, passarela dos desfiles cívicos de 7 de Setembro, das passeatas de estudantes, trajeto das procissões e roteiro de visitas dos grupos de turistas é a avenida frenética dos foliões dos blocos Papangus, Fantástico, Arroxo e outros e dos  trios elétricos do Pré- Carnaval de Maranguape. É também por ela que nas datas comemorativas do Município, a Banda de Música passa tocando marchas, dobrados e coisas de amor. A rua da diversão, da adrenalina, da sensação de liberdade, dos saltos, das manobras radicais dos meninos de patins e skate é a rua que a  Auto Escola treina os exercícios de subida de ladeira e retorno dos solicitantes da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Salve! Salve!

 

De verão a inverno, a rua tem a sua funcionalidade peculiar, isso porque a meninada e até gente grande não resiste num dia de chuva grossa, o banho debaixo da boca de jacaré da casa de azulejo e da Artística. Uma brincadeira que já vem de longe e se repete de geração em geração. Difícil é encontrar alguém da área que não viveu essa aventura.

 

Ela não tem o Cristo Redentor atraindo turistas e decorando a ponta da serra, mas está abençoada com a presença de Nossa Senhora das Graças na admirável “Casa Verde”, localizada no cruzamento com a Capitão Manuel Bandeira. A parada é obrigatória de quem passa cedo para o trabalho pedindo bênçãos por um dia feliz, de quem volta cansado agradecendo a graça do retorno em paz e de muitos transeuntes que adotaram o hábito de orar ali, na calçada da casa.

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É na  Major, cruzamento com Cel. Afro Campos , que podemos apreciar o encontro de quatro belos prédios disputando os distintos valores arquitetônicos, um de frente para o outro, cenário perfeito para books das meninas que não dispensam fotos. E é nesse mesmo trecho que na ponta dos pés, a bailarina exibe talento e equilíbrio, na hora que o sol vai se escondendo devagarinho, às quatro da tarde, e numa performance espetacular toca com leveza  o coração desenhado na serra pelo astro rei .

 

A Major Agostinho não é a rua mais linda do mundo, mas é tão deliciosa de se morar quanto o algodão doce e a maçã do amor que descem e sobem as ladeiras, atraindo olhares , despertando desejos, colorindo as calçadas e pistas nos dias de festas.

 

Quem ainda não “Arrasou na Major”?  Durval Lelys do Asa de Águia, Chiclete com Banana , Xandy Avião, Kilvia Titara (minha bailarina preferida) já deixaram suas estrelas por aqui. Daqui a poucos dias quem vai estrear é a cantora Claudia Leitte . Ela vai  comandar,  com muita energia e vibração no Bloco Arroxo, o Pré-Carnaval de Maranguape. Essa é a  Major Agostinho onde vivemos a infância brincando de correr nas calçadas, de amarelinha, de esconde-esconde, pega pega,  corda, cantigas de roda, bandeira, berlinda, três três passará, de futebol e voleibol no meio da rua.  Viver sem medo de ser feliz. Era assim  a vida na Major.

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Termino deixando um pensamento pra você que me lê: “A alegria não está nas coisas, está em nós”. Seja muito feliz!

Tchau, tchau. Até breve!

 

Colaborador: Professor e historiador Joelcio Alves- (Informações sobre Major Agostinho).

 

 

 

 

 

2 comentários sobre “As mil e uma faces da Major Agostinho

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